Colunistas Fernando Cabral
29/01/2016 A Conspiração

Existe uma conspiração em curso contra o empresariado no Brasil. E é muito velha. Mas muitos nem se dão conta. Em 1º. de maio de 1943 surge um dos primeiros indícios: nasceu a CLT. Com “larga” visão de futuro, o Presidente Getúlio Vargas criou uma lei – importantíssima à época – que visava proteger os empregados (considerados até hoje hipossuficientes nas relações trabalhistas) dos “gananciosos” empresários. Correto para aquele momento histórico. Décadas se passaram. Democracias, governantes, golpe, ditadura, “milagre econômico”, hiperinflação, planos econômicos, redemocratização, privatizações, roubalheira, mensalão, petrolão... E os conspiradores não querem que o tempo passe. Não aceitam a evolução da humanidade. Conseguem manter praticamente intacta a velhaca CLT, aterrorizando a vida dos empresários, dificultando o emprego e  empacando o desenvolvimento do país.

 

Nos longínquos anos sessenta do século passado outra amostra da conspiração: foi criado o FGTS. Mais uma vez sob a desculpa de estar protegendo o trabalhador. Na visão dos conspiradores o pobre e hipossuficiente empregado não sabe o que fazer com o seu dinheiro! Precisa deixá-lo guardado e aplicado pelo Governo, que faz com que perca valor mês a mês, aplicando mal o que não lhe pertence para fazer o que seria sua pura e simples obrigação. Outro sinal vem da década seguinte. No final dos anos setenta foi criado o Programa de Alimentação do Trabalhador. O paternalismo dos criadores se perdeu especialmente na ganância das gigantescas multinacionais dos tíquetes refeição e alimentação. Ninguém vê o rombo que os tíquetes provocam na economia do trabalhador, do empresário e do Estado.

 

Por tantos, é impossível contabilizar ou fazer a cronologia dos ataques dos conspiradores nos caixas das empresas travestidos de impostos, contribuições, taxas, fundos e mais fundos. Tudo isso coloca o Brasil entre os países de maior carga tributária. Não é a maior. Mas tudo indica que das mais perversas. Alguns países com altas cargas retribuem com serviços. Mas não oferecer bons serviços públicos faz parte da velada conspiração. Os trabalhadores, especialmente de baixa renda, em sua esmagadora maioria, têm segurança pública sofrível, transporte desumano, saúde caótica, infraestrutura sucateada, educação básica totalmente ineficiente e insuficiente... Faz parte do complô: quanto piores estiverem os funcionários piores estarão as empresas.

 

A conspiração continua. Na passividade dos legisladores que se acovardam e não mudam leis para o bem do país. Puro medo de perder votos. Na incompetência do Estado para cumprir suas obrigações. Na injustiça da Justiça que ainda privilegia a impunidade, cúmplice nos infindáveis recursos que acabam muitas vezes por proteger criminosos. Na mão dos ignóbeis gestores da educação pública básica que tudo fazem para manter a ignorância do povo. E, finalmente, pelo gigantesco, inaceitável e irritante volume da corrupção institucionalizada que tem corroído as finanças públicas e desanimado tantos investidores. Entre os comparsas dos conspiradores estão os banqueiros. Que no Brasil parecem só querer viver de juros. Do spread. Da exploração de pessoas. Físicas e jurídicas. Juros altíssimos encarecem tudo, dificultam tudo. Taxas escorchantes dos cartões de crédito e débito fincam pontiagudos punhais nos bolsos dos empresários, de forma invisível perante a sociedade, como é comum nas conspirações. Pimenta, pimenta e mais pimenta!

 

A salvação, então, está no mercado. No consumidor, claro. Que nada! Os males que atingem funcionários e empresas minam, em conjunto, o poder de compra e a evolução do mercado consumidor. Resumindo: não faltam sinais da conspiração. Falta apenas que ela seja reconhecida e combatida.

 

 

Se o Brasil não despertar para os empresários, se não entender que só haverá desenvolvimento com iniciativa privada forte, vai ficar como está: adormecido! Deitado em berço esplêndido e entorpecido sob os cafunés de obscuros conspiradores.

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COLUNISTA
Fernando Cabral
Desabafo de um Empresário - Formado em Publicidade e Propaganda, já trabalhou em rádio, Tv e jornal. Consultor de Marketing e professor de Comunicação.
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