Colunistas Diego Lara
25/02/2016 A lei do saco furado

Eu falo dos Belos Horizontes! Uma terra de relevos ondulados, de onde as primeiras lágrimas escorrem de nossos rios tão devastados. Vão chorando, chorando, até tornarem-se grandes chorões, levando toda a cagatina e desordem humana em seu leito. Um leito de morte, mesmo. Eis que suje a resposta humana para tais lamentos dos rios! Um desses senhores que usam a gravata para acentuar suas bravatas, fazendo do parlamento um ato de vômito, traz sua solução para cuidar do “meio ambiente”! Criar uma lei que proíbe a utilização de sacos plásticos! Nossa! Só podemos ficar estupefatos com tanta sagacidade! E a cidade, ganhou título de exemplo! A primeira cidade a dar um salto no pensamento ambiental! Sim, saltou tudo, inclusive, saltou a inteligência!

O caso é que o plástico vem do petróleo! O milho e a soja vem, claro, do milho e da soja! Que necessitam inúmeros de milhares de hectares para serem cultivados. E pasmem: também precisam de água! Não, verdade?! Então parabéns aos senhores das Leis, tão sabedores! Deem uma caminhada após esses anos que se passaram da criação dessa lei tão revolucionária, pelos super, hiper e mega mercados e verão seu milho e soja circulando pelas mãos de cada um dos milhões de belo horizontinos! A gente sabe, né, todo mundo tem um saquinho.

 

A sacola feita do milho e soja transgênicos é semelhante a uma sacola de plástico, ela tem o mesmo tamanho, o mesmo formato, arriscaria até o mesmo cheiro, mas, não se enganem! Não é plástico, é milho! Ou soja! Vai saber... Mas escutem só, que defendem: “são pequenas ações, mas tem de ser feitas! Alguém tem que começar a fazer algo para ajudar ao meio ambiente!” Só posso concordar. Porém, fazer mais cagadas é foda! Gastou-se tantos recursos e energia com a propaganda da lei da sacola, com as mentes humanas que deram tanta atenção a tal fato, que esqueceu-se de pensar! Pensar: a pequena, real e mais fácil ação humana de cada ser humano para “contribuir ao meio ambiente”. Ou talvez, pensou-se demais. Inverteu-se a fonte. Saia grana de uma mão, vai para outra. Do petróleo vierdes, ao milho retornarás! Ou soja! Enfim, a lei é furada, mas a sacola não furou. Esvaziou, mas está aí, a carregar tão questionadas necessidades humanas. Vazia, mas vai. Vai sendo jogada por aí e ela vai, pra onde o vento levar. Sempre aos rios. 

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COLUNISTA
Diego Lara
EcoPepper - Geógrafo especialista em Estudos Ambientais pela PUC-Minas. Produtor e Editor de Vídeos pela Recorte Audiovisual.
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