Colunistas Fernando Cabral
23/11/2015 Alguém tem que encarar

No final de outubro, o Banco Mundial divulgou um ranking sobre o dia a dia nos negócios em 189 países. Nele pode-se saber quem está em que lugar em relação a facilidades para os negócios e uma escala final indicando os melhores países para se ter uma empresa.

Alguns itens foram aqui pinçados: o Brasil está na 97ª posição quanto às facilidades de crédito, 174ª em relação à facilidade para abrir uma empresa e 178ª posição em relação aos impostos, seja no tanto que se paga quanto na energia e no tempo gastos para pagá-los.

Deveria haver sempre um alento ou uma boa notícia, mas não há. Nos últimos três anos, de 2012 para cá, o nosso Brasil melhorou dez posições no resumo geral desse ranking. Passou à frente de dez outras nações do mundo, tornando-se o 120º melhor lugar para se ter um negócio. Nesse ritmo, no ano de 2055 já poderemos estar no TOP 20 do mundo. Nesse momento deverá ser um ótimo negócio abrir uma empresa no Brasil. Isso, é claro, se os demais países ficarem parados esperando o Brasil ultrapassá-los.

O tom irônico dos parágrafos anteriores pode não transparecer a importância dos números, mas é uma forma de tentar dar – a quem acessa essa informação – uma noção do que devem passar os empresários nesta república de incompetência do Estado, escândalos e indecências.

Mas alguém tem que se movimentar. A estagnação política e a marcha à ré da economia não podem impedir que novas empresas surjam, que as que estão aí se modernizem, cresçam e floresçam. Daí esta coluna traz mais um apelo aos jovens. No artigo anterior, houve um apelo para que eles se preparem para a política. O objetivo é que muito breve uma geração consciente, ética e honesta domine os poderes da república e encontre o caminho para o verdadeiro desenvolvimento.

Os jovens empresários precisam acreditar que podem, mesmo no mercado convencional, com empresa tradicional, obter eficiência e resultados excepcionais se aplicarem seus conhecimentos mais modernos e suas preocupações sociais, éticas e ambientais. Não são só start-ups, ou empresas da economia criativa, nem simplesmente as ligadas às modernas tecnologias que terão sucesso. Ainda há um grande mercado, um grande povo, uma grande nação que precisa de tudo. Bons restaurantes e bares. Cabeleireiros e barbeiros. Eficientes mercadinhos de vizinhança. Pequenas papelarias ou grandes livrarias. Marcenarias ou mercearias, casas de ferragens, consertadores de panelas, engraxatarias, lavadores de carros...

Numa demonstração de que há espaço para todos, segue um exemplo de negócio simplório testemunhado dia desses em bairro nobre de Brasília. Como lavar o carro melhor que nesses lavadores de estacionamentos (com baldes de água duvidosa) e mais em conta e mais rápido que nesses “banhos” secos hi-tech supercaros? Como opção, aparece no canto de um estacionamento uma pequena estrutura: aspirador de pó, jato d’água sob pressão, sistema de escoamento de água, dois profissionais ao mesmo tempo e serviço bem feito. E de onde nasceu este pequeno negócio? O “empresário” é o guardador de carros da área, flanelinha mesmo! Está naquela área há mais de dez anos e resolveu “empreender”. Comprou os equipamentos, contratou dois “funcionários”, conseguiu água encanada e energia elétrica. Está lá, gerando “empregos”, prestando um serviço que continua sendo necessário e defendendo o seu honestamente.

Não vai aqui nenhuma apologia à economia informal. Também tem delivery de lavagem de carros, tem Kombi profissional nas entrequadras da Asa Sul e ainda os grandes centros automotivos especializados. O que importa é que tem espaço para muitos, basta trabalhar corretamente, sempre avaliando as oportunidades de negócios.

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COLUNISTA
Fernando Cabral
Desabafo de um Empresário - Formado em Publicidade e Propaganda, já trabalhou em rádio, Tv e jornal. Consultor de Marketing e professor de Comunicação.
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