Colunistas Junior Ramalho
00/00/0000 “ALMA PENADA!”

Dizem que a propaganda é a “alma do negócio”. Pura verdade, já que, sem ela, mesmo os melhores produtos do mundo ficam nas prateleiras; serviços sem clientela fiel e, políticos, sem votos e cargos eletivos. Triste é estar testemunhando, como todo o povo brasileiro, a alma boa transformar-se em assombração, através dos vários e repetidos casos de escândalo político que o nosso país atravessa. É óbvio que existem espíritos de porco em todas as profissões e maracutaias no negócio da propaganda, também, nunca foram nada de tão espantoso, mas quando isso começa a afetar a imagem da atividade e dos seus empreendedores e trabalhadores, como um todo, é melhor começar a rezar ou fazer logo um descarrego.

Semana passada eu mesmo fui vítima de “bulling” profissional por parte de um humilde caseiro, para o qual eu havia acabado de ser apresentado por um amigo, dono da chácara onde ele trabalha: – E então, “doutô”, o senhor também mexe com fazenda? – respondi orgulhoso: “Não, não. Sou publicitário, trabalho com propaganda e marketing” – E lá veio a bomba: – “Ah, tendi”, é aqueles trem que faz os político parecê na televisão e ajudá eles a metê a mão nos dinheiro do Governo, né? Então o douto deve tá muntado no cascai”. Constrangimento geral e, fatalmente, as piadinhas por parte dos meus amigos que presenciaram a cena:“Pode deixar que eu levo cigarro”.

Me incomoda muito também perceber que, atualmente, já não se tem um número tão alto de candidatos a publicitários nos vestibulares das grandes universidades. Não sei se isso tem a ver com as ladainhas que começaram desde a prisão do Marcos Valério e que abriram a porteira para várias outras denúncias do mesmo estilo, envolvendo outros renomados “managers” de grandes agências de publicidade. Sem contar a cara de desconfiança de pequenos anunciantes nas reuniões de prospecção, onde já cheguei a ouvir a seguinte frase, ao apresentar uma proposta de campanha: – “Mas isso aí não dá nenhum problema não, né?” E no caso de clientes experientes que, ao analisarem os orçamentos nos planejamentos, trancam bem as portas e começam a sussurrar na reunião, como se estivessem tratando de um grande plano de assalto ao trem pagador. Triste, viu?

Acho também que está demorando demais para que as entidades classistas, tanto as laborais, como as patronais, que representam e defendem os interesses do segmento publicitário, a nível nacional, coloquem no ar campanhas corporativas, institucionais e até didáticas, falando sobre a importância e a lisura das agências para os negócios e formação do PIB nacional, eximindo de culpa a esmagadora maioria dos publicitários que trabalham direitinho e se orgulham do que fazem. E, é claro, com a colaboração direta e ativa de todos os segmentos similares que dependem da propaganda: veículos, produtoras, anunciantes...

Isso é igual bicho de pé: no começo é até engraçadinho e gostoso, mas, se demorar demais pra tirar, incha e dá uma dor danada que impede a gente de caminhar direito. Se não for dada uma resposta forte e convincente, daqui a pouco agência de propaganda vai virar sinônimo de empreiteira da construção civil, e nem uma nem outra merecem tratamento desconfiado por conta de uns ou outros que causam medo nos seus mercados, espalham má fama e geram a descrença por parte dos que consomem os seus serviços.

A hora está boa para todos nós que botamos fé na atividade publicitária darmos as mãos e sairmos em romaria, enaltecendo os milagres que somos capazes de realizar, antes que o nosso negócio, que já não anda tão bom, acabe indo pra parte de baixo. “Credo em Cruz!”.

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COLUNISTA
Junior Ramalho
Propaganda & Marketing - Sócio-Diretor da Pódio Propaganda e Marketing, responsável pelas áreas de Criação e Planejamento.
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