Colunistas Junior Ramalho
29/01/2016 Barato que sai caro!

Pouca gente sabe mas publicidade também se faz não para quem vai comprar um produto, serviço ou ideia, mas sim para o público interno das empresas que os vendem. São as campanhas internas, ou endomarketing, como queiram, que têm a finalidade de conseguir a adesão dos funcionários a determinadas posições adotadas pelas diretorias, ou mesmo para mobilizar, incentivar e dinamizar as vendas. Só não se pode confundir campanha interna com ações isoladas, - infelizmente muitas vezes elaboradas e produzidas pelo pessoal do RH – sem nenhuma técnica ou conhecimento de causa. Já vi casos onde o tiro saiu pela culatra, exatamente por falta de planejamento estratégico, criação e produção profissionais. Campanha interna também é coisa para publicitário.

Um exemplo emblemático de insucesso, pela falta de profissionalismo, é o de uma empresa de porte médio, com cerca de 80 funcionários diretos, da área de alimentação congelada, que delegou à bem intencionada funcionária que cuidava do quadro de avisos; cartazes de aniversariantes do mês e funcionário-padrão, a séria missão de elaborar e produzir uma campanha para redução dos custos operacionais. Muito orgulhosa com a tarefa, a moça partiu para a ação, munida de muita cartolina colorida; recortes de revistas; tinta guache, pincel atômico e imagens capturadas no Google. Optando por uma temática enérgica, a “diretora de criação” saiu espalhando cartazes pelas áreas comuns aos funcionários. Nos banheiros: “PAPEL HIGIÊNICO CUSTA DINHEIRO: LIMPE COM CONSCIÊNCIA”; “PAPEL TOALHA É SÓ PARA SECAR AS MÃOS, NÃO PARA SE LIMPAR” e, ainda sobre o mesmo tema, a pérola: “SE O SEU PAPEL ENTUPIR O VASO, QUEM VAI SE SUJAR É VOCÊ” (?).

Do banheiro, partiu para a copa coletiva onde, ao chegarem para lanchar, os colegas de trabalho deram de cara com as sutis mensagens: “SEUS COLEGAS NÃO SÃO OBRIGADOS A PISAR NAS SUAS MIGALHAS. LIMPE O QUE SUJAR” e “USE SÓ UM COPINHO PARA O CAFÉ, PRA NÃO SE QUEIMAR COM A CHEFIA”. De lá, direto para o almoxarifado: “ANTES DE PEDIR CHAMEX, CANETA E LÁPIS, PONHA A MÃO NA CONSCIÊNCIA” (hã?). E assim foi “enfeitando” toda a sede da empresa, - sem contar a extrema falta de gosto na escolha das ilustrações - fora do expediente de trabalho, para mostrar competência e surpreender os chefes. Nem precisa contar a reação de revolta e ironia com que foram recebidos os diretores pelos funcionários na manhã seguinte. Após ser chamada a se explicar, a publicitária de improviso ainda teve uma crise de nervos e choro e saiu arrancando e rasgando os cartazes, bradando contra as zoações dos colegas, a quem chamava de invejosos. Constrangimento geral e arrependimento dos gestores que, só então, resolveram ligar para a agência de propaganda.

Aí sim, ferramentas como e-mail marketing; frases bem redigidas e simpáticas no rodapé dos contra cheques; evento festivo com peça teatral sobre os temas, encenada pelos próprios funcionários; cartaz de agradecimento mensal, com os números da redução de gastos; adesivos bem feitos e pequenos ao lado dos interruptores de energia e nos computadores; palestras motivacionais e várias outras peças e ações foram lançadas e imensamente bem recebidas pelos colaboradores.

 

A funcionária? - Não foi demitida e, pelo o que eu soube, começou a enviar currículo para várias empresas, inclusive para a agência de propaganda, mas parece que não foi contratada. A empresa? – Continua no mercado, contratou um publicitário para se relacionar com a agência e retirou o quadro de avisos, para evitar bilhetinhos muito apimentados. 

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COLUNISTA
Junior Ramalho
Propaganda & Marketing - Sócio-Diretor da Pódio Propaganda e Marketing, responsável pelas áreas de Criação e Planejamento.
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