Colunistas Junior Ramalho
16/12/2015 "Burro, burro, burro..."

Talvez pelo “glamour”, talvez pelo eterno modismo ou pelo simples fato de trabalharmos diretamente com o psicológico do coletivo, nós, publicitários, notadamente os “criativos” – embora o resultado final do comercial de TV; anúncio de jornal e revista ou spot de rádio, dentre outras peças, envolva profissionais de várias áreas, como atendimento, mídia, planejamento, produção – , somos frequentemente questionados por camadas da sociedade que se sentem no direito de não apenas opinar, como também de julgar nosso trabalho, sem nenhum critério técnico, mesmo quando não fazem parte do público a ser atingido pelas mensagens.

É mais ou menos como um técnico de futebol que passa a semana inteira convivendo com o elenco do time, sabendo quem chegou atrasado e bêbado para treinar; errou todos os fundamentos durante o coletivo; não se encaixa com a estratégia de jogo diante de um adversário específico, mas acaba sendo crucificado por não escalar o jogador “A” ou “B”, que o torcedor faz questão de ver em campo, apenas pelo nome ou passado.

Isso acontece também em outras áreas, como arquitetura, paisagismo, farmácia, artes plásticas, fotografia profissional, cinema, entre outras das quais, infelizmente, muita gente acha que entende. Quase todo mundo se julga apto a fazer jardim, roteiro de filme, receita de remédio para qualquer mal e, no nosso caso, criar campanha publicitária.

Em propaganda, nem sempre – ou quase nunca – o que é belo, apenas por ser belo, resolve. Dependendo do público que se pretende atingir, o próprio profissional de criação se vê na obrigação de propor ideias que nem ele mesmo gostaria de ver no ar. Às vezes, para atingir um objetivo, é melhor botar em campo um mero desconhecido do que escalar o queridinho da torcida. Com a democratização das mídias, especialmente as eletrônicas e virtuais, muitas vezes expomos mensagens – por mais que se tente segmentar – que não são plenamente assimiladas por alguns públicos e, fatalmente, surgem os comentários do dia seguinte, do tipo: “Você viu que baixaria aquele filminho da...”; “Esse pessoal desse anúncio está se achando...”; “Credo! Não tinha um atorzinho mais bonito pra botar aí?”. É claro que devemos descontar os “publicitários” que fazem qualquer coisa para faturar e são natural e obviamente ruins.

Vamos ser ainda mais claros? Se alguém que mora no Lago Sul, Asa Norte, Sudoeste ou Park Way, dentre outros, liga a TV no Jornal Nacional e dá de cara com um casal “ridículo” vendendo “Capital Cap”, fatalmente ficará meio revoltado. Ou se alguém que reside em alguma das várias comunidades mais pobres da sociedade navegar por um site qualquer e se deparar com um banner virtual mostrando uma mulher gostosa ao lado de um playboy numa Ferrari para vender seguro de carro, terá a tendência de refutar e criticar.

Tomo a liberdade de solicitar, a qualquer tipo de público, que antes de detonar uma ideia publicitária (tirando aquelas já citadas, que são pura incompetência e ignorância mesmo) façam o simples exercício de colocar-se no lugar de quem tem o perfil para consumir determinado produto ou serviço.

Bonito e sedutor, em propaganda, é aquilo que convence, seduz e, principalmente, vende!

Até mesmo este texto, que não é propaganda, mas é comunicação, pode não estar sendo entendido, neste momento, porque quem pegou a revista para dar uma olhadinha, certamente, vai acabar pensando ou dizendo: “O que esse cara está querendo dizer? Não entendi nada!”, “Burro, burro, burro...”

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COLUNISTA
Junior Ramalho
Propaganda & Marketing - Sócio-Diretor da Pódio Propaganda e Marketing, responsável pelas áreas de Criação e Planejamento.
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