Colunistas Junior Ramalho
31/03/2016 Criando e Andando

Nesses tempos de crise, crescem as famosas propostas de “contrato de risco”, ou seja: alguém do seu círculo de relacionamento profissional descobre uma possibilidade de faturamento com propaganda e marketing, e te chama para planejar campanhas, criar e produzir peças; montar planos de mídia... Teria tudo para ser uma bela notícia e sinal de recuperação do mercado, se as oportunidades não fossem, em 90% dos casos, meras especulações: o profissional trabalha, vira noites – já que além dos contratos serem de risco, os prazos são invariavelmente absurdos de tão curtos e, no final, vem a velha e conhecida frase: “o cliente amou o seu trabalho e disse que, assim que começar a entrar dinheiro, vai fazer tudo”. Ou seja, você investiu seu talento, tempo à toa. Sentiram a incoerência? Propaganda existe para alavancar negócios e aumentar faturamento, mas os clientes ou agentes do seu trabalho querem te contratar quando faturar, sem anunciar. Dá para entender?

Comparando: você chega num restaurante chique, chama o dono e diz que está ali por ter recebido ótimas indicações e que deseja fazer um “pedido de risco”. Escolhe o prato mais caro e o profissional da gastronomia fica feliz e corre para a cozinha. Após tudo servido, o cliente saca o celular, fotografa a mesa, posta, cheira e prova um pouquinho de cada deleite e, sem a menor cerimônia, levanta-se, diz que amou o atendimento e que assim entrar um dinheirinho extra ele volta para consumir e pagar. Bacana, né?

Primeiro apresentar o produto para seduzir o cliente e, posteriormente, conquista-lo e faturar. Mas quem é que paga o camarão que já foi pago? O salário dos que atuaram com a sua experiência? Isso é investimento, ou usurpação de quem não sabe fazer mas adoraria ver como é que fica. Será que o trabalho intelectual e criativo pode ser tratado como algo que não tem preço nem valor, antes de ser efetivamente realizado? Quanta interrogação, não é mesmo?

Ah, chega! Publicitário trabalha com a cabeça e o coração. Por isso, estou lançando uma campanha: “QUER VER COMO FICA? PEGUE OS CUSTOS”. Caso contrário, a tão declarada e constatada crise ficará cada vez pior, para quem tem que primeiro provar, sem receber. Não é preguiça, não! Chega de interrogações e vamos às exclamações: eu, pelo menos, não faço mais contrato de risco sem o mínimo pagamento que garanta a remuneração das minhas horas de dedicação, que levaram anos e anos de ralação para acontecerem! Se alguém lhe pedir uma proposta, que já deva vir com conteúdo, cobre por isso!  Propaganda é coisa séria, exige talento e muita técnica. Merece ser remunerada, não acham?

 

Por falar nisso, senhor garçom, por favor, me traz uma Pimentinha para eu provar esse camarão? Tudo com PEPPER ficar mais excitante. Se eu gostar, depois eu pago, tá?

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COLUNISTA
Junior Ramalho
Propaganda & Marketing - Sócio-Diretor da Pódio Propaganda e Marketing, responsável pelas áreas de Criação e Planejamento.
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