Colunistas Fernando Cabral
00/00/0000 Espionagem internacional, importação de professores e embargos infringentes

É pra complicar mesmo! Muita pimenta nessas discussões. Afinal, foi-se o tempo em que podia-se dizer que o que é bom para os americanos é bom para o Brasil. Mas, não vamos negar, os caras são bons em um monte de coisas. E algumas delas devemos até espionar para copiar. Por que não?

Para essa boa cópia basta-nos observar e pegar o que há de melhor, adaptando à nossa realidade. Em Nova Iorque, caminhando pelas agitadas, movimentadas e feéricas ruas de Manhattan, a cada operação de alimentação, seja um fast food, café ou restaurante, veem-se umas letras bem expostas em suas vitrines, categorizando os restaurantes por seus atributos sanitários.

Muitos As, alguns Bês e raros Cês indicam o nível de atendimento das exigências de normas higiênico-sanitárias em cada estabelecimento. Dessa forma o cliente fica conhecendo, antes de adentrar o recinto, o conceito de cada um no que diz respeito às questões de limpeza e segurança dos alimentos dos restaurantes.

O Brasil se inspirou na ideia, mesclando com outros exemplos de sucesso no mundo como na Inglaterra, Dinamarca e outros importantes destinos turísticos. O público alvo principal, no início, é o turista estrangeiro. No final, espera-se que esse seja um verdadeiro legado da Copa do Mundo de 2014. Dando certo, e tem tudo para dar, provavelmente a iniciativa se espalhará por todas as capitais e grandes cidades do País.

A louvável iniciativa do Ministério da Saúde, por intermédio da ANVISA, trará benefícios diretos aos consumidores, aos empresários e aos turistas. A tendência ainda é de uma melhor relação dos empresários com a Vigilância Sanitária: rara oportunidade em que todos realmente saem ganhando. Até os que ficarem inicialmente com conceitos não muito positivos serão motivados a correr para melhorar seus padrões e aumentar seus conceitos.

O resultado final, lá na frente, será a redução das DTAs – expressão que define Doenças Transmitidas por Alimentos – pelo menos nas empresas de Alimentação Fora do Lar. Bom! Mas não o suficiente. Segundo dados do próprio Ministério da Saúde, existem quase três vezes mais surtos de DTAs adquiridas em residências do que em bares e restaurantes. Afinal, nas empresas existem normas a serem seguidas, fiscalização, padrões mínimos, treinamento e, na maioria delas, muita responsabilidade ao lidar com a saúde do cliente, nem que seja para preservar a boa imagem do estabelecimento. Nos últimos dez anos, os bares, restaurantes e padarias responderam por apenas 18% dos surtos de DTAs no país inteiro. O resto é quase tudo em casa, hospitais, escolas...

Para minimizar ao mínimo (ou seria minimizar ao máximo?) os surtos e problemas com a segurança dos alimentos, precisamos mesmo é de educação. Se podemos copiar os americanos na categorização dos restaurantes, poderíamos aproveitar para dar uma espiada no que eles ensinam nas escolas básicas sobre segurança dos alimentos; assim, ficaria muito mais fácil imaginar um Brasil melhor sem DTAs.

Apimentando a discussão: podemos importar médicos de Cuba, por que não podemos, então, importar professores de segurança dos alimentos dos Estados Unidos? A polêmica é grande? Você concorda? Há os que concordarão e os que não concordarão. Muitos contra, muitos a favor? Quase empate! Vale, então, apelar para os embargos infringentes: vamos agir ou dar mais uma chance para as bactérias?

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COLUNISTA
Fernando Cabral
Desabafo de um Empresário - Formado em Publicidade e Propaganda, já trabalhou em rádio, Tv e jornal. Consultor de Marketing e professor de Comunicação.
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