Colunistas Junior Ramalho
16/12/2015 "Foi dada a Largada"

Chegamos à metade deste ano e, considerando que o ano que vem é de disputa não apenas da copa do mundo, mas também por vagas eleitorais – para deputados estaduais e distritais, senadores, governadores e presidente da república –, o mercado publicitário nitidamente já se agita em busca de boquinhas nas campanhas políticas. Agências de propaganda, gráficas, produtoras de áudio e vídeo, “marqueteiros”, “marreteiros” e até mesmo leigos – quase sempre amigos dos candidatos – surgem com suas “brilhantes” estratégias, sem o menor comprometimento com as técnicas do marketing político-eleitoral, mas visando unicamente aos seus lucros financeiros. Nessa hora, todo mundo vira especialista e a indústria do “achismo” ganha vulto. Chega a dar medo e até um pouco de dó do bolso de alguns candidatos.

É claro que para alguns poucos, quase sempre vitoriosos, tanto candidatos quanto prestadores de serviços de marketing, profissionais e responsáveis, a hora é essa mesmo; aliás, a hora já começou desde que a última urna, da última eleição, foi computada. Para quem não brinca com coisa séria, é do ramo ou, no mínimo, tem a humildade de se informar e se aliar com quem sabe o que faz, eu tiro o meu chapéu e admiro muito o “start” eleitoral.

O problema, não para mim, mas para quem cai nas arapucas dos oportunistas, é que tem gente que sequer analisa o cenário eleitoral; possibilidades; coligações; partidos políticos, perfil do eleitorado; plataformas, enfim, não analisa nada. Mas já está com o “slogan” pronto, o “jingle” gravado, o layout do cartaz na mão, sem sequer saber o número e a legenda definitiva do candidato. Mas, no fundo, quem cai nessa merece virar “bucha de canhão”.

É triste saber que está cheio de gente grudada nos sites de busca da internet fazendo o famoso “CTRL C e CRTRL V” em apostilas de varejo de marketing eleitoral, trocando umas palavrinhas e vendendo como soluções para a vitória de iludidos candidatos que veem na política a única salvação ou a realização de um grande sonho pessoal. E os cursos de oportunidade, em três vezes, sem juros, no cartão, que vendem todas as soluções? E os livros de ocasião?

Até concordo que, diante da propaganda e do marketing, um candidato é tão produto como uma lata de cerveja ou um sabonete, que precisa disputar mercado para ser escolhido pelos consumidores, no caso, eleitores. Mas não basta ter um bom estúdio de arte, uma profissional de atendimento simpática e um dono de agência falante e que tem amigos na imprensa para virar, de uma hora para outra, ou de dois em dois anos, um profissional capaz de eleger um candidato. Há que haver formação, não obrigatoriamente acadêmica, e muita ralação em campanhas anteriores.

Pensando bem, nem estou mais com peninha de quem cai nessa, não. Afinal, se alguém entrega seu futuro político nas mãos de uma embalagem com data de validade falsa porque o cara que vai fazer a campanha é amigo de alguém importante, ou porque vai levar uma parte por fora do dinheiro pago pela campanha – que vem de “doações” –, tem mais é que se lascar.

Só me dá alegria ver o mercado publicitário aquecendo; as empresas fornecedoras contratando; os restaurantes da moda “bombando” com as equipes dos candidatos consumindo; as cidades e as “currutelas” em festa e a carinha de vencedor dos candidatos.

Não pretendo, até porque não vou conseguir mesmo, convencer os candidatos de que política se faz com técnica e não só com amizades ou “grifes”, mas não custa deixar a dica.

Aos “marreteiros” de plantão, cuidado, pois hoje em dia todo mundo pesquisa o “google”.

Em campanha política não existe “eu acho”. Há que se tercerteza. Luz verde...

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COLUNISTA
Junior Ramalho
Propaganda & Marketing - Sócio-Diretor da Pódio Propaganda e Marketing, responsável pelas áreas de Criação e Planejamento.
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