Colunistas Junior Ramalho
16/12/2015 Fonte da Juventude

A sociedade costuma ser cruel com a chegada da idade de seus integrantes, principalmente no que se refere à força de trabalho. Isso é fato e, para algumas atividades – cuja execução exige força física – é até compreensível. Só não consigo entender a sistemática desvalorização e fechamento de portas e oportunidades aos jovens senhores e senhoras no mercado publicitário. Após longos anos acompanhando o turn over nas agências de propaganda, veículos de comunicação e fornecedores, cheguei à triste conclusão de que, para o mercado, o tempo de “vida útil” dos profissionais, em média, é de 30 anos.

É óbvio que qualquer ramo de negócio necessita de renovação, até para se absorver a avalanche dos novos profissionais que as faculdades despejam no mercado todos os semestres. Mas, no caso da propaganda, fica parecendo que a substituição de peças na engrenagem se faz apenas por questão estética e de modismo. É como se criativos, produtores, mídias, gerentes de contas, enfim, fossem perdendo seus talentos e esquecendo suas experiências, junto com os seus cabelos e a rigidez dos seios.

Até concordo que, em muitos casos, os culpados são os próprios “velhinhos”, a partir dos 45 anos de idade, que não se adaptam e até rejeitam a reciclagem e absorção das novas tecnologias, mas o que se vê é a troca de uma vivência da cultura específica de publicidade, que fica mais ágil e até criativa com o passar dos anos, por uma juventude voraz por mostrar serviço, mas ainda sem a necessária malícia e compreensão real sobre o negócio. Seria para substituir salários altos por módicas quantias pagas a estagiários e pouca-práticas?

Encanta realmente entrar numa agência ou outra empresa do setor e respirar o clima de vigor, beleza e tesão pelo novo, emanado pela juventude que compõe as novas gerações de publicitários. Mas onde fica a sala ou mesa do cinquentão que ainda tem tanto para oferecer às empresas e seus clientes? Cadê o clima de consistência e segurança nos resultados?

Mal comparando, é como se times de futebol passassem a entrar em campo apenas com jogadores da base – craques em potencial –, dispensando, sem dó, atletas como Rogério Ceni, Dida, Lúcio, Ronaldinho Gaúcho, Zé Roberto, Seedorf, entre muitos outros. Sem a devida renovação, não teríamos também Neymar, Lucas, Rafinha e os próximos, como grandes talentos da propaganda que hoje estão aí. Mas será que estes também não acabarão vendo seus passes desvalorizados, antes mesmo de esgotarem completamente todo o seu potencial?

Ou você monta seu próprio negócio, para continuar sobrevivendo no mercado, ou tenha certeza de que, aos primeiros sinais de cabelos brancos, será simplesmente ignorado pelos donos das empresas do setor. E o pior é que, quando você abrir as portas da sua agência, para fugir do ostracismo e da discriminação, acabará também contratando apenas jovenzinhos cheios de garra e baixos custos. Isso é quase uma regra para quem é do ramo: basta parar para pensar e, em poucos minutos, terá uma vasta seleção de “Rivaldos” da propaganda.

O tempo voa; cuidado para ele não te levar também.

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COLUNISTA
Junior Ramalho
Propaganda & Marketing - Sócio-Diretor da Pódio Propaganda e Marketing, responsável pelas áreas de Criação e Planejamento.
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