Colunistas Fernando Cabral
16/12/2015 Não ao impeachment! Dos negócios...

2015 “fecha” em meio ao processo de impeachment da Presidente da República. Concomitantemente a Câmara dos Deputados deverá estar às voltas com o processo de afastamento do cargo e cassação do mandato do seu Presidente. Ou seja, os Poderes Executivo e Legislativo estarão às turras, envolvidos em suas picuinhas. O Poder Judiciário estará atribulado, especialmente o mais alto dos tribunais. Serão muitas ações, mandatos e liminares a julgar, além do próprio processo de impeachment que, na última etapa, passa a ser presidido pelo Presidente do Supremo. Isso sem contar processos e operações em andamento no Ministério Público, na Polícia e na Justiça Federal.

 

Os Poderes do Estado voltados para os problemas políticos, provocados pelos problemáticos políticos e suas pouco patrióticas preocupações. E os cidadãos comuns? E a economia? E os empresários? Esses que esperem. Primeiro os poderosos. Depois o Brasil.

 

A palavra impeachment é tratada em português, por muitos, como impedimento. O respeitável Dicionário Aurélio a coloca naturalmente em suas páginas, tratando mesmo como impedimento e registrando, é claro, a origem inglesa do vocábulo. Segundo o Dicionário Houaiss de Sinônimos e Antônimos, impedimento é obstáculo, barreira, embaraço, empecilho, óbice, proibição, coibição, interdição, restrição, tolhimento. Parece o vocabulário do empreendedor brasileiro!

 

Obstáculos e barreiras estão por toda parte. Abrir uma empresa é uma quase infindável corrida de obstáculos. A cada barreira vencida aparece algo novo, por vezes maior e com cara de intransponível. Principalmente para quem não está disposto a pagar uma “bola” aqui e outra ali. O embaraço é especialidade da burocracia. A alegria da burocracia é embaraçar a vida dos empresários, complicando-a e embaralhando-a com inexplicável sadismo.

 

Empecilhos pululam. Destaque para a CLT, aquela legislação velhaca da primeira metade do século passado. Ela que se propunha a proteger os empregados, hoje dificulta a sua contratação. Achata o salário e a efetiva disponibilidade de dinheiro nas mãos dos trabalhadores, alimentando o paternalismo do Estado à custa do empregador.

 

É proibido crescer! É um pouco de exagero, tudo bem – dose exagerada de pimenta. Mas, por exemplo, as empresas que optam pelo Simples Nacional para o pagamento de seus impostos têm que pensar muito antes de crescer. Aumentar o faturamento e “desenquadrar” pode ser a morte. Se dizer que crescer é proibido extrapola o razoável, pelo menos é nítido que a saída do Simples é coibida pelo próprio sistema. A baixa escolaridade e o baixíssimo nível cultural de grande parte dos trabalhadores brasileiros é um dos maiores óbices ao crescimento do mercado e das empresas. Mesmo com uma boa dose de crescimento da renda popular nos últimos anos, não se observa melhora na cultura e na educação, caracterizando indiscutível óbice ao desenvolvimento do país.

 

A interdição ao crédito é um destaque no cenário econômico: mais uma vez em especial das menores empresas, que dificilmente têm acesso às linhas subsidiadas que as megacorporações conseguem - sabe-se lá como - junto ao BNDES. A interdição vem pelas dificuldades cadastrais ou pelas absurdas, escorchantes, indecentes e destrutivas taxas de juros cobradas em benefício das empresas mais lucrativas do país – os bancos. Por falar em lucro, se para os bancos eles são estratosféricos, para os pequenos eles sofrem muitas restrições. Sejam as de ordem cultural – o brasileiro médio acha que lucro é crime. Sejam as geradas pela pesadíssima e injusta carga tributária. Com margens cada vez menores, os investimentos produtivos têm sido tolhidos em função de todos os impedimentos aqui citados.

 

 

Muitos empresários, muitos mesmo, conseguem superar todos esses impedimentos e obtêm sucesso. Imagine, então, os negócios sem tantos impedimentos. Seria outro Brasil. Não ao impeachment nos negócios.

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COLUNISTA
Fernando Cabral
Desabafo de um Empresário - Formado em Publicidade e Propaganda, já trabalhou em rádio, Tv e jornal. Consultor de Marketing e professor de Comunicação.
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