Colunistas Junior Ramalho
00/00/0000 NO “COACH” OU NAS COXAS?

Embora não seja uma atividade tão nova assim, já que seus primeiros passos foram dados no início da década de 50, só agora no Brasil, nos últimos 5 anos, o “COACH” tem despertado a atenção do mundo empresarial - ao menos daqueles gestores e empresas que realmente se preocupam com a qualidade do atendimento aos clientes, em todos os segmentos da economia e até em organizações sociais, filantrópicas, esportivas e comunitárias. Essa palavrinha mágica, em síntese, significa treinamento; método; evolução profissional; crescimento e várias outras designações para o sucesso pessoal e nos negócios. Basta dar um “google” para encontrar inúmeros tópicos com definições mais aprofundadas, modos de aplicação e, principalmente, uma enorme quantidade de cursos e programas.

Virou moda? Sim, virou! Mas é preciso ter a nítida consciência de que o “coaching” não é meramente palestra motivacional, para não correr o risco de acabar caindo numa cilada técnica; afinal, picaretagem tem em todo canto e, nessas ondas, muita gente vira tudo e sai vendendo gato por lebre para os incautos mal informados. O verdadeiro e eficiente “coaching” utiliza técnicas como: psicologia, sociologia, neurociências, linguística, administração de empresas e gestão de pessoas e instituições para o apoio de pessoas e empresas no alcance de metas e suas evoluções contínuas. Ou seja: ministrar essa técnica exige vasto conhecimento de conteúdos e não apenas uma bela lábia e estratégias de convencimento e teatrinhos...

Mas qual o motivo de um colunista de publicidade e propaganda falar de “coach”? Simples: muitos clientes, notadamente aqueles que anunciam seus produtos ou serviços de forma esporádica, só pensam no retorno imediato dos seus investimentos em propaganda, porém não se preparam minimamente para receber a demanda provocada por seus anúncios e, aí, cabe também um pouco de culpa das agências ou profissionais de marketing dessas empresas ou corporações. Baixam-se preços; dão-se benefícios; ampliam-se prazos de pagamento, mas, quase sempre, deixa-se de lembrar que o potencial cliente que virá conferir - pessoal ou virtualmente - espera por atenção, conhecimento e segurança por parte dos vendedores, atendentes ou consultores, como queiram.

Quem já não teve o desprazer de entrar num “show room” de concessionária de automóveis e se deparar com um sedento, mas completamente despreparado vendedor, que não sabe, sequer, como funcionam os comandos do carro que está mostrando e não usa qualquer argumento técnico para que o pretenso cliente sinta-se assessorado? Ou ligar para um 0800 qualquer para venda de combos, mas a criatura do outro lado da linha não sabe praticamente nada além do preço padrão que lhe passaram numa tabela fria e seca? E, só pra ilustrar mais um pouquinho, as decepções de quem se encanta pela publicidade, mas frustra-se com o atendimento no ponto de venda: “Desse modelo tem, mas já acabou. Agora só sobrou deste aqui..” sem se preocupar com as necessidades ou desejos reais do consumidor, buscando opções atraentes ou providenciando formas de aquisição do que ele queria.

Não dá pra simplesmente anunciar, com condições e promoções criadas sem embasamento técnico, e encher a loja de vendedores comissionados, quase sem treinamento algum, ou operadores de telemarketing cheios de vícios insuportáveis e achar que vai vender tudo e fidelizar o cliente. Muitas vezes, a propaganda vai causar o esperado desejo de compra, mas a falta de treinamento e preparo fatalmente irá inibir o ato. Treinar, capacitar e qualificar faz parte do plano de comunicação e deveria ser obrigação, tanto por parte dos gestores, como pelos seus comandados e, neste caso, “COACHS” bem conduzidos e específicos podem ser a solução. Chega de amadorismo e blá-blá-blá; o momento é de crise política, institucional, econômica e social. Vai se preparar para atravessar, ou vai continuar nas COXAS? Põe pimenta nos negócios e vai pra dentro...

 

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COLUNISTA
Junior Ramalho
Propaganda & Marketing - Sócio-Diretor da Pódio Propaganda e Marketing, responsável pelas áreas de Criação e Planejamento.
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