Colunistas Fernando Cabral
16/12/2015 O Democrátivo Direito de Comer Bem

Há poucos anos em nosso glorioso Brasil, comer fora de casa era quase sempre um programa. Muitas vezes até uma extravagância. Coisa de finais de semana com a família, ou de negócios nos almoços executivos. Os restaurantes eram reservados para abonados, a classe média tinha pouco acesso e jantar em um bom restaurante era sinal de status.

Os tempos mudaram. E para bem melhor. Hoje, comer bem em casa é que é coisa de rico. Mãe ou esposa dona de casa, cozinheira, copeira (Lembram? Tinha isso – uma cozinheira e uma copeira em qualquer casa da classe média burguesa!), tempo para almoçar em casa todo dia... Coisas do passado. 

As mudanças culturais ocorreram no ritmo da evolução da sociedade e da tecnologia. O primeiro passo foi a simplificação do trabalho via comidas semiprontas. O diferencial estava no  micro-ondas, na máquina de lavar louças e outras novidades nas cozinhas domésticas que vieram para diminuir a dependência das empregadas domésticas e a comodidade das esposas “do lar”.

Mesmo com cozinhas superequipadas, enorme oferta de produtos semiprontos, diaristas contratadas via empresas especializadas e todas as facilidades da vida moderna, restam, em contraponto, as dificuldades da vida moderna: tempo, trânsito, estacionamento. Tudo empurra as pessoas para restaurantes. Que bom!

E os restaurantes? Evoluíram? Baratearam? Encareceram? Simplificaram? Complicaram? Sim para todas as perguntas. E a Gastronomia? Sofisticou? Ficou mais acessível? Barateou? Encareceu? Sim para todas. O negócio de bares e restaurantes evoluiu e diversificou com a sociedade e com a cultura do brasileiro. Aquilo que era coisa de botequeiro num extremo e de empetecados gourmets no outro, virou o setor de Alimentação Fora do Lar. Não é só alta gastronomia, não é coisa de cachaceiro, não é coisa de especialista. É alimentação. Simples assim. De tudo e para todos. Do baratinho ao caríssimo. Do multinacional pasteurizado ao internacional inacessível passando pelo “do sertão” e orgânico.

Um marco na democratização e “explosão” da Alimentação Fora do Lar foi a criação brasileira da refeição por quilo. Não se sabe bem onde nasceu, mas que deu certo deu. As opções são muitas em todas as grandes e médias cidades brasileiras. Os preços para todos os bolsos, mas o mais importante é o quão justo é o sistema: cada um paga exatamente o que coloca no prato. Se a comida é boa? Isso é assunto para os críticos de gastronomia.

Mas o quilo é só um dos sistemas. Tem os fast food das agitadas praças de alimentação com seus irritantes sinais sonoros. Tem os buffets mais sofisticados com preços fixos por pessoa. Os rodízios (que o Brasil exportou tão bem!), os tradicionais a la carte e os populares PFs. Até restaurante a la carte pré-pago já existe!  As quentinhas bem arrumadas e as perigosas - não fiscalizadas e vendidas nas ruas das cidades em condições totalmente inadequadas. E os Governos também entraram no setor vendendo refeições a um real em restaurantes populares. Tem também os restaurantes sofisticados, com seus chefes competentes e preços apimentados. Ou seja, tem de tudo. Dá pra todos.

Alimentar-se fora de casa não é mais problema nem luxo. É solução. Analise o cardápio disponível, escolha o que agrada mais, o que cabe no bolso, o que dá tempo e prepare-se: cada vez mais você vai comer na rua. Mas não deixe sua cozinha enferrujar, compre um bom vinho, uma cerveja diferenciada, convide os amigos e prepare o que você souber fazer, coloque uma boa pimenta e curta os amigos num dos melhores momentos da vida: em volta da boa mesa.

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COLUNISTA
Fernando Cabral
Desabafo de um Empresário - Formado em Publicidade e Propaganda, já trabalhou em rádio, Tv e jornal. Consultor de Marketing e professor de Comunicação.
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