Colunistas Fernando Cabral
16/12/2015 O Gigante Acordou. Tomara que com fome.

O objetivo do título não é caçoar do importante momento político e social. É o tema da hora. As mudanças que se apresentam não podem se restringir à política e aos políticos. As transformações não atingirão somente o Legislativo (que precisa ser balançado), o Executivo (tão preocupado com a manutenção do poder) ou o Judiciário (que já vem tentando colocar a cabeça de fora). Até os espaços mais democráticos da sociedade vão ter de se transformar e servir de palco para aprofundadas discussões.

Quais são esses “espaços mais democráticos da sociedade”? Os bares e restaurantes, onde mais se abre o verbo com liberdade. Onde se juntam amigas, amigos, inimigos e concorrentes para falar de temas relevantes para a sociedade? Onde mais são analisados ao mesmo tempo – e com profundidade – temas como religião, política e futebol? Onde você se depara com um “estranho” dando pitaco num papo para o qual não foi chamado? Esse “estranho” pode ser o garçom que está servindo. Ou até a figura da mesa ao lado, que não resistiu a colocar seu ponto de vista na conversa alheia. Onde você pode frequentar e exercer a democracia com tanta liberdade de mudar? Está caro, muda para um mais barato. A comida não satisfaz, muda de novo. Está muito chinfrim, muda pro mais sofisticado. Está afetado, muda para um “pé sujo”. Afinal, tem um bar ou restaurante para cada gosto, para cada bolso e em cada esquina (e que ninguém venha com aquela de que Brasília não tem esquinas, por favor).

E daí? E o momento político? E as transformações? Cadê o link? Não! Não é o spray de pimenta para temperar os pratos da gastronomia que protesta. O link é a esperança. De mudanças, transformações, desenvolvimento e liberdade. Essas mudanças precisam chegar para os bares e restaurantes para que os clientes possam continuar frequentando e as empresas crescendo, empregando, gerando riquezas, recolhendo impostos. Esperança do fim de projetos ou leis estapafúrdias como a dos 50% de desconto para quem fez redução de estômago, ou a que obrigaria o gelo servido nos bares em saquinhos com validade, a que prega “bandeira 2” para a gorjeta após às 22 horas, ou aquela na qual o empresário tem que pagar INSS maior para garçons se aposentarem mais cedo (se pendurando no Estado) por exercerem trabalho “exaustivo”. Tem a que proíbe bebidas em garrafas de vidro em bares e casas noturnas (deve ser para banir o vinho, a vodca, o uísque...). Tem as bem intencionadas, como a que obriga casas noturnas a dar água de graça para os clientes (bonito, mas a empresa está lá para vender bebidas, não para oferecê-las graciosamente aos clientes) e outras mais que não cabem neste artigo.

O caso é, portanto, aproveitar o desvio positivo de atenção: que os legisladores tenham muito trabalho fazendo as desejadas reformas política e tributária. Que mudem leis para diminuir a impunidade. Que façam a revolução na educação de que o Brasil carece. Que tenham muito trabalho para combater a corrupção e reformar a máquina do estado. Que incentivem o investimento produtivo, modernizem a famigerada e envelhecida CLT, mola enferrujada que atravanca o emprego. Ou seja, que os homens públicos se dediquem ao seu trabalho e deixem o empresário produzir, gerar riqueza e fazer o crescimento do país para que o desenvolvimento alcance a todos, indistintamente.

Enfim, que o gigante realmente acorde. E com muita fome. E sede. Para encher os restaurantes e bares com a alegria desse nosso povo que é belo, forte. Um colosso!

DEIXE UM COMENTÁRIO
COLUNISTA
Fernando Cabral
Desabafo de um Empresário - Formado em Publicidade e Propaganda, já trabalhou em rádio, Tv e jornal. Consultor de Marketing e professor de Comunicação.
ÚLTIMOS ARTIGOS