Colunistas Junior Ramalho
16/12/2015 Prêmio "Calunistas" - O Reconhecimento aos piores da propaganda candanga

Do final dos anos 80 até meados dos anos 90, um evento bastante concorrido agitava os finais de ano do mercado publicitário de Brasília. Era a versão “marginal” do tradicional Prêmio Colunistas, com o único e lúdico objetivo de sacanear, mesmo.

Não se sabe ao certo quem criou, mas os gestores, jurados e apoiadores, muitos deles continuam por aí, dirigindo agências, veículos de comunicação, ou seu próprio negócio... Alguns já se foram, mas quem viveu essa fase da nossa propaganda lembra bem. Um delicioso bom humor, que hoje quase não se vê mais.

A ideia era muito simples e a execução mais ainda: mantidos os devidos cuidados para não serem flagrados, os membros se reuniam em almoços no restaurante Panela de Barro, reduto de publicitários da época – há quem garanta que os melhores pratos vinham pela porta dos fundos, direto do self service da Nena –, ou nos “happy hours” do original e inigualável Bar do Piantella, com a proteção do Paulinho, é claro.

Munidos de cópias datilografadas com as categorias, cada jurado indicava os seus três preferidos piores do ano, tanto para as áreas técnicas, como comercial de TV; anúncio para mídia impressa; outdoor; campanha... como para os grandes prêmios de Agência; Publicitário(a); Contato de Veículo; Mídia; Anunciante, enfim, tudo como no prêmio original, à exceção de algumas categorias especiais, já que na época não havia punição para homofobia, que faziam muito sucesso: “mais gay”, “mais sapata”, “mais come-quieto” e “mais galinha” do ano.

Vale lembrar também, a título de justiça, que apenas uma categoria tinha o intuito de literalmente homenagear a vencedora, por ser estritamente feminina: “Melhor Bunda do Mercado”. Depois do terceiro título consecutivo, os jurados resolveram criar o título de “Hors Concours” e extinguir o prêmio, por pura falta de concorrência. Tiro certo, tendo em vista que, após décadas, a detentora, com nome de estrela,  ainda honra e faz jus, desfilando imponente o seu mérito pela cidade.

Após inúmeras ameaças de tentativa de provar, em vão, quem eram os autores do prêmio e ameaçá-los de processo por difamação, alguns dos laureados foram se conformando e até aceitando suas indicações, o que foi tirando o brilho e o objetivo do prêmio de causar cizânia, levando-o ao ostracismo e ao desinteresse. Tanto que, em uma das edições, por não ter sido escolhido como “mais gay do ano”, um famoso gerente de mídia de agência fez questão de bradar em evento público: “Isso é marmelada; nem morta que eu perco pra essa bicha enrustida que eles escolheram, só porque é cliente. Tem mutreta nesse júri...”

Como última tentativa de recuperar o sentido de “escrotidão” e  salvar aquela instituição, foi criada uma categoria, no mínimo, picante: “Mais Lalau do Ano”, ou seja, aquele(a)  que mais propina pediu e/ou levou no negócio da propaganda local. Pelo conjunto da obra, não foi difícil chegar ao vencedor - responsável por vultosa verba de governo –, mas o tiro saiu pela culatra. Assim que a notícia se espalhou, o ingrato vencedor mandou o claro recado para quem quer que fosse: “Vou descobrir quem inventou isso e dar um jeito de botar na rua, ou não libero mais nem um puto de verba pra agência, produtora ou veículo desses canalhas”. Foi a última edição do prêmio Calunistas.

Outro dia ouvi dizer que um novo grupo recriou o Calunistas e que, em breve, os vencedores serão divulgados, desta vez, através de página “fake” no Facebook.

Será?

 

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Junior Ramalho
Propaganda & Marketing - Sócio-Diretor da Pódio Propaganda e Marketing, responsável pelas áreas de Criação e Planejamento.
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