Colunistas Fernando Cabral
16/12/2015 Quanto vale e quanto custa esse prato

Ser empresário neste Brasil é... difícil! Ardido como pimenta nos próprios olhos. A começar pelo fato de existir gente que acha que obter lucro é absurdo. Há os que chegam a classificar de indecente. Depois, a carga tributária: das mais altas do mundo. No custo-benefício, provavelmente a mais alta. Agravante para alguns setores é a CLT e seus milhares de acórdãos, jurisprudências, doutrinas. Essa “moderna” lei trabalhista, uma das mais complexas e paternalistas do mundo, completou recentemente setenta anos inalterada em sua essência. E pior, é difícil aparecerem legisladores dispostos a colocar a mão nesse vespeiro.

Quando se paga por um produto ou serviço, há que se analisar se ele vale o preço. Se vale, pague por ele. Se não vale, não compre. Ou não compre mais. Ou não volte. Quando se trata de um produto com serviço agregado e valores intangíveis como satisfação, prazer, bem-estar, paladar, diversão ainda mais difícil e pessoal será analisar o quanto vale.

Recentemente (motivada por um site na internet que propõe boicotes a empresas) surgiu uma onda de “surpresas” em função de valores cobrados especialmente por bares, restaurantes, lanchonetes, etc. Caro/barato, bonito/feio, alto/baixo... tudo é relativo. Não dá para comparar alhos com bugalhos. O cardápio dos restaurantes geralmente está à disposição na entrada. Decida antes de entrar se o preço parece valer a pena. Se tiver vergonha de olhar o preço antes de entrar, não entre. Se achar que não valeu, não volte. Se valeu, curta. E volte. Se achar caro, procure outro, esse não vale a pena ou “não é para o seu bico”.

Exercite sua imaginação. Pense num prato especialíssimo, desenvolvido por um chef de alto nível. Ingredientes selecionados, aroma que desperta sensações, apresentação impecável, louça delicada, talheres de design. Ambiente requintado, climatizado, mesas espaçosas e espaçadas, garçons educados e elegantes. Música ambiente, toalha de linho, guardanapo bem branquinho. Aluguel padrão Brasília... Basta! Quanto custa esse prato? Quanto vale esse prato? Agora imagine o mesmo prato, mesmo chef, mesmos ingredientes, mesmo aroma, só que servido num prato qualquer, numa mesa mal arrumada, por um profissional despreparado. O ambiente é barulhento, quente, apertado. Mas é a mesma comida. Quanto custa esse prato? Quanto vale esse prato? Mais uma vez: mesmo prato, mesmo chef, mesmo tudo, só que agora ele é servido numa praia distante, linda, ambiente perfeito. Mas nesse terceiro restaurante o dono do lugar paradisíaco não paga o aluguel em dia, não registra os funcionários, não recolhe FGTS, não dá Nota Legal, não recebe cartão, não higieniza a cozinha. Mais uma vez: mesma comida, mesmo aroma... Quanto custa esse prato? Quanto vale esse prato?

Pela simulação acima certamente surgirão três custos diferentes. E os pratos, de mesmo sabor, mesmo isso, mesmo aquilo, seriam avaliados por clientes com valores distintos. Ou seja, sendo repetitivo, não dá para comparar o preço de alhos com o de bugalhos.

O bom de tudo isso é o fato de, apesar dos pesares, o Brasil ser um país livre, democrático e capitalista. O dinheiro é seu. Você suou para ganhá-lo (espero). Você decide quando, quanto, onde e como quer gastar. Tem bares e restaurantes de todos os preços, em todos os lugares, para todos os gostos. Escolha os seus. Frequente-os. Curta-os. Se você pode, mas não quer pagar mais por um ou outro diferencial, não é vergonha. Se isso satisfaz, ótimo. Se você se dá direito a pequenas indulgências e de vez em quanto faz uma extravagância aqui outra acolá, ótimo. O importante é que, para você, valha o quanto custe.

DEIXE UM COMENTÁRIO
COLUNISTA
Fernando Cabral
Desabafo de um Empresário - Formado em Publicidade e Propaganda, já trabalhou em rádio, Tv e jornal. Consultor de Marketing e professor de Comunicação.
ÚLTIMOS ARTIGOS