Colunistas Junior Ramalho
16/12/2015 Respeito é bom. E Brasília gosta!

Depois de mais de 36 anos vivenciando, na prática, o mercado publicitário de Brasília, atuando em agências, veículos e assessorias de comunicação; lecionando em quase todas as faculdades e prestando consultorias – públicas e privadas –, sinto-me em condições de arriscar uma análise pessoal sobre a importância do setor na história dos 53 anos da nossa cidade. Aliás, tenho a convicção de que uma só palavra pode sintetizar, hoje, a trajetória da profissão: autonomia.

Foi-se o tempo em que éramos vistos apenas como território sem lei, onde as contas do Governo Federal e até do GDF serviam como única motivação, quase sempre predatória, para as empresas chamadas “de fora” aqui se instalarem, com gestores e equipes importadas e sem qualquer feeling sobre o nosso mercado, em detrimento dos profissionais formados em Brasília, que, claramente, eram tratados como verdadeiros aborígenes.

Não se pode negar que alguns poucos forasteiros que por aqui passaram ajudaram muito na formação do mercado local, investindo em treinamentos e criando possibilidades de crescimento e oportunidades para os nossos profissionais. Mas, no geral, Brasília e seus nativos publicitários eram literalmente desdenhados, muitas vezes respaldados por alguns que se diziam representantes do mercado local, por meros interesses pessoais.

Mas como o momento é de festa, melhor deixar de lado as amarguras e prestar homenagens a quem realmente desbravou o nosso eldorado da propaganda brasileira, relembrando agências pioneiras, como Grupo Jovem, Mini Centro, Know-How, Oficina, APP, DQV, GBP, Atual, Ratto, entre outras, que foram as verdadeiras formadoras dos nossos profissionais, quase sempre oriundos do CEUBÃO e da UnB, ou forjados sem faculdade alguma.

Nem só de atentados ao erário e desqualificação do mercado viveram as empresas oriundas dos grandes centros e, por questão de justiça, cabe lembrar e agradecer a importante participação nesta nossa suada alforria, agências como a MPM, SGB, NORTON, Denison, Publicittá, PROPEG, ARTPLAN, Salles e outras poucas que não se limitaram a trazer para cá um diretor para atender no Piantella e que, muitas vezes, nos fazia deixar recados em secretárias eletrônicas. De dez anos para cá, temos a satisfação de abrigar as principais agências do País, mas já com o devido respeito aos nossos profissionais e ao mercado como um todo.

Apesar do tom ressentido e, aparentemente, vingativo por quem presenciou situações constrangedoras de falta de respeito na história da propaganda de Brasília – não por mim, pois sempre dei muita sorte –, faço questão também de homenagear aqueles que vieram para cá e fincaram raízes e hoje abrilhantam e defendem nosso mercado, tanto em agências, como em veículos, produtoras, gráficas e até nas assessorias de comunicação governamentais.

Ah, é claro que não podemos vibrar com a evolução e sedimentação do nosso mercado publicitário neste aniversário da cidade sem valorizar o nosso presente, agradecendo SETTE/GRAAL NOSSA AGÊNCIA, BEES, PLÁ, COMUNICATA, E-CO, FIELDS, FRISSON, G3, AV, GABINETE C, MÍDIA E DESIGN, 100%... Desculpem as que não foram citadas, por pura falta de lembrança, mas que merecem todas as homenagens, juntamente com todas as agências com matriz fora de Brasília, mas que se comportam de forma profissional e nos valorizam.

Para quem não sabe, já faz um bom tempo que Brasília exporta executivos para veículos e agências de todo o Brasil. Dá orgulho. Parabéns, Brasília. Parabéns, propaganda candanga.

Aos que estão chegando, boas-vindas, mas respeito, por favor!

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COLUNISTA
Junior Ramalho
Propaganda & Marketing - Sócio-Diretor da Pódio Propaganda e Marketing, responsável pelas áreas de Criação e Planejamento.
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