Colunistas Junior Ramalho
00/00/0000 “SIN PERDER LA TERNURA”

Onde foram parar as campanhas publicitárias que nos encantavam? E aqueles comerciais de TV que, em no máximo 60 segundos, contavam lindas ou bem humoradas histórias e marcaram épocas? O tema parece recorrente demais, contudo, mais do que um saudosismo, esta realidade é um indicativo de que o mundo da publicidade está passando por transformações radicais, tanto na forma como no conteúdo. É triste perceber que o Brasil, até bem pouco tempo, era tido como grande potência criativa e, ultimamente, não temos mais o prazer de ver nossas peças publicitárias “papando” a grande maioria dos Grands Prix nos festivais pelo mundo afora. É um aqui, outro ali... Mal comparando, é mais ou menos como a nossa seleção de futebol: já fomos imbatíveis, mas hoje tememos enfrentar até o Chile.

Pode até parecer rabugice da minha parte, mas vamos fazer um teste: pense rápido em 3 comerciais que tenham sido veiculados nos últimos seis meses e que você lembra por conta da qualidade e do impacto que causaram; de alguma história ou personagem que fizeram o produto ficar gravado na sua cabeça. Conseguiu lembrar? Pois é! Alguma coisa ou alguém está provocando esta crise de criatividade e, para quem sempre gostou de esperar os intervalos para curtir os filminhos, muitos deles até melhores do que o programa a que se assistia, vale a pena refletir e tentar buscar uma explicação. Será que a fonte secou e não temos mais os grandes criativos de outros tempos? Creio que não, já que todos os anos surgem bons nomes saídos das nossas faculdades. Mais uma vez vem o paralelo com o futebol: será que Neymar é tão pior do que o Romário? Falta de talento, então, não é...

Seriam os dirigentes, no caso, os donos das agências e diretores de criação os culpados? Pode ser, afinal, os tempos de vacas magras têm feito despencar os investimentos, afetando diretamente a “arte”, já que o que interessa é o resultado. Ganhou de 1 x 0, está ótimo. Claro que tanto no futebol, como na propaganda, o objetivo é colocar a bola no gol, e os prêmios devem ser apenas consequência das vitórias. Com isso todo mundo concorda: tem que vender o produto do cliente, em primeiro lugar. Mas então, como se explica que o Zico deixava quatro ou cinco sentados no chão, antes de entrar com bola e tudo? Por que não se consegue mais vender produto de limpeza como o “garoto da Bombril” fazia, alegrando nossas televisões?

Ah, sim... não podemos nos esquecer da crise econômica mundial e que afeta o Brasil como nunca antes na história deste país! Os clientes não aceitam mais orçamentos com grandes investimentos em produção e isso, fatalmente, interfere no resultado final da criação. Não creio! Tanto que os comerciais brasileiros sempre se destacavam pelas ideias e não pelos milhões e milhões em produção, como ocorre nos Estados Unidos e Inglaterra. Quer coisa mais genial e de produção simples do que o saudoso: “Não basta ser pai, tem que participar. Não basta ser remédio, tem que ser Gelol”? Ou as singelas produções para os impagáveis filmes da campanha “Não é uma Brastemp”.

Penso que está tudo muito pragmático, seco e sem tempero nas salas de criação. Falta de vontade e competência dos criativos, tenho convicção de que não se trata. Quem será o culpado pela mesmice a que temos assistido nos intervalos comerciais? Será que a política de resultados está inibindo nossa sensibilidade e acabando com nosso bom humor?

Lembrou aí de pelo menos 3 comerciais impactantes, nos últimos seis meses? Se alguém souber os motivos, ou tiver alguma pista sobre o que está levando a nossa propaganda a ficar tão sem graça, por favor, mande um email. Podemos fazer um fórum virtual e discutir aqui mesmo, neste espaço que existe mesmo é pra tacar pimenta. Ah, que saudade do “pipoca com guaraná”. Aposto que todo mundo lembra a marca...

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COLUNISTA
Junior Ramalho
Propaganda & Marketing - Sócio-Diretor da Pódio Propaganda e Marketing, responsável pelas áreas de Criação e Planejamento.
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