Colunistas Fernando Cabral
30/05/2016 Um bom Brasil para vocês

Nem sempre as pessoas se dão conta de o quanto “o ótimo é inimigo do bom”. O país passa por um momento (político, econômico e social) que está anos luz distante do ótimo. Mas pode estar se aproximando do bom. Melhor que o atual péssimo. O importante agora é que todos trabalhem com vistas a melhorar, mesmo que seja um pouco, mesmo que não se vá à busca do ótimo. Não existe milagre. Não existe “salvador da pátria”. E, na dúvida, não custa lembrar: não existe Papai Noel. Nem fada madrinha, nem bicho papão.

 

O Governo Federal e o Congresso Nacional estão parados há meses. Nada que seja pelo bem do Brasil acontece. O Senado vai ter de se dedicar fortemente ao processo de impedimento da presidente nos próximos meses. A Câmara dos Deputados está praticamente acéfala, o que não pode continuar por muito tempo. Há que se fazer logo alguma coisa para que ela volte a trabalhar – com legitimidade e credibilidade.

 

Tudo indica que o Poder Executivo, “sob nova direção”, agora vai ter que andar, inclusive na perspectiva de que tem apenas alguns meses de garantia de funcionamento nos termos atuais. Os sinais positivos na economia e no controle dos gastos públicos precisam ser sentidos imediatamente. As empresas que estavam em letargia ou andando de lado, precisam agir rápido também. Nem precisam esperar os efeitos das prováveis mudanças que estão por vir.

 

Agora vem a referência ao título: Um bom Brasil. É o que precisamos. Mas também temos que ter boas empresas. Tanto as gigantes, quanto as mínimas. Há que se ter a sociedade numa boa situação. Tanto os ricos, quanto os remediados e os pobres. Nos últimos tantos meses muitos pioraram de situação. As receitas caíram em empresas e a renda caiu nas famílias. Muitas empresas fecharam, muitos trabalhadores ficaram sem emprego. Se as ações do novo governo forem boas, a receita das empresas vai subir um pouco. Algumas que fecharam as portas poderão reabri-las. Alguns desempregados voltarão ao mercado de trabalho. A renda familiar pode subir um pouco. Tudo um pouco. Tudo devagar. Tudo pode ficar apenas bom.

 

Espera-se que os discursos sejam controlados ora em diante. Que os muito otimistas sejam contidos. Que os realistas sejam ouvidos. E que as mão sejam realmente colocadas à obra. E as mangas sejam arregaçadas.

 

Afora as imediatas o País exige ações de médio e longo prazo. Nestas sim, deve-se buscar o ótimo. Mesmo que se alcance apenas o “melhorzinho” num horizonte de tempo não muito longo. Na visão de empresários que querem melhorar o ambiente de negócios surge logo a necessidade de melhorar as relações de trabalho no Brasil. Não dá para atingirmos o ótimo ou  buscarmos o desenvolvimento efetivo do nosso país se não for feita uma revisão na CLT e alterações no Sistema Previdenciário.

 

Pronto! “Lá vem empresário querendo tirar direitos adquiridos dos trabalhadores para aumentar seus lucros estratosféricos à custa dos pobres empregados”. Não satisfeitos com isso, ainda querem “dificultar a aposentadoria daqueles que tem direito ao merecido descanso após anos e anos de trabalho”. Os que estavam no poder há poucos dias ou semanas – e que agora retornaram à oposição – já preveniram que os “capitalistas da direita retrógrada” que assumiram iriam tirar direitos dos cidadãos que apenas há poucos anos, no governo em ocaso, conseguiram ascender graças a eles.

 

 

Pois é. Se não for modernizada a CLT e “arrumada” a Previdência todos os esforços tenderão a ser em vão. E quem tem coragem de mexer nesses assuntos quase intocáveis? Como será que chegaremos ao Bom Brasil?

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COLUNISTA
Fernando Cabral
Desabafo de um Empresário - Formado em Publicidade e Propaganda, já trabalhou em rádio, Tv e jornal. Consultor de Marketing e professor de Comunicação.
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