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21/02/2017 Redação Aplicativo promete ser tão eficaz quanto um anticoncepcional comum
Redação

Quando as primeiras pílulas anticoncepcionais foram lançadas na década de 1960, sua chegada no mercado significou uma revolução nos hábitos sexuais – e foi um grande passo rumo à emancipação das mulheres no mundo ocidental.

Agora, quase 60 anos depois, surge o Natural Cycles, um método inovador como uma saída à contracepção hormonal instigando as mulheres a tomarem conhecimento sobre seus próprios corpos. Trata-se de um aplicativo que monitora com algoritmos a taxa de fertilidade feminina, sem intervenção de hormônios ou dispositivos no organismo.

Na prática, funciona quase como uma tabelinha 2.0: todos os dias a usuária mede sua temperatura com um termômetro basal colocado debaixo da língua e registra no app para que o algoritmo calcule seu ciclo menstrual e suas possíveis variações. A temperatura é crucial para visualizar em que fase do ciclo a mulher está. Por exemplo: depois da ovulação, o aumento dos níveis de progesterona faz com que o corpo da mulher fique 0.45ºC mais quente.

O calor também interfere na taxa de sobrevivência dos espermas, nas alterações no ciclo e, consequentemente, nos picos de fertilidade. É o resultado desse cálculo que determina como o aplicativo vai alertá-la: com um cartão vermelho sobre a necessidade de proteção nos dias em que ela estará mais fértil, ou verde quando não há risco de fecundação ao transar desprotegida (o sistema não protege contra DSTs).

Mas é justamente por lidar com informações tão precisas e pessoais que é bastante reducionista dizer que o Natural Cycles funcione como uma tabelinha. Ao contrário do método adotado pelas nossas bisavós, o app respeita o fato de que nem todas as mulheres têm ciclos regulares de 28 dias, e calcula os avisos partindo do princípio de que seja possível engravidar em apenas 6 dias por mês.

Essa adaptação ao calendário de cada mulher aumenta os acertos de quais dias a usuária corre o risco de ficar grávida ou não. Aliás, se usado corretamente, o Natural Cycles é um método mais seguro que a camisinha e com taxas de eficácia semelhantes à pílula – em testes realizados com mil mulheres, menos de cinco engravidaram após o sistema ter mostrado “cartões verdes” em dias férteis.

As taxas de eficácia do algoritmo desenvolvido pela física nuclear suíça Elina Berglund e seu marido Raoul Scherwizl chamaram a atenção dos órgãos de saúde.

A organização de inspeção e certificação alemã Tüv Süd testou clinicamente o Natural Cycles em dois estudos com mais de 4 mil mulheres – e acaba de classificá-lo como um método de contracepção confiável na categoria médica, podendo ser prescrito pelo National Health Service, do Reino Unido, assim como acontece com preservativos, implantes e pílulas. O aplicativo é o primeiro software do mundo a ser oficialmente certificado por autoridades de saúde.

“É muito empolgante que agora exista uma alternativa comprovada às formas convencionais de evitar a gravidez, e que seja possível substituir medicamentos por tecnologia”, afirmou a fundadora Elina Berglund, em entrevista ao site Business Insider.

À revista Wired, Berglund conta que desenvolveu o aplicativo porque queria que seu corpo ficasse um tempo sem pílula. “Mas eu não encontrava boas formas naturais de controle de natalidade, então desenvolvi um aplicativo para mim mesma.”

O Natural Cycles já tem 150 mil usuárias em 161 países. É possível testá-lo gratuitamente por um mês, e o pacote anual custa US$ 4,20 mensais com o termômetro basal incluso.

Vale lembrar que o aplicativo é totalmente voltado para controle de natalidade. Apenas o uso de preservativo feminino ou masculino previne a transmissão de doenças venéreas. Na dúvida, use camisinha.

 

Via: EXAME

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