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13/09/2016 Mirelle Bernardino Brasília, patrimônio cultural do rock Em pleno 2016, Brasília ainda se mostra localizadora de boas bandas de rock brasileiro, uma delas é a banda Scalene e a banda Trampa, oriundas da capital

De maneira didática no dicionário o “Rock and roll é o nome de um estilo musical que veio da expressão “rocking and rolling”, que quer dizer “balançar e rolar”“. Essa expressão podia significar "dançar" ou "fazer sexo". Nos anos 90 Brasília ficou conhecida por abrigar um número grande de bandas de rock, dentre elas nomes que se destacaram nacionalmente como, Legião Urbana, Raimundos, Capital Inicial que marcaram o cenário da capital. O rock em Brasília, se tornou patrimônio cultural do Distrito Federal no inicio do ano.

Neste eixo, muitas bandas honraram suas referências de Brasília! Uma que não poupa talento é a banda Scalene, que levam na bagagem mais de dois milhões de visualizações no Youtube com o clipe “Amanheceu”. Ficaram conhecidos nacionalmente após participar do programa. Hoje a banda tem sete anos de formação, com dois EP’s e dois álbuns lançados.

O quarteto Scalene, conta com Gustavo Bertoni (guitarra e vocal), Tomas Bertoni (guitarra), Lucas Furtado (baixo) e Philipe “Makako” (bateria e vocal). Os meninos já se apresentaram em grandes eventos nacionais como o Lollapalooza de 2015 e o South by Southwest (SXSW), em Austin, Texas, EUA.

Conversamos com o Gustavo Bertoni, vocalista e guitarrista do Scalene, e o André Noblat, vocalista da banda Trampa, sobre o rock em Brasília.

“É legal fazer parte da representação artística de uma cidade com a identidade ainda em desenvolvimento” Gustavo Bertoni, Scalene.

 

Revista Pepper: Qual é a sensação em ser uma banda brasiliense? Para a banda, quais são as vantagens de morar na capital?

Gustavo Bertoni (Scalene): Sempre encaramos isso com naturalidade. Amamos nossa cidade e temos orgulho de ser daqui, mas nunca nos colocamos numa posição diferente por ter surgido da cidade de algumas das grandes bandas dos anos 80. O fato de estar localizado no centro do país é bom por questões logísticas de deslocamento. Além disso, Brasília é uma cidade muito cosmopolita e diversa, temos a oportunidade de absorver um pouco de várias tribos e culturas. É legal fazer parte da representação artística de uma cidade com a identidade ainda em desenvolvimento.

André Noblat (Trampa): É uma parte muito importante nas nossas influências e na nossa formação musical. Por isso, a gente tem um orgulho muito grande de ter nascido em Brasília. Mas não existe uma vantagem em ter nascido aqui. Às vezes, exige um pouco mais de responsabilidade. A gente vê que em alguns lugares que chegamos, as pessoas têm uma expectativa maior em cima da banda por sermos de Brasília. É legal retribuir isso com bom show.

 

RP: Vocês ainda consideram Brasília a capital do rock?

AN: Eu acho que Brasília produz, sim, muitas bandas, até hoje, independentemente de elas estarem no mainstream ou não. Acho que a gente vive um momento de várias bandas da cidade com muita qualidade. Se não somos a capital, somos uma das cidades que mais tem qualidade em bandas – sem desmerecer as outras, obviamente. Nessa geração nova tem muita coisa legal.

 

RP: Quais são as maiores referencias brasilienses de vocês?

GB: Brasília é muito nova, grande parte das nossas referências vieram de fora. Elas acabam sendo nossos amigos, professores, técnicos... Mas quem mais vem em mente quando penso nisso é minha vó.  Ela foi pioneira e como enfermeira ajudou muita gente. Ela era uma mulher extremamente generosa e trabalhadora.

RP: Onde foi o primeiro show no DF?

GB: Lago Norte. Churrasco de uns amigos.

AN: Foi em 2006, na extinta casa de shows Gates. Abrimos o show de uma banda chamada Grunge o’ more, que fazia cover de sons de Seattle, do grunge Pearl Jam, Soundgarden. Era banda de um amigo meu e eles nos deram essa oportunidade

RP: Qual dos trabalhos de vocês mais lembra a capital federal?

GB: As músicas com teor político. Nós > Eles e Inércia.

AN: A gente fez um DVD e agora estamos gravando um vinil chamado Trampa Sinfônica. Esse trabalho foi feito com um ex-maestro da Orquestra do Teatro Nacional, Silvio Barbato. Então sempre foi um trabalho com muita referência na cidade, feito no Teatro Nacional, com um maestro daqui, com a orquestra daqui. E no nosso último trabalho, o Viva La Evolución!, tem uma música chamada “Cidade” que fala um pouco sobre as contradições de Brasília – que tem muitas coisas boas, mas também tem muita coisa ruim. Falamos da solidão, do poder, da política de forma escusa, das negociações. 

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