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18/02/2019 G1 Campanhas de carnaval pedem respeito às mulheres e às pessoas LGBTI na folia do DF Campanhas 'Não é Não' e 'Folia com Respeito' falam sobre a importância das liberdades individuais. Iniciativas pedem apoio financeiro dos foliões.
 

No carnaval, o que é considerado exagero durante o ano todo muda de perspectiva. Fantasia, maquiagem, glitter e energia na folia nunca são demais – o respeito também não. Seja homem ou mulher, lésbica, gay, bissexual, transexual ou travesti, a liberdade de ir e vir é um direito de todos.

Pensando nisso, uma campanha nacional organizada por mulheres estampa nos corpos desinibidos a máxima "não é não". Desde 2017, foram distribuídas 24 mil tatuagens temporárias no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife e Olinda.

Desta vez, somente na capital federal, a ideia é entregar pelo menos 1,5 mil tatuagens temporárias. Para isso, o grupo pede apoio dos próprios foliões para disseminar a mensagem.

Em uma vaquinha online, a campanha busca arrecadar R$ 4 mil para imprimir os desenhos e distribuir, gratuitamente, nos blocos de rua do DF e em Goiás.

 Campanha 'Não é Não' distribui tatuagens temporárias em, pelo menos, oito estados brasileiros no carnaval de 2019 â?? Foto: Não é Não/Divulgação
Campanha 'Não é Não' distribui tatuagens temporárias em, pelo menos, oito estados brasileiros no carnaval de 2019 — Foto: Não é Não/Divulgação

Quem contribuir com R$ 10 ou mais ganha uma recompensa – um e-book com dicas de combate ao assédio, calendário ilustrado, bottons, tattoos ou purpurina. Se a meta de arrecadação não for atingida até esta sexta (15), a campanha cessa e o dinheiro é devolvido.

Até a publicação desta reportagem, a campanha tinha alcançado R$ 2.965 em doações. Homens podem até ajudar financeiramente, segundo as organizadoras, mas não recebem as tatuagens – destinadas exclusivamente às mulheres.

"Seria muito ruim ver um homem com a tatuagem assediando mulheres", explicou a colaboradora Mariana Venturim, uma das representantes da iniciativa em Brasília. "Essa é uma campanha para fortalecer as mulheres nos espaços públicos."

 

"Quando vejo uma mulher com a tatuagem, sinto afinidade e segurança de poder contar com ela, caso me sinta em perigo ou sofra algum tipo de assédio."

 

 
Campanha 'Não é Não' distribui tatuagens temporárias em, pelo menos, oito estados brasileiros no carnaval de 2019 — Foto: Não é Não/Divulgação

Campanha 'Não é Não' distribui tatuagens temporárias em, pelo menos, oito estados brasileiros no carnaval de 2019 — Foto: Não é Não/Divulgação

Homens que contribuírem com R$ 70 (quatro fizeram a doação) ganham uma "vivência sobre masculinidade" com o psicólogo clínico e social Vinícius Dias. Também recebem um e-book com informações para "desconstruir o machismo" e combater o assédio.

 

"Nosso sonho é que a campanha, um dia, não seja mais necessária."

 

 

'As mina, as mana, as mona'

 

Outra campanha que prega o respeito à liberdade das mulheres e também à população LGBTI é a "Folia com Respeito", criada pelo Coletivo dos Blocos de Rua de Brasília no ano passado.

 
Campanha

Campanha "Folia com Respeito" promove mensagens de respeito às mulheres, às pessoas negras e à população LGBTI no carnaval de Brasília — Foto: Folia com Respeito/Reprodução.

A meta é arrecadar R$ 8 mil para a gravação de quatro novos filmes, peças gráficas, divulgação e impressão de material da campanha. Até a publicação desta reportagem, a "Folia com Respeito" contabilizava R$ 560 em doações.

 

Sem ajuda do governo ou de entidades privadas, a campanha manteve os vídeos e artes de divulgação de 2018. A mensagem, segundo a idealizadora Letícia Helena, continua valendo.

 

"É uma campanha de tolerância zero para empoderar as pessoas, mostrar que elas têm direito de reclamar e, até, de registrar na polícia."

 

 
Campanha 'Folia com respeito' do Coletivo dos Blocos de Rua de Brasília contra violência e preconceitos no carnaval — Foto: Folia Com Respeito/Divulgação

Campanha 'Folia com respeito' do Coletivo dos Blocos de Rua de Brasília contra violência e preconceitos no carnaval — Foto: Folia Com Respeito/Divulgação

 

  • Comunicação clara e transparente sobre não aceitar atos de violência física e verbal, qualquer tipo de assédio e racismo
  • Inclusão do selo da campanha no material de divulgação do evento
  • Os responsáveis pelo evento não podem responder judicialmente por crimes de racismo, violência contra a mulher ou estar envolvidos em casos de homofobia ou transfobia
  • Oferecer mecanismos de atendimento às vítimas de violência durante o evento
  • Incentivar o registro de boletim de ocorrência na Polícia Civil em casos de violência, racismo ou assédio
  • Os responsáveis pelo evento devem comunicar ao público a ocorrência de casos de violência e esclarecer as medidas tomadas

 

 
Campanha 'Folia com respeito' do Coletivo dos Blocos de Rua de Brasília contra violência e preconceitos no carnaval — Foto: Folia Com Respeito/Divulgação

Campanha 'Folia com respeito' do Coletivo dos Blocos de Rua de Brasília contra violência e preconceitos no carnaval — Foto: Folia Com Respeito/Divulgação

A carta recebeu 62 assinaturas de blocos de rua, produtores culturais, deputados distritais, grupos de pesquisa, empresas e instituições públicas e privadas, segundo Letícia Helena.

 

"Os blocos estão aderindo à campanha, porque perceberam que casos de violência desestimulam a ida de foliões aos eventos."

 

A ideia é que a campanha vá além do carnaval. "A gente queria fazer um 'Folia com Respeito' e depois um 'Respeito o Ano Todo', porque o que a gente presencia no carnaval é reflexo do que acontece o ano inteiro."

 

 

 
Campanha

Campanha "Bloco do Respeito" da Secretaria de Cultura do Distrito Federal para o carnaval de 2019 — Foto: Secult DF/Divulgação

A Secretaria de Cultura também aderiu ao movimento e lançou o "Bloco do Respeito" – às mulheres e à diversidade de gênero. A campanha se estende à limpeza e preservação dos espaços públicos, e ao respeito com a cidade.

Nas redes sociais, a pasta também divulga mensagens que são importantes o ano todo, mas ganham destaque durante a folia: uso de preservativos e combate à direção sob efeito de álcool.

No ano passado, a Secretaria de Segurança Pública também entrou na onda e fez a hashtag #CarnavalSemAssédio. Para 2019, uma nova campanha estava em elaboração até a publicação desta reportagem.

 

O que fazer em casos de violência?

 

Decrin
A Delegacia de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual (Decrin) atende casos de lgbtfobia, racismo, preconceito religioso e crimes contra idosos. O telefone direto é (61) 3207-4242.

 
Cartilha da Decrin do DF para orientar público LGBTI sobre denúncias durante carnaval de 2018 — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Cartilha da Decrin do DF para orientar público LGBTI sobre denúncias durante carnaval de 2018 — Foto: Polícia Civil/Divulgação

A Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) concentra casos de violência doméstica, agressão e assédio sexual. O telefone direto é (61) 3207-6172.

Para todos os tipos de violência, é possível:

 

  • Ligar no 197
  • Enviar as informações da ocorrência para 98626-1197 (WhatsApp)
  • Fazer a ocorrência pelo site da Polícia Civil
  • Enviar um e-mail para denuncia197@pcdf.df.gov.br
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