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09/09/2019 g1 Cervejaria de Brasília ganha 19 prêmios nacionais e internacionais com menos de 2 anos de marca Cruls obteve cinco medalhas recentes em um campeonato mundial e na Copa Cerveja Brasil, disputando com 65 cervejarias.
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Com menos de dois anos de existência, uma cervejaria artesanal de Brasília coleciona 19 prêmios em campeonatos nacionais e internacionais. Com este número, a Cruls – que carrega o nome da missão que mapeou o Distrito Federal – é a mais premiada da capital.

Embora seja uma das poucas com fábrica própria, em Santa Maria, a cervejaria engrossa a espuma das fermentadas brasilienses. Hoje, existem 30 cervejarias genuinamente brasilienses, segundo a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

Destas, apenas quatro têm equipamentos para produzir as próprias receitas dentro dos limites territoriais do DF. Outras duas – que estão fora do cálculo – têm fábrica no Entorno, em Goiás: a pioneira Stadt Bier, que fica em Luziânia, e a Valkyrja, na Cidade Ocidental.

 
 
Cervejaria Cruls, de Brasília, conquista 17 prêmios em menos de dois anos de existência

Cervejaria Cruls, de Brasília, conquista 17 prêmios em menos de dois anos de existência

"A cerveja local se destaca pelo frescor. O consumidor pode ir à fábrica e beber direto do tanque. Sabe que aquela cerveja está há pouco tempo na prateleira, não sofreu intempéries de temperatura e movimento nas rodoviais, por exemplo."

 

"A melhor cerveja, mesmo é a mais fresca."

 

 
Cerveja artesanal em festival no DF — Foto: TV Globo/Reprodução

Cerveja artesanal em festival no DF — Foto: TV Globo/Reprodução

 

Receitas à prova

 

Na corrida pela produção de cerveja artesanal de qualidade, a linha de chegada não é exatamente o prêmio em um torneio. Segundo Pedro Capozzi, submeter os rótulos à avaliação de bancas examinadoras traz mais que reconhecimento – pode ajudar a aprimorar receitas.

Atualmente, a Cruls conta com 13 cervejas diferentes – todas avaliadas em competições nacionais ou internacionais. "Não tem nenhuma cerveja nossa que não tenha sido inscrita em um concurso."

 
Fábrica da cervejaria artesanal brasiliense Cruls, que conquistou 17 prêmios nacionais e internacionais em menos de dois anos de existência — Foto: Cruls/Divulgação

Fábrica da cervejaria artesanal brasiliense Cruls, que conquistou 17 prêmios nacionais e internacionais em menos de dois anos de existência — Foto: Cruls/Divulgação

 

"A gente inscreve a cerveja muito menos pelo lado publicitário, mas por esse feedback."

 

 
Cerveja clara da Cruls, a cervejaria artesanal brasiliense que conquistou 17 prêmios nacionais e internacionais em menos de dois anos de existência — Foto: Cruls/Divulgação

Cerveja clara da Cruls, a cervejaria artesanal brasiliense que conquistou 17 prêmios nacionais e internacionais em menos de dois anos de existência — Foto: Cruls/Divulgação

Segundo Capozzi, as bancas examinadoras costumam avaliar aparência, aroma, sabor e o conjunto dos fatores. Os prêmios são distribuídos por estilo de cerveja ou por grupos deles. No mundo todo, estão classificados, pelo menos, 150 estilos, de acordo com Capozzi.

"É um excelente insumo para o nosso departamento de qualidade. Por isso, desde o princípio, alimentamos uma base de dados com todas as premiações e alterações lote a lote."

 

"Não se trata exatamente de ser a melhor cerveja, mas de buscar informações para aprimorar a receitas."

 

 
Fábrica da cervejaria artesanal brasiliense Cruls, que conquistou 17 prêmios nacionais e internacionais em menos de dois anos de existência — Foto: Cruls/Divulgação

Fábrica da cervejaria artesanal brasiliense Cruls, que conquistou 17 prêmios nacionais e internacionais em menos de dois anos de existência — Foto: Cruls/Divulgação

Na competição mundial, a cervejaria foi a única de Brasília a receber medalhas – todas as três amostras apresentadas pegaram "pódio". Já na disputa entre os hermanos, cinco rótulos foram inscritos e dois, premiados.

Na copa nacional, realizada pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), da qual Capozzi é presidente, outras duas cervejarias candangas foram reconhecidas. Para esta competição, a Cruls levou sete rótulos.

 

Veja as premiações da Cruls:

 

World Beer Awards

 

  • American Pale Ale (bronze)
  • Belgian Blonde Ale (bronze)
  • Weiss Bier (prata)

 

Copa Cerveja Brasil

 

  • Puro Malte (prata)
  • Gose (bronze)

 

Copa Cervezas de America

 

  • Puro Malte (bronze)
  • Hop Session (bronze)

 

Na Copa Cerveja Brasil, são aceitas somente cervejarias independentes – que não estejam associadas a grandes grupos empresariais – e a avaliação da banca de jurados é feita às escuras. Neste ano, 99 medalhas foram distribuídas em 70 estilos para 65 cervejarias de todo o país.

As duas cervejarias brasilienses que também conquistaram medalhas foram a Satori – que levou a prata pela Dry Stout (na categoria Classic Irish-Style Dry Stout) – e a Hop Capital Beer, que ganhou a prata pela Coronado (categoria Export-Style Stout) e o bronze pela Trigo do Cerrado (categoria South German-Style Kristal Weizen).

 

Cervejarias, ciganos e paneleiros

 

 
Torneiras de cerveja do galpão da Cervejaria Criolina, em Brasília — Foto: Cervejaria Criolina/Divulgação

Torneiras de cerveja do galpão da Cervejaria Criolina, em Brasília — Foto: Cervejaria Criolina/Divulgação

 

  • Cervejarias: empresas registradas que produzem receitas próprias, com estrutura e equipamento;
  • Ciganos: empresários que criam uma marca e compram a capacidade ociosa da fábrica de uma cervejaria;
  • Paneleiros: cervejeiros que produzem a bebida na informalidade, sem registro e sem estrutura.

 

O presidente da Abracerva explica que, geralmente, os ciganos correspondem à maior parcela da produção de cerveja artesanal – especialmente onde o mercado é novo e as marcas tentam se consolidar.

"Boa parte das cervejarias nacionais começam como ciganas. É uma excelente porta de entrada, que faz a ponta da venda e o gerenciamento da marca", afirma Capozzi.

Já para as que estão na ilegalidade – as paneleiras –, existe a Associação dos Cervejeiros Caseiros (Acerva Candanga), que tenta orientá-las sobre processos regularização.

 
Cerveja — Foto: Divulgação

Cerveja — Foto: Divulgação

A maior dificuldade do mercado, segundo Capozzi, é a alta carga tributária que incide sobre as cervejas artesanais. "Na média, pelo menos 42% das cervejas é imposto."

"O Estado trata a microcervejaria como se fosse de grande porte. Não existe qualquer isenção fiscal. Enquanto isso, as grandes empresas, que têm o mesmo cálculo de imposto, usufruem dessa isenção."

"A estratégia é aumentar a fatia do mercado, porque, quanto mais pessoas estiverem consumindo, mais cerveja será produzida e mais barata ela vai ficar."
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