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30/11/2017 Redação Cine Cleo debate envelhecimento Cineclube realizado por mulheres chega à sua terceira edição para debater a temática Velhice e Seus Afetos

Uma equipe de 10 brasilienses tem ganhado espaço na capital federal. Desde outubro, produtoras, cineastas e realizadoras ocupam a Sala Conchita de Moraes – (Conic - Setor de Diversões Sul) com a exibição de curtas e longas-metragens que dão voz para às mulheres do mercado cinematográfico brasileiro.  Afinal, todos os filmes selecionados contam com a direção delas. Filmes, estes, escolhidos a crivo, já que a ideia é debater questões sociais e de gênero.

Após estrearem com as temáticas Tradições e Rupturas Espelhamento, o assunto em pauta girará, agora, em torno da terceira idade. O cineclube Cine Cleo chega à sua terceira edição com um debate sobre o envelhecimento proporcionado por lentes sensíveis, que veem além. O projeto retorna em cartaz nesta quinta-feira (30 de novembro), a partir das 19h, com a exibição das produções Olhos de Ressaca, de Petra Costa (RJ); Sesmaria, de Gabriela Richter Lamas (RS); e Girimunho, de Clarissa Campolina e Helvécio Martins (MG). A sessão contará ainda com debate mediado por Nayara Güércio, mestranda do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade de Brasília (UNB).

O Cine Cleo homenageia Cleo de Verberena (1909- 1972), a primeira mulher brasileira a dirigir um longa-metragem no país, O Mistério do Dominó Preto, em 1930.  O projeto é uma realização da Secretaria de Cultura do Distrito Federal com o patrocínio do FAC – Fundo de Apoio à Cultura. O cineclube faz ainda parceria com o projeto Verberenas, site colaborativo de críticas de cinema escritas por mulheres realizadoras audiovisuais. O projeto nasceu em 2015, dentro da Universidade de Brasília.

 Os afetos da terceira idade –

Perdas, ganhos, lembranças, o aprender a lidar com o envelhecer. O olhar maduro e contemplativo. As alegrias resgatadas pela memória e as alegrias obtidas com o presente. Falar da terceira idade pressupõe uma série de temas, de saudosismos e de novos questionamentos sobre a vida e o viver. Este turbilhão de assuntos compõe a próxima sessão do Cine Cleo.   

Para abrir, o curta-metragem Olhos de Ressaca (20’) tem em foco um casal com mais de 60 anos de estrada.  Vera e Gabriel rememoram, juntos, momentos importantes de suas histórias por meio de imagens de arquivos. A exemplo, o nascimento dos filhos, o primeiro flerte e a vida tal como ela é nos dias de hoje, após o envelhecer.  A produção marcou a estreia da carioca Petra Costa no cinema.

Já se passaram 50 anos, mas os fumicultores em Sesmaria, Wilhelm e Hilda não deixaram de colher nenhuma safra. A história revira no momento em que Wilhelm resolve não plantar. O que mais, além da vida, leva-se com a morte? Este questionamento dá vida ao curta-metragem (19’52’’) Sesmaria, de Gabriela Richter Lamas, que dará continuidade ao debate sobre a terceira idade.

Para encerrar, o longa Girimunho (1h30) adentra nos sertões mineiros, cenário ideal para mostrar como o tempo parece andar ao ritmo de um rio.  É neste sertão que duas senhoras acompanham o girar do redemoinho e são obrigadas a lidar com perdas de entes queridos. A direção é de Clarissa Campolina e Helvécio Martins (MG).

Confira a programação e sinopse:

? "Olhos de ressaca" Petra Costa (RJ) curta-metragem - 20'

Sinopse: Vera e Gabriel estão casados há sessenta anos. Em 'Olhos de Ressaca eles divagam acerca da própria história: os primeiros flertes, o nascimento dos filhos, a vida e o envelhecer. Neste rememorar, imagens de arquivo familiar se confundem com imagens do presente, tecendo um universo afetivo e onírico. Por meio de impressões e relatos, o filme sugere um diário pessoal e existencial acerca do amor e da morte.

Petra Costa estreou no cinema produzindo e dirigindo o curta-metragem Olhos de Ressaca (2009). O primeiro longa, Elena (2012), foi exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, na Semana dos Realizadores (Rio de Janeiro), no Festival Internacional de Documentários de Amsterdã (IDFA) e no Festival de Brasília do Cinema Nacional. Seu último filme lançado, o "Olmo e a Gaivota", dirigido com Lea Glob, recebeu o prêmio de melhor documentário longa-metragem no Festival do Rio de 2015.

? "Sesmaria" Gabriela Richter Lamas (RS) - curta-metragem - 19’52" 

Sinopse: Durante 50 anos como fumicultores em Sesmaria, Wilhelm e Hilda não deixaram de colher nenhuma safra. Neste ano, Wilhelm não plantará. O que mais, além da vida, se leva com a morte? 

Gabriela Richter Lamas é nascida em São Lourenço do Sul e graduada em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal de Pelotas. Trabalha com direção de arte para cinema, tendo assinado a direção de arte de filmes como “Nua Por Dentro do Couro” (Lucas Sá, 2014), e “Canibal Tropical” (Guilherme Zanella, 2014). Como diretora, Gabriela estreou com o curta metragem “Sesmaria”, tendo recebido diversos prêmios em festivais no Brasil e no exterior, entre eles o Prêmio Revelação do 27º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo. Em 2017 dirigiu seu segundo curta metragem, "Demônios de Virgínia".

? "Girimunho" Clarissa Campolina e Helvécio Martins (MG) - longa-metragem 1h30'

Sinopse: No sertão mineiro, onde o tempo parece andar ao ritmo do rio, duas senhoras acompanham o girar do redemoinho. Bastú acaba de perder o marido Feliciano e é na liberdade dos sonhos e nas novidades trazidas pelos netos que ela faz sua própria transformação. Maria carrega em seu tambor a alegria e força de seu povo. Seu batuque ecoa os sons de outros lugares. Neste universo onde a tradição é surpreendida pela novidade e a realidade pela invenção, pequenos movimentos podem fantasiar o correr da vida.

Clarissa Campolina - Clarissa Campolina vive e trabalha em Belo Horizonte, Brasil. Sócia da produtora Anavilhana desde 2005, foi membro da Teia de 2002 a 2014, onde realizou filmes e instalações. Girimunho, seu longa de estreia, teve sua estreia internacional no Festival de Cinema de Veneza em 2011. Comercialmente o filme foi visto nos cinemas do Brasil, Espanha, França e Argentina.

Helvécio Martins - Diretor e produtor, nascido em Belo Horizonte, Minhas Gerais, em 1973. Um dos fundadores do grupo Teia, ficou conhecido por seus curtas-metragens Nascente (2005) e Trecho (2006). Estreou em longas com Girimunho (2011), codirigido com Clarissa Campolina e selecionado para a mostra Horizonte do Festival de Veneza.

Debate mediado por Nayara Güércio. Mestranda do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade de Brasília - Linha de pesquisa "Imagem, Som e Escrita". Graduada em Comunicação Social, com habilitação em Audiovisual pela Universidade de Brasília. Pesquisa desde a graduação o cruzamento teórico-metodológico entre cinema, análise fílmica, envelhecimento, gênero e imaginário, com ênfase nos estudos de espaços, temporalidades e memórias do corpo velho. Atualmente, atua como pesquisadora e professora.

Ficha técnica:

Curadoria: Amanda Devulsky, Erika Bauer, Glênis Cardoso, Isabelle Araújo

Produção executiva e direção de produção: Natália Pires

Produção técnica: Mariana Miranda

Design e assessoria de comunicação: Flora Egécia (Estúdio Cajuína) Bianca  

Novais (Estúdio Cajuína)

Assessoria de imprensa: Baú Comunicação Integrada

Social media: Tainá Seixas

Serviço:

Cine Cleo (Cineclube das mulheres)

Dia 30 de novembro, às 19h.

Em cartaz até agosto de 2018, quinzenalmente, sempre às quintas-feiras, às 19h.

Local: Sala Conchita da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes – Conic (SDS)

Entrada franca

Informações: www.facebook.com/cinecleo/

Não recomendado para menores de 16 anos

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