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21/01/2019 correio Braziliense Conheça a Escola da Árvore, um projeto de educação diferente do tradicional Projeto sem fins lucrativos, a Escola da Árvore conta com uma metodologia ativa, sem salas de aula tradicionais, mas com muita colaboração e solidariedade
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" 70 Número de alunos na escola “Não adianta a gente fazer uma escola linda, no Lago Norte, mas só para uma elite branca de Brasília. A gente quer pluralidade da forma mais ampla possível, então oferecemos bolsas para crianças de diferentes classes sociais, etnias...” Letícia Araújo, diretora, pedagoga formada na UERJ e mestre em Educação pela UnB"

Muitas árvores, hortas, uma casinha de pau a pique, brinquedos sustentáveis, parede de escalada e até galinheiro. Na hora de ir embora, as crianças choram para ficar. O que parece um cenário de colônia de férias, na verdade, é uma escola. E para receber os alunos no primeiro dia de aula deste ano, a direção pensou em instalar ainda um borboletário, mas os pequenos negaram. O motivo? “Isso é uma prisão de borboletas”, concluíram as crianças de 7 anos, em média.

A Escola da Árvore, sem fins lucrativos, surgiu em 2015, a partir da necessidade de Letícia Araújo, 43, e Davi Contente, 33, de matricular o filho em uma instituição que tivesse um bom ensino acadêmico, mas sem deixar de lado tudo o que é “importante para a vida”. O casal tem conhecimento em pedagogia: ela é mestre em educação pela Universidade de Brasília (UnB) e ele, pesquisador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Então, tudo o que eles viam nas escolas não dialogava com o que sonhavam. A solução, assim, foi criar a própria instituição.

 
“Queríamos buscar um espaço de educação em que a gente acreditasse que fosse significativo e tivesse algum impacto positivo na vida do nosso filho, que estava com 3 anos na época. Na hora de colocá-lo no ensino escolar, ficamos assustados vendo lugares que eram enfadonhos, de uma educação que não fazia sentido. Então, criamos a Escola da Árvore, no Lago Norte, com muita coragem, porque nós acreditamos na escola como instituição, mas ela precisa ser repensada”, explica Letícia.
 

Planejamento

A pedagoga, e hoje diretora do projeto, conta que as aulas fogem totalmente do modelo tradicional. Em vez das mesas alinhadas de forma geométrica, com uma criança atrás da outra, e um professor na frente repassando o conteúdo no quadro, o dia começa com uma roda em que o tutor explica todo o planejamento do dia e as crianças sugerem seus interesses. Para facilitar o aprendizado, o conteúdo obrigatório — que se baseia no Currículo em Movimento da Secretaria de Educação do Distrito Federal — encontra formas de conversar com aquilo que os menores gostam.

“Se um aluno chega aqui encantado porque viu um filme sobre espaço, por exemplo, a gente usa isso para trabalhar diversas matérias com eles. Ano passado, isso aconteceu e eles montaram uma maquete do sistema solar, com cada planeta com tamanhos diferentes, para trabalhar as proporções matemáticas. Mas, ao mesmo tempo, fizemos um exercício de criatividade e linguística, pedindo para que eles escrevessem uma história fictícia de algum ser do espaço”, lembra Ernesto Nunes, 40, professor do projeto.
 
 
Alunos do projeto trabalham em conjunto: quem tem mais facilidade com um conteúdo ajuda quem tem dificuldade (foto: Divulgação/Escola da Árvore)

Economia solidária

Para fazer a proposta fluir, a direção trabalha em conjunto com professores, pais, alunos e colaboradores. Todos se unem em prol dos três pilares do projeto, movimento, diversidade e natureza. E quando a diretora diz que todos trabalham juntos, não é só uma metáfora. Apesar de a escola cobrar mensalidade de pais que podem pagar, para reverter o valor em melhorias, algumas famílias trocam o dinheiro que não podem oferecer por uma prestação de serviços. É o caso de Edinei Pereira, de 39 anos. Pai de dois alunos, de 10 e 2 anos, ele faz trabalhos na horta da instituição e, de quebra, fica perto dos filhos durante o expediente.

“Vejo o quanto aqui é importante para o desenvolvimento das crianças, porque o conceito de ensino é excelente. Tem muita coisa boa aqui, além do conteúdo. Por exemplo, as refeições. Os meus meninos comentam em casa”, diz. Edinei aguarda agora o terceiro filho, que nascerá este ano, e uma coisa é certa: “Vai ser o terceiro aluno que coloco aqui”.
 
Outra mãe que se envolve de corpo e alma é a bióloga Betúlia de Morais, de 35 anos. Ela colocou a filha Isis na escola quando ela fez 3 anos e logo viu uma oportunidade de colaborar com o desenvolvimento das crianças. “Ano passado, eu comecei a dar aulas de ioga aqui. Fiz uma formação na área e comecei a trabalhar meditação e postura, por exemplo, de uma forma lúdica com as crianças. Foi o maior sucesso, elas adoraram!”
 
 
 
 

Serviço

Escola da Árvore
Endereço: Setor de Mansões do Lago Norte. Núcleo Rural Jerivá, Entrada A
Telefone: (61) 98178-8804 ou (61) 99338-8858 
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