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21/03/2017 Redação Dia Internacional da Síndrome de Down

O Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre a importância da luta pelos direitos igualitários, bem-estar e a inclusão dos portadores de Down na sociedade. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, a cada 600 a 800 bebês nascidos vivos, um tem síndrome de Down, que ocorre na hora da concepção de uma criança e é determinada pela presença de 47 cromossomos em suas células em vez de 46, como a maior parte da população.

Pessoas com essa síndrome têm características típicas como olhos oblíquos, rosto arredondado, mãos menores com dedos mais curtos, prega palmar única e orelhas pequenas. Em geral, estão mais propensas a uma maior incidência de doenças, como a diminuição do tônus muscular responsável pela língua protusa, dificuldades motoras, atraso na articulação da fala, maior incidência de hipotireoidismo, disfunção mitocondrial, estresse oxidativo aumentado e envelhecimento precoce e, em 50% dos casos, cardiopatias e problemas de vista.

Visão

De acordo com Guia Oftalmológico de Síndrome de Down, divulgado pelo Centro Médico Down da Fundação Catalana Síndrome de Down, dos transtornos de motilidade ocular, quase metade das crianças nessas condições apresenta algum tipo de estrabismo. Observa-se que até 50% das crianças demonstram dificuldade para ver de longe, outras 20% para ver de perto, algumas têm os canais lacrimais obstruídos, outras desenvolvem inflamações das margens das pálpebras (blefarite) e também apresentam nistagmo, que são oscilações repetidas e involuntárias rítmicas de um ou ambos os olhos. “Aproximadamente 80% dos casos de torcicolo na Síndrome de Down se devem a uma causa oftálmica identificável, como o nistagma e estrabismo, por exemplo. Se tratados podem solucionar ou ao menos melhorar o quadro”, afirma a oftalmologista Regina Hitomi Sakamoto, médica Referência de Oftalmopediatria, do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB).

Outras doenças bastante comuns nos portadores da Síndrome Down são o ceratocone - que se manifesta por um astigmatismo elevado ou por uma diminuição da acuidade visual – e a catarata. “Quando detectada no recém-nascido, a chamada catarata congênita, em geral compromete seriamente a visão e requer tratamento cirúrgico, em curto prazo. Cerca de 3% dos bebês com Down apresentam esse problema. Por isso, indicamos que a primeira consulta oftalmológica deve se realizar durante os três primeiros meses de vida e as avaliações de acuidade visual devem se repetir aos 6 e 12 meses e, depois, anualmente”, acrescenta a especialista.

Nutrição e suplementação

Uma estratégia importante para o melhor desenvolvimento e a prevenção de doenças é a nutrição. A alimentação balanceada e a suplementação personalizada atuam de forma eficiente na evolução dessas crianças. Por exemplo, o bruxismo pode ser amenizado com uma dieta a base de vegetais verde-escuros e sementes, que são ótimas fontes de cálcio e magnésio, além de abacate, salmão, frango e gema de ovos, que contém ácido pantêico. “O hábito involuntário de ranger os dentes acaba provocando um desgaste anômalo de tecidos duros, sendo que a ansiedade e a carência de cálcio, ácido pantotênico (vitamina B5) e magnésio podem piorar os episódios. Então, quem que não se alimenta bem precisa receber suplementação destes nutrientes”, explica a nutricionista dra Andreia Torres - PhD, especialista em nutrição clínica e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura com estágio doutoral na Faculdade de Saúde Pública de Harvard.

Foi com o intuito de ajudar os pais que a doutora Andreia se uniu à Leandra Sá de Lima, consultora farmacêutica da Farmacotécnica, para escrever o livro on-line Alimentação e Suplementação na Síndrome de Down e Autismo. A publicação, disponibilizada gratuitamente no site da Farmacotécnica (www.farmacotecnica.com.br), compartilha as principais pesquisas beneficiadas pelo avanço da genômica nutricional e sugestões de suplementação.“Suplementação de zinco, por exemplo, pode melhorar a atividade de células do sistema imune (linfócitos, neutrófilos) e reduzir quadros infecciosos. Ficar atento à necessidade desse nutriente, além de melhorar o desenvolvimento, contribui para elevar a qualidade de vida”, ressalta Leandra. “Nosso foco é a alimentação e suplementação. Contudo, sabemos que as intervenções são múltiplas e envolvem uma equipe multidisciplinar, que além das correções em carências nutricionais, trabalharão aspectos diferentes para o melhor desenvolvimento da criança”, conclui a farmacêutica.

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