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00/00/0000 Ela é a nossa Ellen Oléria
Fotos Lorena Lopes
Fotos Lorena Lopes

Ela diz viver uma temporada de êxtase. Com aquele vozeirão, presença de palco e trajes coloridos com que vimos ela se apresentar no programa The Voice, da Rede Globo, ou pelas festas black de Brasília, no mínimo, espera-se deparar com alguém muito extrovertido. Mas, ao contrário, ao bater um papo com Ellen Oléria você pode se surpreender com sua discrição. Talvez seja a cautela com a imprensa de uma iniciante no showbizz, mas no teti-a-teti ela é uma pessoa super tranquila, reservada e que transmite serenidade.

Ellen Oléria concedeu uma entrevista à Revista Pepper na primeira sexta-feira do ano, em uma sorveteria da Asa Norte. Vestida de bata branca, calça colorida e nos pés chinelo de couro branco, Ellen iniciou a conversa dizendo que continua a mesma pessoa, mesmo após vencer o programa The Voice, da Rede Globo, no dia 16 de dezembro, e ganhar projeção nacional. A pessoa pode continuar a mesma, mas as oportunidades não. “O programa foi como um portal mágico por onde passei e encontrei várias portas abertas”, descreve.

Por mais que ela diga que permanece a mesma pessoa, é inegável que sua vida mudou. Com status de celebridade conquistado da noite para o dia. Ou melhor, da tarde daquele domingo 16 de dezembro em diante, ela diz ser legal receber o carinho dos fãs quando lhe pedem para tirar fotos e dar autógrafos. Situação corriqueira agora em sua vida, e verificada durante a própria entrevista. Mesmo na deserta Brasília do início de ano, duas crianças pedem seu autógrafo. E emocionadas com a receptividade da mais nova famosa do Brasil, se despedem às lágrimas.

Mas muita coisa já mudou depois da recente vitória no programa. Sempre reservada, Ellen Oléria esboça um sorriso contido quando questionada sobre a sensação de, no réveillon, participar de dois mega-shows tendo como ponte um jatinho particular. “Como artista já havia vislumbrado isso, a gente sonha com o sucesso”, fala sem surpresa.
 
Cantar para 2,3 milhões de pessoas espremidas nas areias de Copacabana, para ela, foi um privilégio sem tamanho. E descreve essa experiência como aquela sensação de encostar em uma pessoa e sentir um choque. “E mais do que isso. É estar diante de um mar de pessoas mentalizando coisas boas para o ano que está chegando e todas embaladas pelo meu som”, diz.
 
Agora, provocada se teve que poupar a voz no primeiro show da noite na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para dar o máximo de si no Rio de Janeiro, a expressão facial é outra. “Não existe esse negócio de poupar a voz, pelo menos não para mim”, fala resoluta. E conta que, para surpresa dela própria, uma vez já chegou a cantar seis horas seguidas. Então, deve ter sido moleza para ela cantar 40 minutos em Brasília e outros 40 no Rio.
 
Mas antes de pegar esse jatinho e cantar para duas multidões diferentes na virada do ano, houve outra apresentação significativa da cantora. Foi aqui mesmo em Brasília. Ela cantou para retribuir o carinho do seu público, que espontaneamente se mobilizou pelas redes sociais para sua vitória no programa de TV.

Essa apresentação foi no dia do então fim do mundo, 21 de dezembro. Ellen Oléria cantou em uma das festas em que é habitué, a Funfarra. “Rostinhos conhecidos. Fiquei maravilhada em ver uma galera que me acompanha”, diz ela, agora mais à vontade e serelepe, lembrando do show que teve direito até a pirotecnia.
 
Sobre o apoio recebido pelas redes sociais e que, com certeza, teve importância no dia de sua vitória no The Voice, sua explicação soa de maneira transcendental. “A música é algo maior que o talento do artista, acho que é uma força que atrai pertencimentos e identidades. Música que me atravessa fala com as pessoas. Não é simpatia, a música é um poderoso veículo aglutinador”.
 
UM POUCO MAIS DE ELLEN
Nascida no Lago Sul, foi criada em Taguatinga Norte, perto de Ceilândia, onde cursou o ensino fundamental. Conviveu certas vezes com a violência, só que nunca se sentiu atraída pela mesma. Sua maior inspiração e norte foi e é sua mãe, Dona Eva, pessoa de expressão na comunidade. Vinda de uma família musical – o pai é sanfoneiro –, Ellen é autodidata na música. Toca de ouvido e não sabe ler partitura. Diz se sentir confortável apenas com o violão e o pandeiro, mas promete que vai se aprofundar no estudo da música.

Ellen Gomes de Oléria, 30 anos, ingressou no The Voice Brasil por orientação de sua produtora. Como se fosse uma retribuição por seu trabalho, ela venceu o programa da Rede Globo com 39% dos 10 milhões de votos computados. Foram aproximadamente 3,9 milhões de pessoas apontando para ela. Além de um carro, levou meio milhão de reais e um contrato com a gravadora Universal.

O QUE VEM POR AÍ

Este ano a cantora grava um disco com a Universal. Ela diz que seu empenho será para por sua banda Pre.utu no disco. E resumiu que o público irá ouvir uma versão mais atualizada dela mesma. Não soube dizer nem se haverá participações especiais. “Ainda não tenho um cronograma de como será essa gravação, mas espero que o pessoal da Universal tenha um coração bem aberto para me produzir”.

Questionada sobre qual será a destinação do meio milhão de reais ganhos no programa, ela simplesmente responde que irá gastar com sabedoria. “Meu desejo é ver as pessoas felizes”, fala com o coração.

A DONA DA VOZ
Por sua voz, a cantora Ellen Oléria se define como uma soprano dramática: “eu faço agudos e graves também, mas as pessoas pensam que sou contralto pelo meu timbre escuro e pela região que canto no grave. E quando nas regiões mais agudas saem uns agudos de sopranos”.

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