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00/00/0000 Entrevista com o Governador do DF, Agnelo Queiroz

Baiano de Itapetinga e brasiliense de coração, o governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz, de 54 anos, chegou à cidade no final da década de 1980 para cursar residência médica. Época a qual iniciou sua carreira política quando foi eleito presidente da Associação Nacional dos Médicos Residentes.

Diante de sua formação  acadêmica e militância política, a principal bandeira de sua campanha ao Buriti foi cuidar da saúde pública do Distrito Federal. Político e gestor público experiente, Agnelo já ocupou cadeira na Câmara Legislativa do DF por três vezes e foi ministro do Esporte durante o governo Lula.

O chefe do executivo local faz um balanço de seus dois anos de governo para a Revista Pepper e adianta o que ainda será feito até o fim do seu mandato. 

Com metade do tempo do seu mandato completado, qual o balanço que o senhor faz sobre o seu governo? E quais as prioridades para os próximos dois anos?

Faço um balanço muito positivo de tudo o que realizamos, mas consciente de que ainda há muito a ser feito. Avançamos significativamente em áreas como Saúde, Transporte Público e Segurança, em ações estruturantes que poderão ser sentidas por muitos e muitos anos no DF. Na Saúde, o nosso foco foi investir na Saúde Básica, com a inauguração das Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), reformas em praticamente todos os hospitais e contratação de mais de 7 mil novos servidores de diferentes especialidades. Na área de Transporte e Mobilidade Urbana, fizemos uma das maiores licitações do país, contrariando os interesses dos grupos que há anos controlavam o setor. Teremos, com isso, renovação de 100% da frota de ônibus na cidade. De imediato, já implantamos inúmeras melhorias, com campanhas preventivas, instalação do corredor exclusivo para ônibus, entrega de obras, novo calçamento das pistas e sinalização. Na área de Segurança Pública, criamos o programa Ação pela Vida, que dividiu a cidade em regiões, permitindo uma ação integrada das polícias e combatendo a criminalidade de forma mais inteligente. Alcançamos índices históricos de apreensão de drogas e estamos atuando em parceria com o governo federal no combate ao crack. Estamos, ainda, investindo em ações estratégicas para o planejamento da cidade para os próximos 50 anos. Garantimos a marca de uma gestão com transparência, tendo sido referência na área, com adoção de medidas pioneiras que são exemplo para todo o Brasil. Também adotamos uma política habitacional clara e transparente, que oferece moradia digna e de qualidade para a população, com toda a infraestrutura necessária: água encanada, energia elétrica e rede de esgoto. Estamos, ainda, resolvendo a questão do lixo no DF, que nunca nenhum governo quis enfrentar. Estamos investindo na criação de parques e na reestruturação da CEB e do BRB, além de buscar recursos com o governo federal e no exterior. Também estamos regularizando áreas, tudo dentro da legalidade, visando o bem de toda a população.

A qualidade da saúde pública é um dos maiores problemas enfrentados pela população. O que já foi feito nesta área? O que está sendo planejado?

A Saúde é a área prioritária do nosso governo. Quando assumi o governo, em janeiro de 2011, a Saúde estava em situação caótica, resultado de anos de abandono. O Centro Cirúrgico do Hospital de Ceilândia estava fechado por causa de uma infestação de piolho de pombo. No Hospital do Gama, chovia dentro do centro cirúrgico. O pronto-socorro de Planaltina estava em uma situação tão deplorável que foi fechado; outra estrutura foi construída em apenas quatro meses e meio. Investimos na inversão da lógica de atendimento: tiramos o foco da internação, reforçando a atenção primária. Os casos mais simples vão para Clínicas da Família ou UPAs. Já são quatro UPAs em funcionamento, no Recanto das Emas, São Sebastião, Samambaia e Núcleo Bandeirante. Entre 1500 e 2 mil pessoas, que antes iam para as emergências, agora estão indo para as UPAS. É uma opção 24h e perto da casa do paciente. Até 2014, mais 10 Upas serão entregues. Nunca uma gestão investiu tanto em Saúde. Não há mais pacientes em macas e no chão no Hospital de Base, o maior hospital do DF. Isso também já é uma realidade em Sobradinho, Gama e Ceilândia. Isso tudo graças ao investimento e à gestão de leitos, com a informatização. Temos também cinco Clínicas da Família em funcionamento – três em Samambaia, uma no Areal e outra no Recanto das Emas, esta última inaugurada em novembro. Tivemos, ainda, a satisfação de, após anos de espera, poder entregar o Hospital da Criança José Alencar, especializado no atendimento de alta complexidade a crianças e adolescentes. Em um ano, foram realizadas 53 mil consultas no Hospital da Criança, mais do que o dobro do que a previsão inicial. Também realizamos mutirões de cirurgias nos hospitais da rede pública, somando mais de 3 mil operações. E já somos hoje referência em transplantes. Estamos habilitados a realizar mais procedimentos e em algumas especialidades até conseguimos zerar a fila de espera por transplantes.

 

Qual o planejamento do seu governo para as áreas de Educação e Segurança Pública?

Na Educação, investimos em uma demanda antiga do setor: a gestão democrática, com a realização de eleição para a Direção das escolas. Investimos, ainda, na qualificação profissional, com aulas de inglês e atendimento em turmas do Qualificopa. E uma das nossas metas é erradicar o analfabetismo no DF, por meio do programa DF Alfabetizado. Já formamos 6 mil pessoas que eram analfabetas.
Estamos enfrentando o problema da Segurança Pública no DF. Criamos o programa Ação pela Vida, que é uma integração das nossas polícias. Pela primeira vez em 50 anos, estamos integrando as polícias Civil e Militar, o Corpo de Bombeiros e o Detran. Dividimos a cidade em quatro grandes áreas, chamadas de Áreas Integradas de Segurança Pública, que são subdivididas em 31 Regiões Integradas de Segurança Pública. Cada área tem um comando unificado das polícias, e fazemos o acompanhamento detalhado daquela região: o que aconteceu, os indicativos da região, se aumentaram os homicídios, os roubos. É uma ação preventiva, com acompanhamento on-line de todas as ocorrências policiais no Distrito Federal.

Hoje em dia podemos considerar o Entorno do Distrito Federal como Região Metropolitana de Brasília. Uma das inovações do seu governo foi a criação da Secretaria do Entorno. Quais foram os avanços? Até onde os problemas do Entorno são de responsabilidade do Distrito Federal?

Os problemas do Entorno estão sendo resolvidos por esta gestão. A participação do governo federal é indispensável no enfrentamento dos grandes problemas de uma área que tem mais de 1 milhão de habitantes e é uma das mais pobres do Brasil, com baixa renda per capita, baixo PIB e IDH baixíssimo. O GDF dá prioridade às áreas mais carentes, e o Entorno é uma dessas áreas.  Além disso, é violenta demais, com um dos maiores índices de homicídio do país. Essa é uma abordagem que já tivemos com a presidenta Dilma.  Ela está muito interessada em o governo federal conduzir um projeto de investimento articulado para essa área, nos termos do PAC, com recursos captados que, de fato, sejam utilizados. E não se trata apenas de passar dinheiro para a prefeitura, isso não resolve. Tem que elaborar políticas integradas que envolvam transferência de renda, qualificação profissional, transporte e saúde, isso dentro da complexidade que dá para atender.
Assinamos um acordo para a realização estudos de pesquisa de domicílio no Entorno, o que nos possibilitará ter dados concretos sobre a realidade da região. Quem vai fazer isso é a Codeplan. Assim, teremos dados disponíveis para traçar nossas políticas públicas com base científica, com base em dados reais, fidedignos e confiáveis. E isso nunca foi feito. Antes, tínhamos apenas pesquisas gerais. Estou falando de uma pesquisa continuada. Estamos dotando a Codeplan, outra empresa que está sendo recuperada para dar sustentação no desenvolvimento de nossas políticas públicas, não só aqui como no Entorno.
Vamos fazer nossa pesquisa local a cada dois anos, incluindo o Entorno. Assim, faremos o acompanhamento da realidade dessa região com os dados da pesquisa. Vamos trabalhar para integrar as políticas públicas com o Entorno.

No dia 15 de junho de 2013, Brasília sediará o jogo de abertura da Copa das Confederações. Esta servirá de experiência para a realização da Copa do Mundo de Futebol. Como Brasília se prepara para aumentar o número de leitos para receber os turistas para estes dois grandes eventos?

Essa preparação está em curso. Temos hoje aproximadamente 25 mil leitos no Distrito Federal e vamos chegar a 35 mil em 2014. São vários hotéis em construção, reforma e ampliação. Esse é um aspecto muito positivo, porque a nossa ideia é incluir o Distrito Federal no roteiro nacional e internacional do turismo. Mostrar as virtudes da cidade para o mundo e, ao mesmo tempo, trabalhar para o desenvolvimento econômico da nossa cidade de forma científica e planejando a longo o prazo. Aprovamos o Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) e encaminhamos à Câmara Legislativa o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico (PPCUB), iniciativas para ordenar o planejamento e ordenamento territorial e para preservar a área tombada.
Nossa cidade está bem posicionada para os grandes eventos esportivos. Ao receber/fazer a abertura da Copa das Confederações, vamos apresentar Brasília ao mundo, e atrair investimentos para a cidade.
Estamos nos empenhando, desde o início da escolha de Brasília como uma das sedes, para que o Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha seja um instrumento de desenvolvimento econômico para a capital federal, o novo monumento turístico da cidade, que já é um museu a céu aberto das obras do arquiteto Oscar Niemeyer.
Com a exposição de Brasília para o Brasil e para o mundo e com o estádio adequado para receber grandes eventos nacionais e internacionais, trabalhamos para inserirmos a capital federal no circuito de grandes eventos. Com isso, teremos o aquecimento do setor de Serviços, com geração de emprego, renda e melhoria na qualidade de vida da população.
O Ministério do Turismo e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontam que nossa capital deve receber cerca de 600 mil visitantes, entre brasileiros e estrangeiros, na Copa do Mundo de 2014. Será um impacto importante na economia da cidade e na vida da população. Depois do Mundial, receberemos partidas de futebol das Olimpíadas de 2016 e somos candidatos a sediar os Jogos Universitários Mundiais, em 2019 (Universíade 2019).
A população verá uma grande transformação em todos os setores da cidade. Brasília não será a mesma depois desses grandes torneios. Entre os legados, estão a reforma do Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino Kubitschek, a renovação do sistema de transporte urbano, ciclovias e um brasiliense mais capacitado e com melhores oportunidades de emprego.

 

Brasília é considerada o 3º Polo Gastronômico do Brasil, sendo um mercado atraente para restaurantes de todo país. A cidade possui iniciativas importantes para o setor, como o Festival Sabor Brasil e o Brasília Restaurante Week. Como o governo do Distrito Federal trabalha para fortalecer esse setor? Como o governo vai atuar para estimular e incentivar o setor de serviços, entre eles os ligados à gastronomia para os grandes eventos programados para 2013 e 2014?

Em Brasília, essa área é riquíssima, e desenvolvemos aqui projetos estratégicos para todo o setor. Para a gastronomia local se fortalecer, precisamos de bons fornecedores, bons profissionais e uma estrutura adequada. Também é necessário um bom transporte, eficiente, rápido, seguro e integrado, que garanta a ida e vinda de funcionários e incentivos fiscais e econômicos. Das ações que estão sendo realizadas posso destacar o amparo aos produtores rurais que, com a regularização de terras, agora contam com mais segurança para a sua produção. Também estamos investindo em melhorias e modernização do Banco de Brasília, para atender as necessidades econômicas da cidade. 

Segundo dados do IBGE, a população de Brasília cresceu 25% na última década e hoje conta com 2,64 milhões de habitantes. Para os próximos dois anos, como será orquestrado o crescimento da cidade e como atuará o Comitê de Combate ao Uso Irregular do Solo do Distrito Federal? 


 O crescimento ordenado da cidade é uma questão muito importante, pois é uma premissa básica do nosso governo. Por isso, atuamos de forma firme no Combate ao Uso Irregular do Solo do Distrito Federal e agimos rapidamente e dentro da legalidade contra invasões. Criamos uma política habitacional clara e transparente, que oferece moradia às pessoas de baixa renda com infraestrutura completa: de água encanada, esgoto, energia elétrica. Já lançamos 30 mil moradias por meio do programa Morar Bem, vinculado ao Minha Casa, Minha Vida, do governo federal. Também publicamos o edital para o lançamento de mais 35 mil unidades. A nossa meta é oferecer 100 mil moradias até 2014. Além disso, estamos investindo no planejamento estratégico de Brasília para os próximos 50 anos.

Daqui a dois anos o senhor estará encerrando o seu mandato. O senhor já pensa na sua sucessão ou planeja uma reeleição?

Estas não são minhas preocupações no momento. Estamos fazendo mudanças estruturais na cidade e ainda temos muito trabalho pela frente. Temos a Copa das Confederações e a Copa do Mundo nesses próximos dois anos, além de muitos projetos que serão colocados em prática, como a nova frota de ônibus, que começará a circular em 2013, o monitoramento de segurança por câmeras e a implantação do plano de desenvolvimento econômico e estratégico. Enfim, há muitos projetos e muito trabalho pela frente, e eu prefiro não fazer esse tipo de análise no momento.

E por fim, por favor dê uma sugestão para os leitores da nossa revista, que com certeza gostam de uma boa pimenta. E o senhor, como baiano, o que indica para o brasiliense apimentar a vida do no ano de 2013?

Eu sugiro ao brasiliense que aproveite as mudanças que estamos promovendo na nossa cidade. Que conheça os maravilhosos pontos turísticos da capital, como a Torre Digital, a última obra de Oscar Niemeyer em Brasília e que oferece uma vista de 360º da cidade. Sugiro que aprecie os alimentos produzidos na nossa zona rural, que são de excelente qualidade. Outra boa ideia é conhecer o Mercado do Peixe de Brasília, na Ceasa, que inauguramos no ano passado que e fornece peixes de excelente qualidade, criados na nossa cidade e no Entorno. Recomendo que utilizem as ciclovias que estão sendo construídas por toda a cidade. Enfim, proponho que aproveite as maravilhas da capital do país, que é Patrimônio Cultural da Humanidade.

 

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