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00/00/0000 Entrevista Pepper com Rogério Rosso

Rogério Rosso nasceu no Rio de Janeiro em 30 de agosto de 1968, se considera brasiliense, pois veio para Brasília com um ano de idade. Formou-se em direito, é especialista em Marketing e em direito tributário.

O deputado tem uma atuação brilhante na câmara. Defende o corte de gastos públicos e afirma que o PSD está disposto a contribuir cortando na própria carne. O homem é casado com Karina Curi, tem quatro filhos, curte andar de bicicleta e ama música. É baixista, tecladista e guitarrista. Com o nome artístico R. Schumann, prefere rock pesado e mantém um estúdio na chácara da família. É lá que ele descansa, faz música e planta maracujá. Confira agora o nosso bate papo. A gente fala de política, mas também apimenta a conversa!

Revista Pepper: O senhor é líder de um dos partidos da base de apoio do governo, mas já mostrou independência em relação a diversas medidas tomadas pela presidente Dilma e sua equipe. A discussão com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, teve enorme repercussão. Antes da política, o Sr. construiu toda a vida na iniciativa privada. Qual é a sua principal crítica em relação à política econômica, e qual seria o caminho mais adequado, a seu juízo, para o Brasil sair dessa crise?


Rosso: Defendo a redução do gasto público, de uma ampla e exemplar reforma na máquina pública direta e indireta, do esforço governamental na manutenção de investimentos em projetos estruturantes, do estímulo à inovação e a produção de bens e serviços, da integração de programas governamentais de desenvolvimento econômico, social e de infraestrutura, do fomento aos micro e pequenos negócios, da urgente reforma da previdência e da redução da atual taxa de juros que inviabiliza qualquer iniciativa produtiva ou empreendedora. Sem o setor produtivo no eixo das discussões, a “travessia econômica” que estamos passando poderá atracar muito próxima da linda, histórica e emblemática Grécia. Humildade em reconhecer eventuais erros, sabedoria e competência para revertê-los em prol do povo brasileiro também estão entre os nossos maiores desafios.

RP: O Sr. defende corte nos gastos do governo, mas o PSD tem um ministério e indicações em outros órgãos do governo. O partido estaria disposto a cortar na própria carne para reduzir o déficit público?


Rosso: Já disse e repito que defendemos a redução do gasto público. Tenho certeza que o nosso ministro Gilberto Kassab não hesitará
em contribuir com a reforma necessária para sairmos da crise. Aliás, um dos cortes significativos feitos pelo governo ocorreu no programa Minha Casa, Minha Vida, gerido pelo Ministério das Cidades.


RP: No DF, a situação é igual ou pior à esfera federal. O Sr. já advertiu que o sinal vermelho acendeu para o governador Rodrigo Rollemberg, por causa das dificuldades em pagar salários e manter serviços públicos de qualidade. O que a mais o governador poderia fazer, já que ele alega que existe uma absoluta falta de recursos para tudo?


Rosso: O partido teve a oportunidade se manifestar em uma correspondência que eu entreguei pessoalmente ao governador Rodrigo Rollemberg. Apontamos uma série de medidas que consideramos fundamentais, como por exemplo, o lançamento de um novo programa de desenvolvimento para o DF. Com essa ação, será possível implementar polos econômicos em várias cidades do DF, para que vários empreendimentos públicos e privados se instalem. Mas, para isso, é preciso ter uma visão governamental de que, mesmo no momento de crise, nós precisamos de estimular os negócios na capital. Fiz um apelo para a presidente Dilma Rousseff se reunir com o Rodrigo para entender a crise e ela ficou muito preocupada. Ela montou um grupo de trabalho do qual participo para encontrar soluções. Eu sugeri que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) faça um aporte derecursos para o BRB (Banco de Brasília), para que ofereça, a custo muito baixo, financiamentos para microempreendedores e ela autorizou. Outra coisa: é preciso estimular o entorno do DF. É preciso sair do Buriti, como órgão central, e se espalhar.


RP: A maior parte de seus projetos de lei na Câmara são na área econômica. UM deles cria uma jornada de trabalho parcial mais flexível, até o limite de 25 horas semanais. O Sr. não teme uma forte reação dos sindicatos à proposta, e quais benefícios se pode esperar da medida?


Rosso: Esse projeto é uma parceria com o deputado Goulart (PSD-SP). O objetivo é ampliar os direitos do trabalhador, permitindo formas menos engessadas de contratação. Acreditamos que, ao criar uma jornada mais flexível, os horários de atividade podem atender à flutuação de demandas. A proposta estabelece a preferência da adoção da jornada diferenciada para estudantes ou para quem tem idade igual ou superior a 60 anos. Desta forma, aposentados e jovens estudantes poderiam trabalhar. As regras trabalhistas precisam ser modernizadas para atender às necessidades de trabalhadores e empresários, preservando empregos,
principalmente em momentos de crise como o que o país atravessa no momento. Não vejo motivo para que os sindicatos sejam contrários à uma proposta que pode impedir, inclusive, demissões em massa no momento que atravessamos.


RP: Já foi aprovado na CCJ da Câmara um projeto do Sr. que cria a Zona Franca do Entorno. Em que isso será diferente de outras iniciativas fracassadas do passado, como o Porto Seco e a Cidade Tecnológica, que só ficaram, até o momento, na promessa?

Rosso: Todo projeto tem seu rito de tramitação na Câmara dos Deputados. Tenho feito algumas reuniões com parlamentares para informar sobre os benefícios do projeto e, principalmente, dizer que não estimulamos a chamada guerra fiscal, caracterizada por incentivos fiscais oferecidos pelos estados em busca de investimentos privados. Para coibir este tipo de ação, incorporei na proposta uma medida que beneficia empresas e empreendimentos privados que já estão instalados na área de abrangência da zonafranca. Uma empresa que já existe no país não pode se mudar para cá e usufruir [dos benefícios]. Tem que ser um empreendimento novo. Não queremos tirar empresas de outros estados e prejudicar as que já estão aqui. A partir desse argumento, não vejo motivos para que o projeto não avance.


RP: Por anos, o Sr. foi um fumante inveterado. Confessou fumar até 100 cigarros por dia. De repente, deu uma guinada na vida, abandonou o tabagismo e adotou a bicicleta. Onde encontrou determinação para isso? E nos conte como a sua vida mudou?


Rosso: Estava perdendo a saúde muito rapidamente. Tive um problema cardíaco e quando olhei meus filhos e minha esposa chorando, decidi que era hora de reagir. A bicicleta me ajudou nessa travessia.


RP: Brasília tem uma comunidade de ciclistas grande e ativa, mas também é uma cidade onde, infelizmente, acontecem muitos acidentes de trânsito. Além de que os ciclistas são vítimas constantes de assaltos. O Sr. participa da Frente Parlamentar Mista da Bicicleta. O que esta iniciativa pode fazer para conscientizar mais os motoristas sobre o respeito à bicicleta nas ruas do Brasil e do DF?

Rosso: Essa iniciativa mostra a importância de criarmos mecanismos, ações e políticas públicas, interagindo com o governo e outros
segmentos, para apresentarmos soluções quem incluam cada vez mais o uso das bicicletas como meio de transporte e atividade
esportiva. Vamos elaborar uma agenda para implantar essas ações. Queremos também revisar do Código Brasileiro de Trânsito, atualizando a legislação no que diz respeito a esse tema. Queremos que a mobilidade deixe de ser um discurso e passe a se tornar uma cultura. Para isso, é importante trabalhar campanhas educativas para as pessoas vivenciarem essa qualidade de vida. A frente vai dialogar com entidades representativas e com o governo federal para atuar diretamente na mudança de cultura da sociedade.


RP: O senhor tem uma plantação de maracujá, conte para a gente como é produzir a fruta.


Rosso: Não posso nem chamar de produção, pois o que tenho são alguns “pés” de maracujá plantados ao longo da cerca da minha chácarapróximo a Brasília. Esses maracujás são apenas para consumo próprio da família e amigos.


RP: Qual a receita com maracujá o senhor mais gosta?


Rosso: Suco de maracujá batido com água ou leite e bastante gelo, apenas isso.


RP: Qual o seu programa favorito em Brasília?


Rosso: Gosto de ir com a minha esposa e nossos 4 filhos ao Parque da Cidade andar de bicicleta, de skate ou apenas para fazer caminhadas. A prática do ciclismo, nas madrugadas também faz parte do meu cotidiano na Capital.

RP: Qual a sua comida favorita?


Rosso: A massa feita pelo meu Pai. Pão com manteiga e café com leite quente.


RP: Qual sua bebida favorita?


Rosso: Sucos em geral, especialmente de melancia, leite desnatado gelado, coca zero e muito eventualmente um copo de vinho tinto.

 

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