Esporte Do DF
00/00/0000 Ex-PM do DF é o primeiro fisiculturista amputado do Brasil
Alexandre Medeiros inaugurou a categoria 'Amputados Fisiculturismo Clássico'  (Reprodução/Facebook)
Alexandre Medeiros inaugurou a categoria 'Amputados Fisiculturismo Clássico' (Reprodução/Facebook)

Alexandre Medeiros, 35 anos, é professor de história, tatuador e ocupa o posto de primeiro fisiculturista amputado do Brasil. O atleta, nascido e criado em Ceilândia, teve que amputar a perna há 12 anos, em virtude de um acidente de trabalho.

À época com 23 anos, Alexandre era policial militar e atuava pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope). “Estava em serviço no dia, e fomos para uma ocorrência de tiroteio em Samambaia. Um colega se desequilibrou e disparou por acidente a arma. A bala atingiu minha perna por trás. Fui para o Hospital de Base e fiquei 44 dias internado. No terceiro dia, soube que tinha que fazer a amputação”, conta.

Após o acidente, o ex-policial militar procurou maneiras de se adaptar à nova condição. Devido às limitações, foi necessário abandonar o futebol, o ciclismo e as lutas marciais. “Precisava achar uma âncora para isso tudo. O esporte me situou, me colocou em um lugar seguro”, explica. Apesar das iniciais restrições médicas, a malhação foi fundamental para superação.

Neste período de recuperação, Alexandre também se dedicou aos estudos e realizou um sonho antigo: se tornar professor de história. Porém, foi na arte de tatuar que ele encontrou maior estabilidade. “No primeiro dia em que comecei a tatuar, tirei metade do salário de professor”, conta. Atualmente, Alexandre mantém um estúdio em Ceilândia Norte.

Com apenas três meses de preparação, o atleta, até então amador, estreou nos palcos como fisiculturista, em 2013, no 6º Campeonato Brasiliense de Fisiculturismo. Alexandre inaugurou a categoria “Amputados Fisiculturismo Clássico” e venceu o concurso. Em 2014, conquistou novamente a medalha ao participar do segundo certame do gênero em Brasília. Esse é o primeiro atleta amputado federado do Brasil, segundo Patrícia Helena Fernandes, presidente da International Federation of Bodybuilding de Brasília (IFBB).

“Ficar em cima de um palco cheio de gente olhando, fez com que enfrentasse alguns medos interiores. Algo tão estético me fez lutar contra a maré”, diz Alexandre.

O atleta concilia diariamente a rotina de treinos com o estúdio de tatuagem e a criação do filho de 9 anos, Zander Medeiros. “Acordo às 6h todos os dias. Levo Zander para escola e, depois, vou para academia. Treino entre 1h30 e 2 horas por dia”, descreve.

Alexandre ressalta que para atingir os objetivos semanais na academia, deve seguir uma rigorosa dieta. “Tudo deve ser dosado, com base no protocolo da nutricionista e objetivos a serem alcançados. Ando sempre com as marmitas, para comer no horário certo”, afirma.

A principal fonte de motivação do atleta vem do próprio filho: “Uma vez, na competição, estava descendo do palco e ele me abraçou e disse: ‘Pai você tá com o corpo igual do Batman!’ Isso é muito legal, ver seu filho te colocar como super-herói de verdade”.

Fonte: Correio Braziliense 

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