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01/09/2017 Redação EXPOSIÇÃO INÉDITA DE CARMÉZIA EMILIANO CHEGA À BRASÍLIA Índia Macuxi pinta vida e memórias nas cores e texturas da Arte Naïf
Redação

Para alguns artistas, a arte está intimamente relacionada com história vivida, com raízes. É assim com Carmézia Emiliano, uma índia Macuxi que pinta a si própria, sua trajetória em vida e em memória, nas cores e texturas da Arte Naïf. Os Macuxi habitam uma região de fronteira entre as Guianas e o Brasil, nas cabeceiras dos rios Branco/Rupununi. É o cotidiano e a relação de seu povo com o mundo que os cerca que Carmézia transforma em arte. Suas telas representam o universo imagético das aldeias, da floresta e dos hábitos e costumes de sua etnia. Trinta quadros do acervo da obra dessa artista plástica poderão ser contemplados na exposição Com Memória e Com Afeto – A arte Naïf de Carmézia Emiliano, inédita em Brasília e em cartaz naGaleria de Arte da CTJ Hall – Casa Thomas Jefferson da 706/906 Sul – de 1ª a 30 de setembro. 

A mostra marca os 25 anos no enlace da artista com a arte. Carmézia Emiliano nasceu na Guyana. Sua família imigrou para a aldeia Japó, no município de Normandia, em Roraima, na década de 70, e desde 1988 ela reside em Boa Vista. O curador da mostra em cartaz na galeria da Casa Thomas Jefferson, Augusto Luitgards, revela que a obra de Carmézia traz aspectos antropológicos relevantes. “Ela transpõe para as telas os mitos, as festas da maloca onde cresceu, o trabalho de homens e mulheres de sua comunidade e o vínculo com as crenças e a divindade”, detalha. Segundo Luitgards, o universo imagético de Carmézia é fortemente telúrico e sugere uma função dupla: manter a artista ligada permanentemente às suas origens e propiciar ao espectador o acesso a uma cultura muito peculiar. “Seus quadros têm cheiro de mato e sabor de néctar. O observador verá que a rica sintaxe pictórica da artista dialoga com as de artistas naïfs consagrados, como Antônio Poteiro e José Antônio da Silva”, comenta. 

O curador acrescenta ainda que o poder da síntese, a utilização do espaço de expressão de forma autônoma e a espontaneidade são marcantes. Além disso, está claramente presente um desejo de preservação, materializado em formas e no colorido da refinada sensibilidade da artista. “A rica paleta cromática, o caráter narrativo de suas pinturas e o descompromisso com aspectos formais são aspectos perenes da obra de Carmézia. É esse fazer artístico, caracterizado pela autenticidade e coerência, que estabelece a cumplicidade estética dela com seu público. Carmézia é um expoente da arte naïf brasileira”, assegura. 

Quem lança o olhar para o trabalho da artista indígena é desafiado a avançar além da contemplação pura e simples para uma interação mais qualificada com a obra. “Etnografia e a arte se unem para perenizar as danças, as crenças, as caçadas, os hábitos alimentares, o plantio, a colheita, as lendas, os mitos, os jogos e tantos outros aspectos que constituem a identidade do povo Macuxi”, avisa. 

A artista foi agraciada com o Prêmio Buriti da Amazônia de Preservação do Meio Ambiente e foi selecionada em seis edições consecutivas da Bienal Naïfs do Brasil. 

PROGRAME-SE

Exposição Com Memória e Com Afeto – A arte Naïf de Carmézia Emiliano

Quando: de 1º da 30 de setembro

Visitação:  Segunda a sexta-feira, das 9h às 21h. Sábado, das 9h às 12h

Local: Galeria de Arte da CTJ Hall – Casa Thomas Jefferson na 706/906 Sul

Entrada livre e gratuita

Mais informações para o públicohttp://thomas.org.br/eventos/

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