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27/06/2017 Redação História e cultura: 28 de junho, Dia Internacional do Ceviche Prato de origem andina é considerado Patrimônio Cultural no Peru, país referência na elaboração e difusão do ceviche.

Um prato tão simples quanto saboroso, que atravessou séculos, ganhando importância em vários países, tem um dia próprio para ser enaltecido. Em 28 de junho se comemora o Dia Internacional do Ceviche, uma iguaria de origem andina, que teve o primeiro registro feito há mais de 4 mil anos pelos povos que habitavam o Norte do Peru. País, aliás, que transformou o prato em orgulho nacional e é considerado Patrimônio Cultural. 

Apesar de a receita original ter sido aperfeiçoada com o passar dos anos, a base do ceviche é essencialmente a mesma desde a sua criação: peixe branco de água salgada cru, com suco de alguma fruta cítrica, que acaba cozinhando o peixe por causa do ácido cítrico. Nos primórdios, o peixe era marinado em suco de tumbo ou curuba, um fruto nativo que se assemelha ao maracujá. “Ainda durante os tempos pré-colombianos foi acrescentada a pimenta aji, muito picante, hoje obrigatória no prato. O limão só veio a ser usado a partir do século XVI quando chegaram os espanhóis na região”, explica o chef Biba Fernandes, à frente dos restaurantes peruanos Chiwake e Chicama, que têm como carro chefe dos menus os ceviches. 

O ceviche tem esse nome graças ao povo Inca. Diz-se que é derivado do Quíchua, língua indígena, e vem do “siwichi”, que significa peixe fresco. Há ainda a hipótese da palavra “cebo” também ser uma influência, já que significa “isca” ou cortes pequenos de peixe, como normalmente o peixe é servido no prato. Outra linha, considerada como oficial pelo governo peruano, é que o nome seja derivado do Árabe “sibesh”, ou seja, comida ácida, com base no fato de que mulheres mouriscas marinavam o peixe cru dos Incas em suco de laranja azeda. 

Outra curiosidade é o “leite de tigre”, nome dado ao caldo que se forma a partir da marinada do peixe. Ele é considerado um poderoso fortificante, dando a força do animal a quem o toma. “No Peru, o caldo é usado para curar ressacas”, explica o chef. 

A saborosa receita do ceviche fez tanto sucesso que ele acabou sendo incorporado por outras culinárias além da peruana. Um exemplo é o restaurante francês Ponte Nova, que incluiu o prato como entrada para almoços e jantares. “O ceviche tem muito a ver com o nosso clima, é refrescante e leve. Também combina com o nosso tempero, já que a base é o limão verde e o coentro”, conta o chef Joca Pontes. A casa oferece o “Cê vixe”, composto por lâminas de pescado marinadas no limão com tartare de tomates, temperados como uma ostra de praia, cobertos com palha de batata doce e alho-poró. O prato custa R$30.

 

 

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