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00/00/0000 Livros de colorir: o fenômeno em 10 cifras
Os três livros para colorir mais vendidos de 2015 até aqui (Foto: Divulgação)
Os três livros para colorir mais vendidos de 2015 até aqui (Foto: Divulgação)

Chamam-se \"jardineiros\" os salvadores do mercado editorial brasileiro em 2015. Não precisam ler uma linha sequer: as ferramentas são estojos de lápis de cor. O apelido é referência ao grande best-seller do ano no país: \"Jardim secreto\", da escocesa Johanna Basford. A obra encabeça o atual acontecimento literário do país – livros de colorir para adultos. O G1 consultou editoras e analistas de mercado e separou dez cifras impressionantes que explicam o boom (veja abaixo).

Eles são antiestresse, interativos, sintoma da infantilização do mundo atual – as opiniões a respeito dos títulos para colorir variam.

\"Eles estão movimentando gráficas, editores, ilustradores. Mas, óbvio, é um fenômeno que vai acabar. Todo ano tem algo assim\", afirma ao G1Cassia Carrenho, gerente-geral do PublishNews, portal que analisa o mercado. Dois exemplos de ondas anteriores: livros eróticos, como \"Cinquenta tons de cinza\", e os religiosos. \"O mercado editorial não lança moda, ele só segue a moda. Uma tendência em todas as áreas, não é só no editorial, de voltar um pouco às raízes, o \'handmade\'\", continua Cassia.

Outra facilidade óbvia para trazer sucessos internacionais de colorir ao Brasil: eles não precisam ser traduzidos. Além disso, é comum que o \"leitor\", depois de concluir a pintura, compre uma segunda obra. E eventualmente uma terceira, uma quarta... As próximas tendências do setor devem ser livros para colorir de nicho, temáticos. A nova leva terá títulos sobre gatos e bichos em geral, além de clássicos para colorir (tipo \"O pequeno príncipe\") e uma série sobre \"cidades do mundo\'. O êxodo rural dos jardineiros era mesmo questão de tempo.

 

\"R$

Os livros de colorir também reduziram o estresse do mercado editorial do Brasil ao amenizar a crise do setor. Venderam R$ 25,18 milhões entre janeiro e maio deste ano e evitaram queda do faturamento geral com relação a 2014. O número está em um estudo do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e do Instituto de Pesquisa Nielsen.


 

\"880

Escrito – ou desenhado – pela escocesa Johanna Basford, \"Jardim secreto\" iniciou sua trajetória por aqui a tempo de aproveitar o Natal: saiu, muito calculadamente, em 27 de novembro. Desde então, virou o líder absoluto do ranking nacional, com 880 mil cópias (e contando...), informa a Sextante. \"No nosso catálogo, entra em não ficção, mas poderia entrar em arte ou em autoajuda, pois transcende essa categorização\", afirma a gerente de aquisições da Sextante, Nana Vaz de Castro. Versátil, também transcendeu o status de livro-presente-natalino. \"Em abril foi realmente um escândalo.\" É que era \"véspera\" do dia das mães.


 

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Com mais de meio milhão de exemplares vendidos desde o lançamento, em abril, o vice-campeão do ano no Brasil também é assinado por Johanna Basford. A Sextante informa que tem pelo menos outros oito títulos para colorir previstos para os próximos meses – incluindo um obrigatório sobre gatos.
 

 

\"76

Nem só de jardim e floresta vive o filão dos livros para colorir. A categoria se divide em subespécies: tem, por exemplo, a vertente \"gatos\" (por enquanto, apenas os animais, mas nunca se sabe), a vertente \"mandalas\" e a vertente \"datas comemorativas\" (\"Mãe, te amo com todas as cores\" para o dia das mães e \"Amor em todas as cores\" para o dia dos namorados\"). O Instituto Nielsen – responsável junto do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) pelo Painel das Vendas de Livros do Brasil – calcula que existam pelo menos 76 títulos de colorir para adultos circulando atualmente. Por enquanto.

 

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O portal PublishNews, que monitora o mercado editorial brasileiro, informa que cinco dos dez livros de não ficção mais vendidos do ano, entre janeiro e maio, são títulos de colorir para adultos. Mas por que não ficção? \"Teve até uma tendência a colocar como autoajuda. Mas, se não fosse para relaxar – o que, aliás, é um grande marketing –, seriam o quê? Livros de ilustração. É não ficção\", justifica ao G1 Cassia Carrenho, gerente-geral do site.


 

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É culpa das mães. Graças a elas, ou ao dia delas, maio foi um mês especialmente bom para os livros de colorir: os oito primeiros colocados no top ten de não ficção foram de colorir, mostra PublishNews. Sintomaticamente, \"Mãe, te amo com todas as cores\" foi o quarto colocado no ranking de maio. Comparando com o mesmo mês de 2014, neste ano as vendas cresceram 27% em volume e 21% em faturamento, totalizando R$ 115,8 milhões – em 2014, foram R$ 95,7 milhões.


 

\"R$

O Instituto Nielsen informa que o preço médio dos livros de colorir é de R$ 27,98 – considerando todos os segmentos, o preço é R$ 39,26. O mais caro dentre os \"coloridos\" pesquisados é \"Netter anatomia para colorir\", que custa R$ 91,73. Mas ele tem função didática e é voltado a público específico. O vice-campeão é a versão em inglês de “Floresta encantada”, que sai por R$ 64,54. O mais barato de todos é \"Contos de fada supercolorir\", com preço médio de R$ 7,89.


 

\"Preço

Com 120 cores, o estojo metálico top de linha da Faber-Castell é o mais caro da marca, que o descreve como voltado a \"profissionais [designers, ilustradores] e amadores exigentes\". De acordo com a fabricante, há \"jardineiros exigentes\", que gastaram R$ 945 para adquirir um desses, com itens importados da Alemanha. A empresa informa, no entanto, que os favoritos dos consumidores dos livros de colorir são os estojos aquareláveis de 48 cores (R$ 80) e de 36 cores (R$ 60).


 

\"210%

Um efeito colateral do fenômeno foi o aumento das vendas de lápis de cor. O G1 apurou que chegou a faltar o produto em grandes redes do setor. A Kalunga informa que houve alta de 210% das vendas em maio de 2015 na comparação com o mesmo mês do ano passado. Canetas hidrográficas e apontadores também saíram mais. Na Armarinhos Fernando, a procura por lápis de cor chamou atenção sobretudo por ter ocorrido fora do período \"voltas às aulas\", em que as vendas são tradicionalmente altas. A Faber-Castell informa que, em abril, as vendas cresceram cinco vezes em relação a abril de 2014. Desde então, houve reforço na produção dos estojos de 36 e de 48 cores.


 

\"18

Editado pela independente Bebel Books, \"Suruba para colorir\" convenientemente não tem qualquer ilustração na capa. Na  contracapa, um aviso: \"18+\". Assinado pelo jornalista e escritor Xico Sá, o texto ali avisa: \"Tons de cinza um cacete\". Segundo a editora, o projeto nasceu de \"uma brincadeira entre amigos\'. São 34 ilustrações, de nomes como Laerte, Adão, João Montanaro e Fabio Zimbres. A primeira edição saiu com 1,8 mil exemplares.  A segunda, com 3,6 mil. Diante do sucesso e dos pedidos, chegou-se a uma terceira – com 25 mil exemplares, um recorde da editora. \"Pra gente, é um número inimaginável. Nem nos meus sonhos mais dourados eu iria ter conseguido\", comemora ao Bebel.

 

Fonte: G1

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