Cultura Diversão e Arte
22/01/2019 Não é não: Campanha distribuirá o triplo de tatuagens contra assédio neste carnaval

RIO - Bem mais que uma modinha. Lançada há 3 anos, a campanha "Não é não", que distribui tatuagens temporárias gratuitamente durante o pré-carnaval e o carnaval, segue forte e provando que além de necessária, continua atual. Tanto que a vaquinha online para a folia carioca, encerrada na noite desta segunda-feira, arrecadou quase R$ 15 mil, o que permitirá a produção de 20 mil tattoos contra o assédio, três vezes mais do que no ano passado.

- Este ano, achamos que talvez não tivéssemos espaço para discutir o assédio contra as mulheres, até por conta das coisas loucas que vêm acontecendo no país. Mas vimos que precisávamos retomar essa discussão com urgência. Tenho amigas que ouviram de eleitores de Bolsonaro que, com ele na presidência, elas não teriam mais espaço. Então, temos que bater muito nessa tecla - relata a estilista Aisha Jacob, uma das fundadoras do movimento.


A distribuição no Rio começará já em alguns ensaios de blocos agendados para este fim de semana. Desta vez, a mensagem chegará também a Goiás e Curitiba, além de Belo Horizonte, São Paulo, Brasília, Belém, Salvador, Recife e Olinda, que já tinham sido porta-vozes da campanha no ano passado. Cada uma receberá ao menos 5 mil tatuagens. A distribuição será feita pelas 20 embaixadoras do "Não é não" no país e equipes.

A novidade é que cada cidade teve a sua própria vaquinha online, o que permitiu uma arrecadação maior. No total, já foram arrecadados para este carnaval R$ 55.719 (272% do que no ano passado), doados por 982 colaboradores (268% a mais do que em 2018). No Brasil, o "Não é não" tem a parceria de 112 blocos, 53 marcas, 3 escolas de samba e 6 casas de show.

- Não tínhamos a menor noção da nossa potência e da rede que podíamos montar. É muito bom ver mulheres de outros estados acreditando no projeto. Recebemos mensagens incríveis dizendo o quanto nossa campanha está mudando a realidade de outros carnavais, que os caras estão respeitando mais. Ainda tem muita coisa para mudar, é um trabalho de reeducação, que vai muito além de entregar tatuagens. Assédio é algo que toda mulher sofre e não pode ser considerado normal - frisa Aisha.

Como tudo começou

Aisha decidiu mobilizar algumas amigas no fim de janeiro de 2017, após ser vítima de assédio numa festa. Primeiro, elas criaram um grupo no WhatsApp e, em pouco tempo, reuniram 40 meninas, que, juntas, resolveram produzir cerca de quatro mil tatuagens temporárias com a mensagem “Não é não”, que grudaram no corpo de inúmeras mulheres durante o carnaval carioca. A inspiração partiu de uma cartela de carnaval que a loja Le Petit Pirate, especializada nesse tipo de tattoo, fez em parceria com o site RIOetc.

DEIXE UM COMENTÁRIO
TAGS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
                  
Baladas Pepper | Pepper | Editoria Baladas Pepper