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07/05/2018 Redação Neto cria Instagram para eternizar memórias da avó com Alzheimer Dona Emília foi diagnosticada com o mal de Alzheimer há quatro anos. A família usa o amor para lidar com a doença
(Foto: JC Online)

Divertida, Dona Emília tem 85 anos e é cheia de histórias para contar. Mas a doença de Alzheimer logo fará com que ela não lembre mais de toda uma vida. Para tentar enganar a degeneração das memórias da simpática senhorinha, o neto Caio Aramys, 25, criou um perfil no Instagram para guardar os bons momentos da avó e poder dividir com os internautas um pouco da relação que une essa dupla.

O @coisasdemilinha tem pouco mais de 550 seguidores. São fãs de carteirinha dessa senhora recifense que não deixou se abater desde que foi diagnosticada com a doença, há cerca de quatro anos. O status do perfil diz: "Relação de amor e leveza de um neto apaixonado pela avó que tem Alzheimer". Mas é mais do que isso: trata-se de duas gerações aprendendo juntas, e usando as redes sociais, a lidar com a perda, mesmo que seja das memórias.

Como um álbum, o neto de Dona Milinha, como é conhecida, vai montando cada parte de uma narrativa vivida no dia a dia, compartilhando com amigos e até desconhecidos. Caio, que sempre morou com a avó e a mãe, no bairro de Nova Descoberta, na Zona Norte do Recife, conta que a intenção do perfil é mostrar a relação entre avó e neto. “Na questão de afeto, o idoso é muito envelhecido pela própria palavra, mas a gente mostra que pode haver carinho, cuidado”, relata o rapaz.

 

Memórias virtuais e reais

Milinha, que é autodidata e artesã por natureza, foi pega de surpresa com a doença, que também impactou a família. “A gente sempre se apoiou uma na outra. No começo foi difícil, mas depois foi ficando mais fácil de entender, até que a gente começa a viver isso com leveza”, conta a filha Patrícia Emília, de 45 anos, mãe de Caio. 

E leveza é o que Dona Emília mais tem. De sorriso largo e palavras ponderadas, ela mostra que o amor retratado na rede social é real, e acontece até mesmo por trás das lentes da câmera do celular. Sempre retribuindo o carinho recebido pelo neto, Milinha declara: “ele é muito importante pra mim” - conta ao mesmo tempo em que aperta o nariz do companheiro inseparável.

 

“A gente tem a ideia muito deturpada do paciente de Alzheimer, achando que ele é um acamado, que não anda nem fala, não sente, mas é totalmente o contrário”, diz Patrícia. “Com o Instagram a gente pode humanizar a relação do paciente de Alzheimer com a família, mostrando que há uma interação e não vitimização”, conta a filha.

Além de Caio e Patrícia, Milinha ainda recebe os cuidados especiais do neto mais novo. Carlos Ernandes, de 19 anos, também mostra que o afeto é real, e as redes sociais são impulsionadores daquilo que eles vivem no dia a dia, dentro de casa e longe das câmeras. Para a família da senhorinha simpática, a rede social pode ser usada para espalhar o bem, boas histórias e emocionar quem vê. Caio destaca que o amor retratado em cada post não é motivado pela doença, mas sim pela relação de amor que deve existir na família, independente da situação.

 

No perfil de Dona Milinha os seguidores curtem, comentam e interagem com ela, que já é chamada de vó pelos “netos virtuais”. A idosa é um exemplo de carisma, de vida, de leveza. "Mesmo que na mente dela tudo passe como uma fração de segundos, a mensagem passada e compartilhada na rede social é eterna", comenta Patrícia. 

 

JC Online

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