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00/00/0000 Novos nomes do samba: Deborah Vasconcellos representa a capital no concurso
Deborah começou a cantar ainda menina e diz que passou por todos os estilos antes de se firmar no samba (Janine Moraes CB. D.A/ Press)
Deborah começou a cantar ainda menina e diz que passou por todos os estilos antes de se firmar no samba (Janine Moraes CB. D.A/ Press)

Quem é chegado em samba certamente já conhece a voz de Deborah Vasconcellos das noites e rodas pelos bares da cidade — ela mesma jura que já passou por todos. Mas agora a coisa fica mais séria e é o Brasil que tem a chance de saber de que é feito o samba da capital. Aos 32 anos, Deborah conta 14 de palco. Só agora, no entanto, com seu primeiro disco engatilhado e representando a capital em um dos mais importantes concursos de composições de samba do país, o Exposamba, sente que a carreira inicia. Casa arrumada, nome do álbum de estreia da cantora, reflete até no nome o momento de Deborah. “É o meu momento, tempo de organização. É o momento em que eu me sinto pronta realmente para trabalhar, para expandir meu trabalho. Considero que minha carreira começa agora”.

A voz da sambista leva a musicalidade que a profissão que escolheu ainda menina lhe deu e a cadência da mistura dos sotaques brasiliense e carioca. Não poderia ser diferente. Brasiliense de certidão e de alma, Deborah herdou dos pais, ambos cariocas, não apenas o sotaque, como a paixão pela música. A mãe, da bossa nova e da MPB. O pai, um dos pioneiros no palco do Clube do Choro, aqui em Brasília, lhe emprestou a paixão pelo samba. “O samba foi do meu pai. Ele sempre me levava para as rodas, estava em todas com ele. Mas minha mãe me ensinou muito sobre música também. Cresci ouvindo Elis em casa”, ela conta.

Deborah precisou deixar Brasília por alguns anos, ainda criança, quando os pais decidiram voltar ao Rio para assumir novos rumos profissionais. Era muito nova para frequentar as rodas de samba com seu pai, mas não nega que os anos respirando o ritmo no berço lhe ensinaram muita coisa. A cantora voltou à sua terra ainda na adolescência para dar seus primeiros passos na música. Naquela época, cantava MPB com alguns amigos em uma banda chamada Quarto sem teto, que se apresentava em eventos e teatros pela capital. No samba, fez a estreia em 2008, no mesmo palco onde o pai se apresentou incontáveis vezes, no Clube do Choro. Foi quando ganhou também uma marca registrada: a tatuagem de São Jorge nas costas, de quem é devota, feita no dia 23 de abril, quando se comemora o dia do santo. “Foi um agradecimento”, diz.

Sonho realizado

De lá para cá, o caminho percorrido pela cantora é história. Enquanto construía o alicerce da própria carreira, Deborah viu o cenário do samba brasiliense mudar. “As pessoas em Brasília amam samba, são super receptivas, é muito legal. Mas mudou muito. Quando comecei não era assim. Foi a partir dali que começamos, junto com um grupo de músicos, esse movimento pelos bares”, conta. O mesmo grupo que, anos depois, trabalhou duro para ver sair o primeiro disco de Deborah. “É meu filho. A gente sonhou muito com isso, foi muita luta da parte de todos os músicos envolvidos, todo mundo se doou de coração, nunca vi uma energia daquela como quando estávamos em estúdio”.

Sem apoio nem patrocínio, o projeto levou dois anos para ser concluído. O encontro das influências musicais que ela ouvia em casa, uma mistura do lado MPB da mãe e do samba do pai, acabou se traduzindo também no álbum. Previsto para ser lançado em novembro, o disco reúne composições de nomes como Vinícius de Oliveira, Gilberto Gil, Noca da Portela, Fred Camacho e Arlindo Cruz. \"Ele é uma junção disso tudo, a gente quis muito que ele compactasse todas essas minhas influências”, diz, orgulhosa do resultado. A primeira faixa tem participação da filha da cantora, Marina, de 8 anos, que solta a voz em versão à capella e prova que a música ali passa no sangue de geração em geração.

Disco pronto e casa arrumada, Deborah agora parte em busca de sonhos maiores. Hoje, divide o tempo entre os shows na capital e temporadas de divulgação do trabalho no Rio de Janeiro. “É hora de expandir meu trabalho, de me inserir em outros lugares e, como canto samba, o Rio acaba sendo muito importante para mim. Mas eu devo tudo a Brasília. Eu amo essa cidade e tudo o que conquistei e tenho conquistado, devo ao meu trabalho aqui”.

Concurso

A expansão vai ainda mais longe: Deborah é a única cantora brasiliense no concurso de composições Exposamba. Ela participa com a música Pro amor se regenerar, de Fred Camacho e Arlindo Cruz, e concorre ao troféu de melhor intérprete. Vencida a primeira etapa, em que os candidatos enviam um vídeo que pode ou não ser selecionado, os brasilienses contam agora com o voto do público, na página do concurso (www.fabricadosamba.com.br). A votação popular vai até 15 de outubro e a competição ainda não tem data definida para os resultados finais. Enquanto fica na expectativa, a cantora continua levando o samba aos palcos da capital. Ontem, ela se apresentou no show de encerramento do projeto Samba Brasília, na área externa do Museu da República, às 16h. O evento contou também com a presença de Jorge Aragão.

Fonte: Correio Braziliense 

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