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05/10/2017 Redação O CERRADO ABSTRATO DE LOURENÇO DE BEM Série inédita de telas do artista revela matizes e formas do capim que desabrocha no bioma da região Centro-Oeste

É a paisagem cotidiana, nem sempre percebida aos olhos de quem vive o dia-a-dia no Planalto Central, que encanta Lourenço de Bem. Pelas mãos do artista plástico, o capim que desabrocha no cerrado se transfigura. Deixa de ser retrato de mais do mesmo e se transforma em poesia colorida, em arte. Conhecido como o “Artista dos Capins”, Lourenço de Bem produziu, em 2017, uma nova série de obras com a temática. A coletânea de 22 peças, pinceladas em acrílica sobre tela, ganhou realce com efeitos de profundidade e contraste. O trabalho poderá ser contemplado na exposição inédita Cerrado Abstrato, em cartaz na Galeria de Arte da CTJ Hall – Casa Thomas Jefferson da 706/906 Sul – de 6 a 28 de outubro. 

Com obras permanentes em importantes galerias de acesso público, como CCBB e Funarte, Lourenço de Bem é um dos mais ativos artistas de Brasília. Entre outros projetos e coletâneas de pinturas e esculturas produzidas ao longo dos últimos anos, os capins continuam inspirando novas séries, com diversas leituras e releituras, movimentando os pinceis do pintor. “Embora difíceis de serem descritos, esse tipo de vegetação tem muito a dizer sobre nós em nosso habitat. O capim nos fala sobre o tempo, o vento, as cores, os volumes, as formas e movimentos, a natureza do cerrado”, observa.

A profundidade que o artista consegue dar aos elementos que compõem a cena do quadro está, a cada nova série, mais evidente. Capins sobre capins, uns se sobrepondo aos outros, sob os efeitos de luz, cores, texturas, volumes e demais elementos, são capazes de fazer o olhar mais desprevenido viajar alguns metros ou quilômetros para dentro da tela. Seja nos movimentos das folhas ou em busca de outras espécies vegetais que se acrescentam umas às outras, o espectador é conduzido a outras camadas - como quem busca as sombras, os solos, os rios, o sol ou as nuvens encobertas - que estão por ali discretamente expostas nos últimos planos da imagem. 

Os capins-cerrado compõem o cenário dos parques ecológicos brasilienses, são comuns na vegetação do Centro-Oeste brasileiro e integram os espaços ainda intocados do Planalto Central. Talvez, estas particularidades sejam, além dos efeitos de profundidade, sombra e volume, aspectos que tornam o trabalho de Lourenço contemplado, estimado e adquirido por apreciadores de arte. 

O artista

Lourenço de Bem iniciou sua trajetória artística ainda na infância, junto ao pai e mestre – o expressionista Glênio Bianchetti. Autodidata, cria, pesquisa e experimenta materiais e técnicas. Nasceu em Porto Alegre e chegou em Brasília ainda criança, em 1962, realizando sua primeira exposição individual em 1977. Aperfeiçoou suas técnicas no MAM do Rio de Janeiro e aprendeu com grandes mestres. Foi premiado em salões de arte, estudou policriatividade e lecionou pintura e criatividade. Lourenço formou grupos de pintura que expõem no Brasil e exterior. Atualmente, em seu ateliê, reúne artistas plásticos para debates, projetos e exposições, exercendo o importante papel de influenciador e formador de novos talentos. O artista também faz curadoria de mostras relevantes. 

PROGRAME-SE

Exposição Cerrado Abstrato

Quando: de 6 a 28 de outubro

Visitação:  Segunda a sexta-feira, das 9h às 21h. Sábado, das 9h às 12h

Local: Galeria de Arte Casa Thomas Jefferson Hall - SEP 706/906 Sul

Entrada livre e gratuita

Mais informações para o públicohttp://thomas.org.br/eventos/

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