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11/10/2016 Mateus Fraga O medalhista (quase) brasiliense O atleta paralímpico Guilherme Costa conta os segredos do evento e a emoção de receber um prêmio tão importante

Guilherme Costa nasceu em Manaus e ainda criança se mudou para Brasília onde vive até hoje. Hoje, aos 24 anos, o estudante de direito já possui um currículo extenso no esporte. O maior triunfo veio agora em setembro com a medalha de bronze na Paralimpíada do Rio. Aos 14 anos de idade ele sofreu um acidente que o deixou tetraplégico. A pancada do carro que estava a mais de 100 km/h lhe rendeu um traumatismo craniano, fratura exposta, duas paradas cardíacas, sete cirurgias e 20 dias em coma.

Nada disso é motivo para se lamentar. Guilherme deu a volta por cima e depois de muitas vitórias no tênis de mesa, teve no Rio em setembro, o momento máximo de sua carreira. Ao lado de Aloisio Lima e Iranildo Espíndola, ele conquistou a medalha de bronze na categoria Classe 1 a 2, para atletas com deficiência física que jogam em cadeiras de rodas. Guilherme concedeu uma entrevista exclusiva para a Revista Pepper e contou de tudo um pouco:

Revista Pepper: Como e quando começou o seu interesse pelo esporte? Como começou sua carreira no tênis de mesa?

Guilherme Costa: Eu sempre fui esportista. Meu romance com tênis de mesa começou em um hospital da rede Sarah Kubitschek cinco meses após o acidente. No primeiro dia a professora chamou minha mãe no canto e disse que eu levava jeito para o esporte. Seis meses depois que eu comecei a treinar e ganhei uma medalha no meu primeiro torneio nacional, um ano e meio depois eu estava na seleção brasileira e não saí de lá até hoje. Hoje eu sou pentacampeão brasileiro, campeão sul-americano, campeão pan-americano e já fui competir em mais de 15 países.

 

RP: Quando você se deu conta que seria uma atleta de ponta em nível mundial?

GC: Em 2010 eu coloquei na minha cabeça que eu queria ser um atleta de ponta, porém só alcancei isso de fato em 2013. Foi quando eu comecei um projeto para isso e passei a receber benefícios do governo.

 

RP: Qual a sensação de ser um medalhista Paralímpico? A emoção bate forte?

GC: Foi a minha primeira Paralimpíada, então a sensação é difícil descrever. Eu ainda estou tentando entender tudo que está acontecendo. Eu fui pro Rio pra me divertir e jogar, sem pretensão de medalha, até porque eu sabia que ia ser muito difícil. Eu estou me sentindo nas nuvens, tem uma semana que eu estou dormindo no Olimpo. A euforia das outras medalhas duravam um ou dois dias, eu já estou há algumas semanas como medalhista paraolímpico e ainda não caiu a ficha.

 

RP: Saíram muitos boatos nas Olimpíadas dizendo que a Vila Olímpica era cheio de festas, farras e sexo. Na Paralimpíada também tinha esse clima de pegação?

GC: Ah, na Vila tem festa, tem farra, tem sexo, mas aí depende do que você está buscando. Eu fui pra festa só no último dia, mas se bem que festa não tem muito não, é mais farra e sexo (risos). Farra eu não tive como fazer, porque o tênis de mesa começa no primeiro dia e vai até o último, então eu não tinha folga. E sexo, se você for atrás, você consegue, mas eu estava focado na competição.

 

RP: E aí? Partiu Tóquio 2020?

GC: Esse é o plano! Agora se reinicia o ciclo, temos que ver como vai ser a preparação. Eu estou de férias até o final do ano, tenho apenas um campeonato brasileiro para jogar e duas lesões para serem tratadas. Então vamos pensar no agora, e Tóquio só ano que vem. Focar no projeto que se inicia, porque eu quero sentir essa emoção de novo.

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