Cultura Música
05/06/2017 Redação Obra de Cláudio Santoro pelas mãos de Pablo Marquine Pianista e compositor brasiliense lança disco inédito em que aborda o primeiro volume da obra completa para piano solo de uns dos mais inquietos e polivalentes músicos de nosso tempo

Aos 12 anos, Pablo Marquine descobriu Cláudio Santoro. Ao participar de um concerto em homenagem aos 10 anos de falecimento do maestro, o pequeno pianista se viu arrebatado pela emoção que as composições de um dos maiores músicos brasileiros lhe trouxe. À medida em que crescia e se aperfeiçoava no piano, mergulhava nas composições do maestro amazonense. Até que a admiração foi muito além de tocar as partituras: Pablo resolveu estudar a vida e obra de Claudio Santoro. A partir do mestrado sobre as diferentes fases de composição do músico, Marquine percebeu que faltava um registro para piano solo da obra do maestro. Foi então que o que se tratava apenas de um trabalho acadêmico se transformou em um disco. Intitulado "Claudio Santoro: Obra Completa para piano solo. Volume I - Prelúdios", o álbum é uma homenagem à memória e o registro inédito do trabalho de um dos compositores mais importantes da história do Brasil. O CD será lançado com três concertos em Brasília, sendo o primeiro no dia 7 de junho, na Casa Thomas Jefferson, às 20h. A entrada é franca.

Com Raffaello Santoro, filho mais novo de Claudio Santoro, na engenharia de som, o disco é a primeira parte de um projeto inédito no Brasil e no mundo de gravação da obra completa para piano solo do compositor, que Pablo concluirá no doutorado que já está cursando. O álbum traz todos os prelúdios, composto por 42 músicas, gravadas em três dias, no Rio de Janeiro. Especificamente dessa obra de Santoro, eram conhecidas apenas 34 peças. Durante a pesquisa acadêmica, Pablo teve acesso a algumas peças desconhecidas e também a três versões inéditas de alguns prelúdios já conhecidos, os quais foram inseridos no disco com a interpretação do pianista. Esses prelúdios constituem-se como o único conjunto de obras para piano solo e perpassam por todas as diferentes fases estéticas do maestro. "Nenhuma composição é igual a outra, por mais que pertençam a mesma fase. Eu ouso dizer que, talvez, os prelúdios sejam as peças de Claudio Santoro mais difíceis de interpretar", disse Pablo Marquine.

A razão do projeto de gravação da obra completa de Claudio Santoro para piano solo surgiu a partir da observação de Pablo sobre a falta de registro de figuras históricas brasileiras, sobretudo na música. Para o pianista, a essência histórica do Brasil é relegada somente aos heróis. Essa visão particular da realidade é muito fácil de ser contada mas, no fundo, é pouco substancial. Pablo, então, sentiu a necessidade de tonar essa obra do compositor ainda mais conhecida e colocá-la também em um patamar internacional. "Não há no Brasil e no mundo nenhum registro da obra completa do maestro para piano solo", salienta o pianista. "Se não me engano, dos grandes compositores eruditos brasileiros, só Heitor Villa-Lobos tem a obra completa para piano solo. Santoro tem 14 sinfonias escritas e mais de 600 composições completas. Precisamos resgatar essa figura tão importante da música", explica Marquine.  

Como em toda pesquisa acadêmica, é preciso trazer algo que nunca foi feito e o pianista se aprofundou no trabalho do maestro e na história da música no Brasil. "Me deparei com uma situação interessante. No acervo havia partituras que ainda não tinham sido editadas", disse Pablo. Ao editá-las, o pianista sentiu a necessidade de torná-las conhecidas e a ideia da gravação de um disco começou a tomar forma. "Aquelas composições falaram ao meu coração, aos meus anseios como artista. Percebi que tinha algo para oferecer ao mundo", explica o pianista.

A força e a paixão que Claudio Santoro tinha como compositor, demonstradas em todo seu trabalho, foram determinantes também para uma mudança pessoal em Pablo Marquine. Na universidade, o pianista foi convidado a participar do acervo digital do maestro, onde sua função era digitalizar as cartas escritas pelo compositor. Chamava-lhe a atenção a inteligência e fortes convicções de Santoro, além da influência entre grandes músicos do mundo todo. "Fui me encantando cada vez mais com o músico e a pessoa que ele era", lembra Pablo. Esse contato o levou a ver um outro lado da composição, o da história da música. "Isso mexeu muito comigo. Haviam cartas que representavam o que acontecia na época, a respeito de discussões estéticas de vanguarda, concepções filosóficas e ideológicas da música". 

Hoje, Marquine se dedica ao doutorado sobre a obra completa de Claudio Santoro para piano solo. Para o pianista, a conclusão de todo esse trabalho - a gravação de outros discos - irá marcar a história da música brasileira nacional e internacional. "Não tenho nenhuma pretensão, porque a obra de Santoro merece esse patamar", afirma Marquine. "Acredito que o Brasil precise de um trabalho assim. Esse é só início. Ainda tem muito chão para correr".

Após os concertos de lançamento em Brasília, Marquine segue em turnê nacional, passando pelo Rio de Janeiro e São Paulo. Depois, segue para o exterior com concertos nos Estados Unidos e na Europa.

Saiba mais sobre Pablo Marquine

Natural de Sobradinho/ Brasília, é pianista e compositor. Iniciou seus estudos ao piano ainda criança, aos cinco anos de idade. Com mais de 25 anos como único instrumento o piano, teve como percurso musical instituições renomadas como a Escola de Música de Brasília, duas graduações na Universidade de Brasília, Mestrado em Musicologia no Programa de Pós-graduação no Departamento de Música da Universidade de Brasília, e cursa o Doutorado em Musicologia/ Performance na University of FLorida, cujo tema de sua tese é a obra completa para piano solo de Claudio Santoro.

Aos 11 anos ingressou à Escola de Música de Brasília (CEP-EMB), e aos 12 anos iniciou seus estudos na classe de Aglaia Souza. Logo no primeiro ano, teve a oportunidade de interpretar alguns prelúdios de Claudio Santoro e é desde esse momento, que se apaixona por sua música. Devido ao intenso metiê musical, terá a oportunidade de ter em sua formação musical grandes mestres, e estudou harmonia e contraponto com Marden Maluf, Instrumentação e Orquestração com Lincoln Andrade, Demétrio Bogéa entre outros. Além da vivência musical, teve a oportunidade de participar de master-classes com pianistas de diversos países e pianistas renomados do Brasil e Exterior. Ao graduar-se em técnico em piano erudito, foi considerado um dos melhores pianistas que já estudaram na escolha de música de Brasília, sendo elogiado por sua professora Alda de Mattos, Vítor Duarte e por Bohumil Med.

Enquanto aluno de destaque da presente instituição, foi convidado para participar dos principais eventos referente ao piano, destacando-se a Semana Internacional Villa-Lobos, no qual foi solista convidado, e a Semana Internacional Chopin, no qual também foi solista convidado e, devido ao mérito, foi convidado por Levino de Alcântara a estrear o piano de sua cidade com o concerto de Muzio Clementi, para piano e orquestra. Optou por cursar o técnico em piano erudito, formando-se em 10 anos mais tarde na classe da renomada pianista Alda de Mattos, principal aluna de Arnaldo Estrella.

Pablo faz parte do Duo Brasiliano, ao lado da flautista Sammille Bonfim. O grupo começou simples, como uma aproximação entre amigos de universidade para boa música. E o que era incipiente, tornou-se uma formação sólida com respeito no ambiente musical de Brasília. Com intensa atividade, o Duo Brasiliano já se apresentou fora do país. Desenvolveram um trabalho de democratização da música, com novas composições, e um novo repertório para piano e flauta de música brasileira e internacional.

Também foi convidado como regente assistente do Coral ASBAC, regido por Antonio Sarazate, para o festival internacional de Coros da Hungria, turnê realizada na Europa Oriental e fez apresentações em Budapeste (Hungria), Praga (República Tcheca), Bratslava (Eslováquia) e Viena (Áustria). O repertório desenvolvido acerca-se da música brasileira, seja erudita ou popular, com grande variedade técnica.

Com o Madrigal da UnB, trabalhou como correpetidor junto ao maestro David Junker no Festival Internacional de Coros de Cabo Frio e outras apresentações. Estudou com Me. André Tribuzzi na Suíça. Nesse momento foram trabalhados obras de J.S. Bach, L. v. Beethoven, F. Mendelssohn, F. Chopin e Bártok. Cursou o mestrado em Musicologia sob a orientação de Beatriz M. Castro. No mestrado, foram produzidas edições inéditas de algumas obras para piano solo de Claudio Santoro, e concomitante, foram estreadas em uma turnê internacional no Brasil, Itália, Portugal e Hungria, no projeto Faces do Piano Brasileiro: Claudio Santoro e Luiz Eça, junto ao pianista Diogo Monzo. Atualmente, cursa o Doutorado em Musicologia sob a orientação de Dr. Silvio dos Santos, e cursa a Performance em Piano como área cognata, aluno de Dr. Hee Jung Kang. 

Sobre Claudio Santoro

Claudio Santoro foi exímio compositor e maestro. Natural do estado do Amazonas, foi um artista sensível, criativo e polêmico, premiado e reconhecido internacionalmente, tendo como principais países de seu metiê composicional Alemanha, Áustria, Brasil, França, Itália, Rússia e Suíça. Foi fundador do Curso Superior de Música da Universidade de Brasília e fundador da Orquestra do Teatro Nacional Claudio Santoro, que recebeu seu nome como homenagem após seu falecimento (em plena regência de um ensaio) em 1989. Para o maestro e compositor Claudio Santoro, Brasília sempre foi um símbolo de renovação, de transformação, terra de possibilidades para a construção de um novo país, um novo Brasil.

Serviço
Concertos de lançamento do álbum "Claudio Santoro: Obra Completa para piano solo. Volume I - Prelúdios"

Data: 7 de Junho, às 20h
Local: Casa Thomas Jefferson - SEPS 706/906 conjunto B - Asa Sul
Entrada franca

Data: 19 de Junho, às 20h
Local: Escola de Música de Brasília - Quadra 602 - Módulo D, Av. L2/Sul - Asa Sul
Entrada franca

Data: 5 de Julho, às 20h
Local: Área Especial, Q 12 - Sobradinho
Entrada franca

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