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15/03/2017 Redação OBRAS DE RUBEM VALENTIM SÃO EXPOSTAS NA CAIXA CULTURAL BRASÍLIA Mostra resgata a produção do artista, que contribuiu para a história da arte brasileira. A entrada é franca.

A CAIXA Cultural traz para Brasília a exposição Rubem Valentim – Construção e Fé, com um rico panorama do trabalho do pintor e escultor baiano. Com início nessa terça-feira (14), o público terá acesso a cerca de 60 trabalhos que mapeiam a trajetória do artista, com ênfase na produção realizada em Brasília. O projeto reuniu peças de coleções públicas, particulares e dos herdeiros do artista. A entrada é franca.

Considerado um dos mestres do construtivismo brasileiro, as primeiras experiências de Valentim foram abstratas. Movido por questões ideológicas, buscou sua ancestralidade africana e encontrou na cultura popular afro-brasileira as características que nortearam seu trabalho até o final da vida. Reelaborando o pensamento construtivista, o artista passou a empregar signos inspirando-se nas ferramentas e nos instrumentos simbólicos do candomblé, sintetizando-os nas formas geométricas. Além do construtivismo e do seu trabalho de vanguarda, Valentim se apropriou da simbologia do candomblé e desenvolveu sua arte a partir de signos da cultura afro ao som de atabaques.

A exposição também traz obras produzidas no período em que o artista viveu em Brasília. Impactado pela espacialidade da cidade, Valentim sentiu a necessidade de recortar seus símbolos e signos, concedendo-lhes a vida autônoma de objetos tridimensionais. É dessa época o mural de mármore feito para o edifício-sede da Novacap, considerado sua primeira obra pública. Em São Paulo, realizou a escultura de concreto instalada na Praça da Sé, um marco histórico na cidade.

Para Valentim, “a arte é um produto poético, cuja existência desafia o tempo e por isto liberta o homem. Isto me afeta porque sou o indivíduo tremendamente inquieto e substancialmente emotivo”. Por trás das figuras emblemáticas da pintura e escultura deste “monge do candomblé”, há um mundo de inquietações, revoltas e angústias.

Sobre o artista 
Rubem Valentim (1922-1991) nasceu em Salvador e passou a se dedicar definitivamente à pintura por volta de 1948. Envolvido com o movimento de renovação artística da Bahia, Valentim expôs seu trabalho em 1955 na mostra Novos Artistas Baianos. Neste mesmo ano participou da III Bienal de São Paulo, onde começou a ser reconhecido nacionalmente. Em 1962 recebeu o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro no XI Salão Nacional de Arte Moderna. Morou em Roma por mais de três anos e lá participou de diversas exposições coletivas e uma individual, na Casa do Brasil. Em 1966 participou do I Festival Mundial de Arte Negra, em Dacar, Senegal.

Valentim foi convidado, então, a lecionar no Instituto Central de Artes da Universidade de Brasília e ao mesmo tempo, expôs em várias capitais brasileiras e foi convidado para a I Bienal Internacional de Arte Construtiva em Nuremberg (1969). Em 1967 e 1973 recebeu os prêmios de aquisição nas IX e XII Bienais de São Paulo, entre outros prêmios, e em 1976 divulgou o Manifesto onde enumera os objetivos de sua arte. No fim da década de 1960 ele passou da bidimensionalidade para a experiência com o tridimensional, que é um processo claro em sua obra, já que suas pinturas têm uma forte distinção entre figura e fundo. A arte de Valentim sofreu rapidamente uma definição temática, que se prolongou e se renovou coerentemente por toda a sua carreira.

Serviço 
Rubem Valentim – Construção e Fé 
Local: Galeria Vitrine da CAIXA Cultural Brasília (SBS Quadra 4 Lotes 3/4) 
Abertura: dia 14 de março, terça-feira, às 19h 
Visitação: de 15 de março a 28 de maio 
Horários: de terça-feira a domingo, das 9h às 21h 
Classificação indicativa: livre para todos os públicos 
Entrada franca 
Informações: (61) 3206-9448 e (61) 3206-9449 
Patrocínio: CAIXA e Governo Federal 
Produção: Rodrigo Machado | drigo.machado@gmail.com | (61) 98654-2569

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