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00/00/0000 Orgasmo pelo cérebro sob demanda

Há uma noção meio clichezona de que o cérebro é nosso maior e mais importante órgão sexual. Mas seria possível transformar o cérebro em nosso único órgão sexual?

Um pessoal prafrentex do movimento transhumanista acredita que sim. Para essa turma, vamos parar de usar nossos pênis, vaginas e outras zonas erógenas. Nesse futuro hipotético, nos reproduziremos por meio de clonagem ou qualquer outro mecanismo alternativo e, para sentir o prazer sexual, dependeremos apenas de nossa massa cinzenta. Sexy?

No começo deste ano, entrevistei Sergio Canavero, o cientista italiano que planeja realizar o primeiro transplante de cabeça em humanos. Perguntei se ele acreditava que conseguiríamos transplantar nossas cabeças para corpos robóticos e o que isso representaria para a raça humana. Em vez de se esquivar, Canavero afirmou pensar bastante sobre o assunto, sobretudo a parte sexual.

“Proponho melhorias ao cérebro por meio de funcionalidades hiper hedonísticas — um dispositivo gerador de orgasmos”, disse Canavero. “Não sei como definiríamos essa criatura, mas seria, talvez, como uma nova espécie.\"

Você já deve ter sacado que estamos adentrando um território que parece ficção científica. Mas o comentário de Canavero me fez pensar no quão capazes somos em desencadearmos orgasmos no cérebro. Já rolam estudos sobre orgasmos não-genitais em humanos e pesquisas sobre como fazer orgasmos acontecerem só no cérebro.

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Crédito: EyeCandyRace/DeviantArt

“A percepção e sensação do orgasmo ocorrem no cérebro, então o menor dos problemas de se construir uma máquina de sexo tipo ciborgue é isolar os orgasmos na cabeça”, disse Barry Komisaruk, neurologista da Rutgers, um dos maiores especialistas na área de orgasmos não-genitais do mundo. “Lido com pessoas que tem danos severos na espinha e que mesmo assim tem orgasmos em sonho. É plausível que as pessoas tenham orgasmos em seus cérebros, é lá que eles ocorrem.”

Por mais que não exista uma santa pílula do orgasmo, houve casos isolados em queindivíduos tiveram orgasmos espontâneos atribuídos ao uso de determinada droga. No ano passado, médicos paquistaneses relataram que uma de suas pacientes tinha cinco orgasmos diários depois da ministração de um medicamento chamado rasagilina para tratar um mal de Parkinson precoce.

No caso em questão, tratava-se de uma reação indesejada e, após a suspensão do medicamento, os orgasmos cessaram. Komisaruk crê que a rasagilina desencadeou uma liberação absurda de dopamina no cérebro da mulher, levando-a ao orgasmo. Para minha infelicidade, a paciente estava em um cruzeiro e não pôde conversar comigo.

Em outro caso, o medico especializado em dor Stuart Meloy implantou um dispositivo na espinha de uma paciente. Os sinais emitidos pelo aparelho ajudaram a controlar a sua dor, mas também induziram orgasmos. Meloy patenteou seu “orgasmatron” e deu de cara com o fato de que ninguém estava disposto a fabricar o produto em larga escala. Segundo ele, cada exemplar custaria US$ 25 mil na época.

Mas será que não dá pra baratear isso? Ou fazer de outro jeito?

Komisaruk já conduziu testes com gente se masturbando dentro de um aparelho de ressonância magnética, que mede o fluxo sanguíneo em partes específicas do cérebro. “Quando observamos um orgasmo, o cérebro inteiro se ativa”, disse. “Ocorre uma sobrecarga gigantesca.”

Mas Jim Pfaus, psicólogo sexual da Universidade de Concórdia, em Montreal, afirma que não é tão simples assim. “Uns podem ter efeito mais sedativo do que prazeroso, enquanto outros passam pelo contrário. Subjetivamente, existem vários ‘orgasmos’ que refletem o processamento realizado pelo cérebro do que você sente.\"

Komisaruk afirma que, apesar dessas diferenças, elas não são tão grandes em termos neurológicos e entre orgasmos femininos e masculinos. Ele disse que, caso você observe os vídeos de sua pesquisa com homens e mulheres, não seria possível saber quem é quem.

Tanto Komisaruk quanto Pfaus afirmam que seria possível criar uma pílula ou interface cerebral que gere orgasmos. Isso, claro, nos leva à questão de porquê faríamos isso. Pfaus diz que qualquer forma de ativar um orgasmo cerebral seria desapontadora e usada à exaustão.

“As reações motoras do que estamos fazendo quando chega a hora de um orgasmo e as sensações que temos com a sua aproximação não viriam com uma pílula”, disse. “Mas se a pílula em si induzir um estado similar ao de orgasmo, poderia se assemelhar à heroína, o que leva ao abuso. Seria diferente de um orgasmo porque não exigiria reações motoras e sensoriais.\"

Komisaruk resume da melhor maneira: “Pessoalmente, creio que é como uma pílula de filé mignon. Eu preferiria comer um filé de verdade a tomar uma pílula.\"

 

Fonte: Motherboard Vice

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