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(Fotos: Glacya Braga)
(Fotos: Glacya Braga)

Eventos, reuniões, almoços ou happy hours. São inúmeras as maneiras como podemos desfrutar de bons momentos dentro do convívio social. Basta bom senso e criatividade para a alta gastronomia se desvincular daquela imagem do passado, de um ambiente refinado em que se servem porções pequenas. A Associação de Bares e Restaurantes do DF (Abrasel) defende o interesse e o desenvolvimento de um setor que engloba cerca de 10 mil estabelecimentos de alimentação fora do lar no Distrito Federal. À frente da associação desde 2010, o empresário Jaime Recena, 33 anos, comenta os caminhos trilhados e a realidade vivida para atender ao público.

Revista Pepper – É crescente na cidade o aparecimento de casas que valorizam o paladar. Fale um pouco sobre esta tendência de apreciar e saborear, entre outros, cervejas e drinks. 
Jaime Recena – Primeiro vale lembrar que cidade é o terceiro polo gastronômico do país. E hoje as pessoas viajam não apenas para visitar monumentos, mas também para conhecer aromas e sabores dentro de um contexto de lazer.  O consumidor exige cada vez mais qualidade nos insumos e matérias primas. Em relação ao consumo de vinho, lembro que sua degustação já é comum há bastante tempo. A diferença é que agora o público estuda para se aprofundar no tema. Seguindo esta evolução natural do mercado, hoje o barman já desfruta do mesmo status de um sommelier ou de um barista. Este profissional que serve os drinks na balada está cada vez dedicado à elaboração de novas combinações. Da mesma forma que cada vez há mais opções de cervejas artesanais. É um mercado que busca constantemente apresentar novas marcas. E uma consequência dessas novidades foi atrair cada vez mais o público feminino para a degustação de cerveja. Um exemplo foi a apresentação de cervejas adocicadas com mel, canela ou cravo.

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R.P – Hoje, quando uma pessoa sai para beber, pensa duas vezes antes de pegar no volante. O temor de ter que pagar uma alta fiança, além das penalidades pesadas, alterou a rotina do cidadão. A instauração da Lei Seca vem acarretando prejuízos para o setor? E quais as alternativas para contornar essa situação?
J.R – Primeiro quero deixar bem claro que não defendo a combinação álcool e volante. Mas, em relação à Lei Seca, vale lembrar que antes já havia uma tolerância mínima onde uma pessoa podia degustar de uma taça de vinho e podia dirigir para casa. Mas, quando a lei atingiu a tolerância zero, na prática criminalizou praticamente metade da população brasileira. A injustiça foi que o governo se preocupou apenas em punir sem dar alternativas de mobilidade segura e de qualidade durante a noite. E mesmo o táxi é uma alternativa muito cara e é inviável para muitas das pessoas. Eu considero que falta ainda uma campanha educacional ao ponto de causar uma transformação cultural nas pessoas, da mesma maneira como foi feita com a faixa de pedestre.

R. P – Haveria um limite para o consumo seguro de álcool?
J.M – Tudo na vida deve ser apreciado com certa moderação e o exagero não faz tão bem à saúde nem à pessoa ao lado. Com tantas variedades, o ideal é desfrutar de todas elas para não prejudicar a saúde ou ficar inconveniente. O problema é que muitas vezes o segmento dos bares é mal visto pela sociedade, mas ele é um local de convívio onde florescem muitas manifestações culturais ou políticas. Na prática a cidade se reflete nesses estabelecimentos, que além de oferecer boa gastronomia, é um ambiente apropriado para um bate papo ou aliviar o stress do dia a dia. E não tem jeito, pode ser copo sujo ou não, cada um tem o seu charme.

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R.P – Uma realidade observada nos estabelecimentos voltados à diversão noturna é sua ascensão e queda meteórica. Sempre vem a boate da moda que surge de repente com pompa e casa sempre cheia, mas aos poucos vai enfraquecendo até seu fechamento. Qual a sua observação sobre esta realidade?
J.M – Brincamos entre nós mesmos que as boates duram tanto quanto um hit de música baiana, ou seja, apenas um verão. Uma característica do mercado que deve ser levado em consideração é o lado forte de Brasília na produção de eventos, além das festas tradicionais. Cada vez mais a cidade é brindada com atrações de peso. É necessário que as casas noturnas aprendam a coexistir neste cenário. Por consequência muitas delas evitam a concorrência do fim de semana promovendo festas nos dias úteis. Outra saída encontrada por elas é também trazer atrações de peso.

R.P – Uma situação que ocorre durante a noite são as “carteiradas”, quando policiais armados entram de graça nos eventos. Qual a sua opinião sobre este fato?
J.M – Este é um assunto bastante delicado. Já ouvi relatos de mais de 300 policiais entrarem dessa forma em um grande evento. Os agentes alegam estarem em serviço, e muitas vezes chegam a ameaçar quando são questionados em relação a sua conduta. Além dos prejuízos financeiros, o responsável pelo evento fica tenso quando tem ciência de que há pessoas consumindo álcool portando armas de fogo. Eu aproveito a oportunidade para um convite ao debate público para esta realidade da mesma envergadura da de dirigir embriagado. Eu peço um entendimento entre todos os atores da sociedade envolvidos para evitar desentendimentos e faço um apelo às respectivas corregedorias para buscar conosco uma solução para esta pequena parcela do efetivo que pode manchar a imagem de um profissional sério.

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R.P – Qual a importância do setor de alimentação fora do lar para a economia do Distrito Federal?
J.M – Esta área da gera aproximadamente 150 mil empregos diretos e é a maior arrecadação do Simples no Distrito Federal. Uma importante característica deste segmento é que ele absorve mão de obra não qualificada. Em outras palavras, a própria casa que dá treinamento ao funcionário lhe dá chances reais de construção de carreira dentro do estabelecimento.

R.P – Brasília tem crescido tanto em destinação turística bem como no número de estabelecimentos do setor de entretenimento. Tanto que, até um tempo atrás, as pessoas não cogitavam passar o réveillon ou carnaval na cidade. Quais os gargalos que atravancam a franca ascensão desta indústria?
J. M – Há uma correlação muito equivocada dos consumidores de que os preços praticados pelo estabelecimento são muito superiores aos encontrados nos supermercados. O problema é que, como vários setores da economia, além do alto preço do aluguel, sofremos uma carga tributária muito pesada. Mesmo o abatimento das empresas de cartão de crédito pesa na nossa balança. No fim nossa margem média de lucro é de 10% a 15% do faturamento bruto. Isto causa um sufocamento e quem perde é a sociedade. Além disso, outra necessidade urgente é desburocratização. É gritante a falta de investimento para o empreendedorismo e o empresariado sofre com o tempo para abrir uma pessoa jurídica. Somente com a melhoria na gestão pública é que criaremos novos postos de trabalhos.

R.P – Agora faça uma sugestão de roteiro para um visitante poder desfrutar o que há de melhor em entretenimento e gastronomia na cidade.
J.R – Bem, eu na condição de presidente de uma associação me complico sugerindo aquele ou outro restaurante ou bar. Mas sugiro ao turista conhecer os vários cartões postais que embelezam a cidade. Uma dica é baixar o aplicativo da Abrasel para celular, que vai lhe dar dicas preciosas. De qualquer maneira, viva a cidade, tenho a certeza de que terá uma experiência única e muito agradável.

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