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28/05/2019 HypeScience Qual é o seu propósito de vida? Ter um está ligado à melhor saúde: estudo

De acordo com um novo estudo da Universidade de Michigan (EUA), ter um propósito na vida pode diminuir o seu risco de mortalidade.

Os pesquisadores analisaram dados de aproximadamente 7.000 adultos americanos entre 51 e 61 anos e descobriram que aqueles que não tinham um propósito de vida forte – definido como “um objetivo de vida maior que estimula outras metas” – eram duas vezes mais propensos a morrer entre os anos do estudo (de 2006 a 2010). As mortes foram principalmente de doenças cardiovasculares.

 

A associação entre um baixo nível de propósito na vida e morte permaneceu verdadeira independentemente do sexo, etnia, status econômico ou nível de escolaridade.

 

Segundo os cientistas, a ligação é tão poderosa que ter um propósito de vida pareceu ser mais importante para diminuir o risco de morte do que não beber, não fumar ou se exercitar regularmente.

Em busca de um significado

O novo estudo contribui para um pequeno, mas crescente corpo de literatura científica sobre a relação entre propósito de vida e saúde física.

Por exemplo, um artigo publicado na revista Psychosomatic Medicine em 2016 por Alan Rozanski, professor da Faculdade de Medicina Icahn (Nova York, EUA), reuniu dados de 10 estudos que mostraram que um forte propósito de vida estava associado à redução do risco de mortalidade e eventos cardiovasculares, como ataques cardíacos e derrames.

Além disso, diversos cientistas e autores já exploraram a relação da filosofia japonesa conhecida como ikigai, simplesmente traduzida como a “felicidade derivada de estar ocupado em alguma atividade que contém significado e propósito” para você, com a saúde.

O ikigai, ou ter um forte senso de propósito na vida, é a teoria que parece explicar a longevidade de uma comunidade japonesa da ilha de Okinawa – seus moradores têm a maior expectativa de vida do mundo.

 

O método do novo estudo

Os pesquisadores do novo estudo retiraram seus dados de uma grande pesquisa com adultos americanos chamada “Health and Retirement Study”. Os participantes foram convidados a responder uma variedade de perguntas sobre temas como finanças, saúde física e vida familiar.

Um subconjunto deles preencheu também questionários psicológicos, incluindo perguntas projetadas para entender quão forte era o seu propósito de vida. Por exemplo, os participantes tinham que classificar suas respostas a afirmações como: “Algumas pessoas vagam sem rumo pela vida, mas eu não sou uma delas”.

Os pesquisadores usaram as respostas a essas questões para quantificar quão forte era o propósito de vida de cada participante, comparando então essas informações aos dados sobre a sua saúde física, incluindo falecimentos.

O questionário não pediu aos participantes para definir como eles encontravam sentido na vida. O que importa, de acordo com os pesquisadores, não é qual é o propósito da vida de uma pessoa, mas sim se ela tem um.

“Para alguns, pode ser criar filhos. Para outros, pode ser trabalho voluntário. De onde vem a sua realização na vida pode ser muito individual”, explicou a professora de epidemiologia da Universidade de Michigan, Celeste Leigh Pearce, uma das cientistas envolvidas no estudo.

A ideia de pesquisar esse tópico veio de Aliya Alimujiang, doutoranda em epidemiologia na Universidade de Michigan e principal autora da pesquisa. Seu interesse surgiu quando Alimujiang trabalhou como voluntária em uma clínica de câncer de mama, antes de começar a pós-graduação. Lá, ela ficou impressionada com a forma como as pacientes que conseguiam articular como encontravam sentido na vida pareciam se sair melhor.

 

Essa experiência ajudou-a a definir parte do propósito de sua própria vida: pesquisar o fenômeno. “Eu tinha uma relação muito próxima com as pacientes com câncer de mama. Eu vi o medo, a ansiedade e a depressão que elas tinham. Isso me levou a me candidatar a uma pós-graduação. Foi assim que comecei minha carreira”, conta Alimujiang.

 

Próximos passos

Embora a ligação entre propósito de vida e bem-estar físico pareça forte, mais pesquisas são necessárias para explorar a conexão fisiológica entre os dois fatores. Por exemplo, será que ter um baixo propósito de vida está ligado a altos níveis de hormônios do estresse?

Além disso, os pesquisadores esperam estudar estratégias de saúde pública – como tipos de terapia ou ferramentas educacionais – que possam ajudar as pessoas a desenvolver um forte senso de propósito na vida.

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