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00/00/0000 Ricos creem mais no "jeitinho"

Segundo a pesquisa, \"a grande maioria dos brasileiros entende que a lei pode ser facilmente ignorada e que esse comportamento é generalizado\". O levantamento não verificou se essas mesmas pessoas usam o \'jeitinho\' ou desrespeitam as leis: mediu apenas a crença predominante na sociedade a respeito do tema.

\"Esses dados reforçam o senso comum de que no Brasil \'as leis ficam apenas no papel\', contribuindo para a disseminação de uma \'cultura de desrespeito à lei\'\", diz o estudo.

O levantamento foi feito pela Fundação Getúlio Vargas com 7.176 pessoas em oito Estados. A percepção de que é possível driblar leis com \'jeitinho é mais comum entre os mais escolarizados e com renda mais elevada, segundo o levantamento. São Paulo e Rio de Janeiro são os dois Estados em que a crença de que é fácil desobecer às leis é mais disseminada.

Entre os entrevistados com baixa escolaridade, 76% acreditam ser fácil desobedecer às leis. O percentual é de 84% entre os mais escolarizados.

A percepção de que sempre é possível \"dar um jeitinho\" cresce de acordo com a renda do entrevistado, abrangendo 69% dos entrevistados com rendimento de até um salário mínimo; 79% com rendimento de um a quatro salários mínimos; 82% dos com rendimentos entre quatro e oito salários mínimos; e 86% dos com rendimento superior a oito salários mínimos.

\"Quanto mais recursos e informações uma pessoa possui, e quanto menor a vulnerabilidade econômica e social a que ela está sujeita, mais ela parece concordar com a facilidade de desrespeitar as leis no país\", diz o documento.

O estudo compara o que chama de \'cultura de desrespeito à lei\' ao conceito usado por Mauricio Garcia-Villegas, ao interpretar a herança da colonização portuguesa e espanhola na América Latina, segundo o qual \"burlar a norma não é visto ou sentido como algo moral ou socialmente reprovável\".

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública acompanha diversas estatísticas relacionadas à violência no Brasil, como total de assassinatos, estupros, roubos de carros entre outros crimes.

Na conclusão geral, o documento diz ser possível, com as políticas certas e menos morosidade da Justiça, reduzir o número de assassinatos no país em até 70%.

 

Fonte: BBC

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