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00/00/0000 Sabesp quer induzir chuvas artificiais no Sistema Cantareira
Estiagem histórica gera racionamento de água em cidades de SP Sergio Castro/29.01.2014/Estadão Conteúdo
Estiagem histórica gera racionamento de água em cidades de SP Sergio Castro/29.01.2014/Estadão Conteúdo

A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) contratou uma empresa para induzir chuvas artificiais no Sistema Cantareira — os reservatórios estão no nível mais baixo desde 1974. A tecnologia permite a aceleração da precipitação de chuvas sem o uso de produtos químicos, em um processo conhecido como semeadura de nuvens.

Na quarta-feira (5), segundo a diretora da empresa ModClima, Majory Imai, foi possível produzir chuva artificial a nordeste de Bragança Paulista.

— Foi uma chuva pequena, mas já foi um bom sinal.

De acordo com a diretora, desde 2001, a Sabesp mantém contratos operacionais de médio prazo com a empresa para otimizar chuvas no sistema.

— Em anos anteriores não fomos requisitados porque choveu muito. Agora, com toda a seca, a Sabesp nos contatou e deslocamos parte de uma equipe que estava fazendo chover em lavouras de soja, na Bahia.

Segundo Majory, não basta querer produzir chuva: é preciso que existam nuvens de bom porte.

— Montamos uma operação para trabalhar toda nuvem boa que se aproximar do Cantareira. Nesse momento, o céu está muito limpo.

O funcionamento do processo de \"fazer chover\" é relativamente simples. Um avião solta gotículas de água na base das nuvens. As gotas ganham volume e, quando estão pesadas o suficiente, a chuva localizada acontece. Segundo a empresa, chove de 5 a 40 milímetros. O tempo de semeadura dura entre 20 e 40 minutos.

De acordo com Neide Oliveira, do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), há previsão de chuvas significativas entre os dias 13 e 14 deste mês.

— Hoje [quinta-feira], aumentou um pouco a quantidade de nuvens, mas elas estão rasas

Para o presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, a experiência internacional indica que a eficiência da semeadura, também conhecida como bombardeamento de nuvens, é limitada.

— Há uma situação curiosa: a nuvem é bombardeada, mas não se sabe exatamente onde vai chover.

Para Braga, a medida mais importante é a conscientização da população.

— A situação é muito grave, e a população tem de responder usando menos água.

Ao ser questionada sobre o contrato com a ModClima e a eficácia da semeadura, a Sabesp não quis comentar.

Menos água

Os Ministérios Públicos Estadual e Federal recomendaram à ANA (Agência Nacional de Águas) e ao Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), do Estado de São Paulo, que suspendam a autorização dada à Sabesp de usar o banco de águas para abastecer a Grande São Paulo.

Nesta sexta-feira (7), além da vazão de 24,8 metros cúbicos por segundo, a Sabesp usa 8,3 m³/s do Cantareira para a região metropolitana, enquanto as bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí, que abastecem dezenas de municípios, recebem descarga de 3,1 m³/s.

O presidente da ANA, Vicente Andreu, afirmou que a Sabesp poderá usar o banco de águas.

— Até a construção de novos padrões, vai operar dentro do marco regulatório.

Segundo ele, será avaliado o padrão de consumo diante dos estímulos que estão sendo dados pelas companhias de distribuição, como descontos ou multa.

A situação atual, de acordo com Andreu, deve levar a um adiamento das audiências públicas em torno da renovação da outorga do Sistema Cantareira, marcadas originalmente para a próxima semana. 

Fonte: R7

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