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22/09/2017 Redação Um relicário para dois, por favor fica em cartaz em curtíssima temporada no teatro Canto da Auge Andréa Alfaia, autora do texto e atriz em cena, mergulha na intimidade de uma mulher de 40 anos que nunca conseguiu se desvencilhar de um amor que ela conheceu aos 18 anos. A personagem Lia Albuquerque acredita que o amor é uma aventura solitária, mesmo quando vivida a dois

“Eu nem sonhava te amar deste jeito

Hoje nasceu um novo sol no meu peito

Quero acordar te sentindo ao meu lado

Viver o êxtase de ser amado”

Guilherme Arantes 

“Ela construiu uma bolha onde esse amor é cultivado, mas não tem a real noção dessa relação que, na verdade, é só vivida por ela”, esclarece Andréa Alfaia, atriz e dramaturga. Em seu terceiro texto, Andréa nos apresenta uma mulher que constrói um mundo à parte com esse homem, que ela ama há 22 anos. O monólogo fica em cartaz em setembro (dias 23, 24 e 30) e outubro (1,7 e 8), no espaço do Canto da Auge, sempre às 20h. A direção é de Arthur Tadeu Curado.

A personagem é uma mulher aparentemente bem resolvida. Bem-sucedida profissionalmente, mas com a vida afetiva completamente bagunçada. Lia é madura para o mundo corporativo, mas a sua inteligência emocional não acompanha a sagacidade da profissional. “Uma mulher não deixa de ter fantasias amorosas mesmo com 40 anos, mas também não tem mais essa ingenuidade. Quando chegamos aos 40, não somos mais a mulher linda, cheia de coragem e óvulos férteis para oferecer para o mundo. Lia representa essa mulher”, adianta Andréa.

O homem por quem Lia nutre esse amor se casou, formou família e mesmo assim eles se encontram esporadicamente. Numa manhã, em casa, Lia recebe um telefonema que vai mexer profundamente com ela e mudar o rumo dessa história de 22 anos. “Escrevi essa peça porque para mim o amor é uma aventura solitária mesmo vivida há dois. Resolvi falar dessa realidade paralela que criamos em volta de uma relação”, justifica a autora, que completou 40 anos em 2017.

Amizade e parceria profissional

O diretor do monólogo, Arthur Tadeu Curado, é amigo de Andréa há mais de duas décadas. Curado, que também é ator, foi dirigido por Andréa na montagem do segundo texto dela, o elogiado Canção para se dançar sem par. “Fazíamos oficina de teatro na Casa do Teatro Amador. Ele era o garoto prodígio da oficina do Celeiro das Antas, com o Humberto Pedrancini. Ele admirava minha independência e empáfia e eu a sua capacidade de ser tão maduro com aquela idade”, lembra Andréa.

Arthur foi fazer intercâmbio na Austrália. Quando voltou reencontrou Andréa, já na faculdade Dulcina de Moraes.  Veio então o convite para fazer o Complexo de Cinderela, texto de Arthur, em que Andréa atuou em duas versões e temporadas diferentes. “Nesse espetáculo eu dava muitos pitacos no texto de Arthur, foi quando ele, muito irritado, disse para eu fazer o meu, já que tinha tantas ideias”, diverte-se. Andréa seguiu o conselho e apresenta o terceiro texto de sua carreira, Um Relicário para dois, por favor. “Somos amigos, ele me conhece. Esse texto tem muito de mim, por falar dessa mulher de 40. Nada mais seguro do que chamá-lo para a direção”. 

Andrea Alfaia

Andréa Alfaia, 40 anos, começou sua trajetória no teatro em 1995, na antiga Casa do Teatro Amador (hoje Teatro Plínio Marcos). Formada em Artes Cênicas pela Faculdade Dulcina, fundou o projeto de revitalização da Sala Conchita de Moraes, conhecido como Viva Conchita Viva!. Em 2005 estreou como diretora e dramaturga, assinando dois espetáculos: “Pisando em Plumas” e o premiado “Canção para se dançar sem par” que, depois de temporadas bem-sucedidas em várias cidades do Brasil, seguiu em turnê pela América do Sul, em 2010. 

Andréa esteve em produções assinadas por Arthur Tadeu Curado (Complexo de Cinderela), José Regino (História de algum lugar), Irmãos Guimarães (Arsênico e Alfazema) e Fernando Marques (A4). Em 2015, começou a trabalhar como preparadora de elenco para o cinema e seu mais recente trabalho é o curta “Lugar de Gente Feliz”, de Wesley Godim, onde também assina a primeira assistência de Direção de Arte. 

Arthur Tadeu Curado

O ator, diretor teatral e dramaturgo de 35 anos formou-se na escola de teatro Casa das Artes das Laranjeiras (CAL). Idealizou o espetáculo "Dois Perdidos", a partir da obra de Plínio Marcos, em 2003, mesmo ano em que escreveu e dirigiu o espetáculo "Complexo de Cinderela". Em 2005, encabeçou o projeto Viva Conchita Viva!, a de estrear o espetáculo autoral “Dois de Paus”, que fez turnê nacional por 40 cidades do Brasil, pelo Projeto Palco Giratório (Sesc). Em 2006, estreou o espetáculo “História Redonda Sobre o Nada”, que teve montagem portenha em 2008, e ficou em cartaz por sete meses no Espaço Konex, em Buenos Aires. Em 2007, atuou no espetáculo “Canção para se dançar sem par”, de Andréa Alfaia.  

Em 2012, fundou a Cia. Provisória de Teatro e estreou novas versões de seus dois maiores sucessos: “Dois de Paus” e “Complexo de Cinderela”, no Teatro do Brasil 21 Cultural. Neste mesmo ano, ganhou da ONG Estruturação o prêmio de Direitos Humanos BEIJO LIVRE, por “Dois de Paus”.  Atuou no espetáculo-solo “(M)Eu Caio, Mais Uma de Amor”, uma biografia teatral do escritor Caio Fernando Abreu, em 2012 e em 2014, estreou a comédia “Muito Barulho Por Nada”, de Willian Shakespeare, com tradução própria.  No ano de 2016, subiu ao palco para contar a história de "Uma Criatura Dócil", de Dostoiévski, no Teatro da Livraria Cultura, em Brasília.

Serviço  

Um relicário para dois, por favor

Direção: Arthur Tadeu Curado

Texto e atuação: Andréa Alfaia

Local: Canto da Auge – 705 Norte, bloco L, casa 19 – Asa Norte

Datas: 23, 24 e 30 de setembro e 1, 7 e 8 de outubro de 2017

Horário: 20h

Ingressos: R$ 40 inteira e R$ 20 (meia-entrada)

Lotação: 25 lugares

Classificação indicativa: 16 anos

Informações: (61) 98425-7270

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