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24/01/2019 União Europeia pede eleições livres na Venezuela
"Nota do bloco europeu não menciona diretamente a iniciativa de Juan Guaidó, que se declarou presidente interino da Venezuela."

   A União Europeia fez um apelo na noite de quarta-feira (23) para a organização de “eleições livres e credíveis” na Venezuela. A declaração aconteceu no dia em que o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Juan Guaidó, declarou-se presidente interino.

A nota divulgada pela União Europeia, no entanto, não menciona diretamente a iniciativa de Guaidó, que já foi reconhecida por vários países, entre eles, o Brasil e os Estados Unidos. Nicolás Maduro, que se diz alvo de um golpe, afirmou que não vai se render.

 

No dia em que os venezuelanos foram às ruas em manifestações pró e contra o governo chavista, a Alta Representante para a Política Externa da União Europeia, Federica Mogherini, afirmou em nota que o povo da Venezuela “pediu maciçamente a democracia e a possibilidade de determinar livremente seu próprio destino. Essas vozes não podem ser ignoradas”.

 

“A UE apela fortemente ao início de um processo político imediato que conduza a eleições livres e credíveis, em conformidade com a ordem constitucional”, diz a nota de Mogherini. "A UE apoia plenamente a Assembleia Nacional como instituição democraticamente eleita cujos poderes devem ser restaurados e respeitados."

 

Mogherini ainda defende que "os direitos civis, a liberdade e a segurança de todos os membros da Assembleia Nacional, incluindo o seu Presidente, Juan Guaidó, devem ser observados e plenamente respeitados”. Guaidó já foi detido há alguns dias após declarar estar disposto a assumir a Presidência.

 
Juan Guaidó exibe cópia da Constituição e segura bandeira da Venezuela durante manifestação em Caracas na qual se declarou presidente interino do país, na quarta-feira (23) — Foto: Reuters/Carlos Garcia Rawlins

Juan Guaidó exibe cópia da Constituição e segura bandeira da Venezuela durante manifestação em Caracas na qual se declarou presidente interino do país, na quarta-feira (23) — Foto: Reuters/Carlos Garcia Rawlins

 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também fez um apelo pelo diálogo para evitar “um desastre” no país.

 

"O que esperamos é que o diálogo seja possível e evitar uma escalada que nos levaria a um tipo de conflito que poderia ser um desastre para o povo da Venezuela e para a região", declarou.

 

"Os governos soberanos têm a possibilidade de decidir o que querem. O que nos preocupa na situação da Venezuela é o sofrimento do povo da Venezuela", completou.

 
Centenas de milhares de manifestantes lotam ruas de Caracas, capital da Venezuela, contra Nicolás Maduro — Foto: Adriana Loureiro/Reuters

Centenas de milhares de manifestantes lotam ruas de Caracas, capital da Venezuela, contra Nicolás Maduro — Foto: Adriana Loureiro/Reuters

 

'Golpe'

 

Maduro acusou os Estados Unidos – primeiro país a reconhecer Guaidó como presidente interino – de dirigirem uma operação para impor um golpe de estado e anunciou o rompimento de relações diplomáticas e políticas com o país.

As autoridades norte-americanas, no entanto, não reconheceram a declaração de Maduro. Juan Guaidó já enviou um pedido às embaixadas para que funcionários não deixem o país e afirmou que manterá relações diplomáticas com todos os países.

Em discurso, Maduro afirmou na quarta que foi eleito pelo voto popular. "Só as pessoas colocam e só as pessoas removem. Pode um 'qualquer' se declarar presidente ou é o povo que elege o presidente?", questionou.

Maduro, que conta com o apoio das Forças Armadas, também prometeu resistir.

 

 

 

 
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fala da sacada do Palácio Miraflores, em Caracas, ao lado de sua mulher, Cilia Flores, e do presidente da Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello, na quarta-feira (23) — Foto: Luis Robayo/AFP

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fala da sacada do Palácio Miraflores, em Caracas, ao lado de sua mulher, Cilia Flores, e do presidente da Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello, na quarta-feira (23) — Foto: Luis Robayo/AFP

 

Brasil

 

Jair Bolsonaro reconheceu Guaidó como presidente da Venezueladurante encontro com líderes de outros países em Davos, na Suíça, onde participava do Fórum Econômico Mundial.

Questionado a sobre a crise venezuelana, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que não considerava tomar medidas militares, mas deixou claro que "todas as opções estão sobre mesa".

Hamilton Mourão, que ocupa a Presidência em razão da viagem de Bolsonaro, declarou que o Brasil não participaria de uma eventual intervenção dos Estados Unidos no país. Segundo ele, não faz parte da política externa brasileira “intervir” em questões internas de outros países.

Já a Rússia, que é aliada de Maduro, reafirmou seu apoio ao líder chavista. Em comunicado, o ministério russo das Relações Exteriores declarou que a interferência externa destrutiva é inaceitável e abre espaço para a desordem e "o banho de sangue".

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que declarações de autoridades americanas que sugerem a possibilidade de intervenção militar são muito perigosas.

"Consideramos a tentativa de usurpação do poder na Venezuela (...) como uma violação do direito internacional. Nicolás Maduro é o legítimo chefe de Estado", declarou.

Protesto na Venezuela — Foto: Manaure Quintero/Reuters

Protesto na Venezuela — Foto: Manaure Quintero/Reuters

 

Protestos continuam

 

Após a grande mobilização popular de quarta-feira em Caracas, a Venezuela continuou a enfrentar protestos durante a madrugada desta quinta-feira (24). Trata-se do 3º dia consecutivo de manifestações contra o governo de Maduro.

De acordo com a agência de notícias EFE, os protestos desta quinta-feira voltaram a se concentrar em bairros populares de Caracas, antes considerados bastiões do chavismo, que governa o país desde 1999.

Desde o início das manifestações, pelo menos 16 pessoas morreram no país, segundo a ONG Observatório Venezuelano de Conflito Social (OVCS). De acordo com o órgão, as vítimas foram atingidas por disparos e foram atacadas por agentes da polícia ou por grupos paramilitares.

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