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20/02/2019 GLAMOUR.COM Universidades adaptam cursos para formar mais CEOs mulheres O baixo número de mulheres em cargos altos é alarmante. Mas, sim, as faculdades estão ouvindo nossos apelos e adaptando seus cursos
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Quando falamos sobre desigualdade de gênero no trabalho, aindústria da beleza está no topo. Em um relatório de 2016 do LedBetter, um grupo de pesquisa que mede a disparidade de gênero entre grandes empresas, descobriu-se que o segmento superou todas as outras profissões quando se fala de mulheres ocupando cargos de conselho e executivos -- vestuário e varejo aparecem, respectivamente, na segunda e terceira posição. Infelizmente, esse número foi de 29%, o que mostra um quadro sombrio sobre o quão longe estamos de alcançar uma representação igualitária na diretoria executiva. Para um negócio que atende em grande parte as mulheres e que se constrói a partir dos altos valores gastados por elas, é irritante ver que, em pleno 2019, ainda é raro uma mulher alcançar os mais altos escalões de uma grande corporação.

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Livros (Foto: Reprodução Instagram)
 

Mas muitas escolas estão determinadas a mudar isso. O conceituado Fashion Institute of Technology, em Nova York,possui dois programas centrados em beleza: uma graduação em cosméticos e marketing de fragrâncias, que agrega os aspectos de negócios, ciências e marketing da indústria, e um mestrado com muitas aulas de administração para futuras executivas. Ambos fornecem às alunas as ferramentas necessárias para obter sucesso. “Já estamos há muito tempo na área, então conseguimos ver os resultados e acompanhar as histórias de sucesso das alunas”, diz Virginia Bonofiglio, presidente associada do departamento do curso, que citou a presidente da Nars, uma dos fundadoras da Milk e as vice-presidentes seniores da Estée Lauder, L'Oréal Shiseido como ex-alunas do programa. "Todas as alunas que se formaram ingressaram na indústria da beleza, e muitas delas foram extraordinariamente bem-sucedidas por terem alcançado cargos altos. O segredo é encontrar pessoas que, em um estágio muito inicial, saibam que é isso que elas querem fazer."

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Mesmo assim, as estatísticas não mentem: no ano passado, o WWD nomeou 100 das maiores empresas de beleza, e apenas 10 tinham uma mulher como CEO. E das empresas listadas pela Fortune 500 e S&P 500, 24 (ou 4,8%) são dirigidas por mulheres. “Nas grandes empresas públicas, a posição de CEO é governada não apenas pela instituição, mas pelos acionistas, e o interesse delas está sempre no lado financeiro, então muitos CEOs - que são homens - são contratados por causa de suas conquistas financeiras.”, diz Virginia, que menciona Fabrizio Freda, presidente e CEO da Estée Lauder, que anteriormente era presidente da divisão de salgadinhos da Procter & Gamble, como um exemplo disso. E o fato de que Fabrizio vem do setor de alimentos não surpreende. Sempre houve um elo entre grandes marcas de alimentos e a indústria da beleza. Virginia ainda raciocina que é porque “sempre houve uma relação íntima entre comida e beleza, ou seja, o que acontece primeiro lugar na comida acontecerá em segundo lugar nos cosméticos. Acho que é porque nós pensamos primeiramente com os nossos estômagos. A tendência por uma comida mais natural e o movimento pelo uso de produtos de beleza naturais são os primeiros que surgem na mente".

Mas no final do dia, eles ainda são dois setores completamente diferentes e, em termos de beleza, os homens simplesmente não são o público-alvo.

Rihanna na campanha da sua Fenty Beauty (Foto: Reprodução Instagram)

"Eu não posso dizer se uma mulher ou um homem será melhor como CEO, porque isso depende do indivíduo", diz Linda Treska, fundadora da Pinch of Color. "Mas direi que as mulheres terão um ponto de vista muito mais forte a respeito de fórmulas ou embalagens, porque somos as consumidoras. A última análise cabe aos consumidores - o que eles experimentam e como eles vão responder - então nós ainda temos uma vantagem, pois usamos esses produtos todos os dias.”

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"Quando estava começando, a indústria era muito diferente do que é hoje", explica Linda.  "Havia definitivamente mais homens em posições-chave e o mercado era dominado por empresas muito grandes, com grandes fortunas e uma longa história. Mas, nos últimos 5 anos, com a Internet e as mídias sociais, o cenário mudou para todos. Agora há muitas jovens CEOs com suas próprias marcas de sucesso".

Campanha da Glossier, marca queridinha dos millennials criada por Emily Weiss (Foto: Reprodução Instagram)

Ela está se referindo não apenas a si mesma, mas também às marcas lideradas por mulheres, como a queridinha dos millennials Glossier, de Emily Weiss; a marca de maquiagem homônima de Kylie Jenner; a Fenty Beauty de Rihanna, o serviço de assinatura Birchbox de Katia Beauchamp, a marca agênero Milk Makeup, fundada pelo casal Mazdack Rassi e Zanna Roberts Rassi, e muitas outras. A mudança também está acontecendo em grandes corporações - a Revlon nomeou Debra Perelman como CEO no ano passado, primeira mulher a liderar a empresa nos seus 86 anos de história (palmas!).

“Todo mundo chora quando pensa no varejo, mas o varejo da beleza está florescendo, tanto no digital quanto no físico”, ressalta Virginia.  Isso indica que muita coisa tem mudado. Delphine Horvath, professora do FIT e uma veterana com 15 anos de experiência na indústria com cargos na Coty, Revlon e P&G explica que a beleza ainda é considerada uma carreira rasa ou superficial, e um dos maiores mal-entendidos sobre o curso da FIT é que ele ensina sobre aplicação de maquiagem. "Capacitar nossas alunas e mudar essa mentalidade é algo que tentamos fazer", conta ela. "E agora, com o surgimento de empreendedoras de sucesso que criaram uma plataforma para as mulheres se expressarem, que estão impulsionando o crescimento no mercado e criando oportunidades para que as mulheres assumam papéis de liderança no setor, o jogo todo mudou".

Prédio da SCAD, em Los Angeles (Foto: Divulgação)

Isso explica a criação de uma série de cursos semelhantes ao da FIT em todo Estados Unidos, como o de gerenciamento de indústria de beleza do Fashion Institute of Design & Merchandising, em Los Angeles, e o MBA de um ano voltado à luxo e moda da universidade NYU, que prepara as estudantes para funções gerenciais em vestuário, beleza, tecnologia vestível, entre outros. E a partir do último semestre, a Faculdade de Arte e Design de Savannah (SCAD), na Geórgia, apresentou uma nova graduação: negócios de beleza e fragrância, o primeiro programa de graduação com vivência prática para a indústria e desenvolvido em parceria com a executiva da L'Oréal, Carol Hamilton.

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"O marketing tem mudado muito ao longo dos anos", diz Meloney Moore, que depois de mais de sete anos em cargos executivos na Estée Lauder, deixou a empresa para ajudar a desenvolver o programa de beleza da SCAD e agora é professora. "Isso se tornou uma conversa de mão dupla com a rede social e menos ênfase em comerciais de TV. E numa indústria crescente, esse é o momento perfeito para ter uma especialização relacionada a este negócio. Acho importante que as empresas e suas lideranças reflitam sobre a diversidadee os gêneros de seus consumidores. E queremos que a faculdade se torne um funil de grande e criativos talentos para o setor", completa.

As aulas na SCAD mantêm um ambiente interativo, prático e profissional com várias simulações e workshops, além de palestras tradicionais. Foi importante para Meloney que a estrutura do programa espelhasse experiências reais e, à medida que a indústria muda - a importância do feedback do consumidor, a demanda por tons de bases mais inclusivos, por exemplo -, espera-se que o currículo também evolua.“A linguagem está mudando, as empresas estão começando a se posicionar, ter opiniões e se envolver com os consumidores. Isso requer um novo tipo de profissional de marketing que seja mais criativo e atento aos detalhes”, diz ela.

Melodie Young, ex-aluna do FIT conseguiu um emprego na Fenty como coordenadora de desenvolvimento de produtos um mês depois de se formar em maio de 2018, e credita a escola por estar pronta para atuar no setor. “Acho que este programa proporciona às mulheres um conhecimento especializado e a confiança para se lançarem no mercado, para aprender a falar mais por si mesmas e perceberem que são muito valiosas para o setor”, diz ela, cujo objetivo final da carreira é envolver-se na criação de uma marca inclusiva. "Quanto mais diversificada for a liderança de uma empresa, maior a chance de atingir um público amplo”, fala.

Com cursos mais empoderados pipocando no mercado e futuras promessas com vontade de tornar a indústria de beleza mais diversa e inclusiva, talvez o futuro não pareça mais tão sombrio Mal podemos esperar para ver mulheres chacoalhando o mercado!

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