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05/02/2019 Extra Globo VAI MUNDO Troca pelo verde: empreendedores buscam produtos e serviços sustentáveis para vender
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No que depender da jovem Frances Sansão, de 29 anos, a virada ecológica será purpurinada. Quem se preocupa com a situação do planeta não pode deixar nada de lado. Até o glitter de carnaval — composto por micropartículas de plástico, grande rival da natureza— virou tema de uma pergunta popular: como trocar pelo sustentável? Em três reportagens semanais no caderno Vida Ganha, o EXTRA conta histórias de negócios que jogam a favor do ambiente.

A ideia da Pura BioGlitter, empresa da carioca Frances, nasceu no final de 2016, após uma conversa dela com o irmão biólogo Guilherme:

— Ele me falou sobre os microplásticos, que conseguem passar por filtros de captação e contaminam peixes, aves e a água. Procurei então uma alternativa biodegradável e só encontrei fora do país. Era muito caro importar. Aí comecei a testar receitas em casa.

A rapidez das decisões são favoráveis às pequenas empresas, que têm despontado na entrega de soluções para os problemas do planeta.

 

Menor pote de bioglitter custa R$ 10
Menor pote de bioglitter custa R$ 10 Foto: Fábio Guimarães / Agência O Globo

 

— Elas têm uma agilidade na tomada de decisões, que as grandes não têm. Vejo cada vez mais empresas com esse propósito, atendendo um nicho de mercado muito importante. Não é modismo. As pessoas estão mais conscientes — afirma o coordenador do MBA de Empreendedorismo e Desenvolvimento de Novos Negócios da Fundação Getúlio Vargas, Marcus Quintella.

A prova disso é a demanda da Pura BioGlitter. Obtida após quatro meses de testes, e perto do carnaval, a mistura final foi vendida a amigos primeiramente. Já em 2018, Frances e a sócia Marcela de Figueiredo produziram 10 quilos. E para este ano, com a chegada de uma nova parceira, Luciana Duarte, o investimento foi de R$ 30 mil, para aumentar a oferta.

— A meta é 50 quilos — adianta Frances.

Embalagem de cera de abelha

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), todos os anos, mais de 8 milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos e, se as tendências atuais continuarem, ele estará mais presente nos oceanos do que peixes até 2050. Com o objetivo de ajudar a mudar o cenário, Lucas Bastos e Carla Ereno, ambos de 30 anos, criaram o KeepEco, um novo tipo de embalagem — reutilizável por até um ano, biodegradável e compostável — para substituir o plástico-filme no armazenamento de alimentos. A ideia foi inspirada em um produto similar que conheceram na Austrália, país onde cursaram um intercâmbio até 2015. 

Embalagem feita com cera de abelha substitui o plástico na hora de guardar alimentos
Embalagem feita com cera de abelha substitui o plástico na hora de guardar alimentos

 

— Vi que era feito de cera de abelha e já me interessei, pois meu pai é apicultor. Então, quando voltamos para Santa Catarina, a ideia era empreender na área. Fiz testes por seis meses, gastando muito pouco, menos de R$ 500 — conta Carla.

O desafio de quem empreende para este nicho não pode parar no produto em si. É preciso que toda a cadeia do negócio seja coerente. E, por isso, o casal procurou um artesão e pediu que ele produzisse uma embalagem para entrega em papel reciclado, sem cola nem plástico. Fizeram certo, segundo a analista do Sebrae Dolores Lustosa:

— É preciso medir todos os impactos no meio ambiente para conseguir comunicar de forma mais verdadeira o seu negócio. E essas práticas do dia a dia podem ser divulgadas nas redes sociais, por exemplo.

Lavagem de carro com apenas 300 ml de água

Diferente da Pura BioGlitter e da KeepEco, a rede de franquias Acquazero não busca a redução do uso de um material prejudicial ao meio ambiente. Mas de algo que, de tão importante, não pode ser desperdiçado: a água. Enquanto lavagens tradicionais de automóveis gastam cerca de 300 litros, o negócio, com um produto especial, gasta apenas 300 ml.

— No uso doméstico, sempre ouvimos o alerta para a economia da água no banho e no dia a dia. No entanto, é nos usos industrial e comercial que vejo o maior problema, pelo volume necessário e pelo descarte da água utilizada — explica Carlos Durigan, diretor executivo da ONG WCS Brasil, que trabalha para a conservação ambiental.

Após oito anos trabalhando no comércio, Alexandre Cruz, de 34 anos, resolveu empreender. Pediu demissão e usou o dinheiro da rescisão (cerca de R$ 6 mil) para abrir uma unidade da rede:

 

Franqueado investiu R$ 10 mil na Acquazero
Franqueado investiu R$ 10 mil na Acquazero Foto: Divulgação

 

— É importante até pelo momento que a gente está passando. São cada vez mais catástrofes acontecendo e mais perto da gente. As pessoas só vão notar isso quando tiverem apenas um litro de água para o banho. Aí vão saber o que é um litro de água.

Assim como a franquia virou uma oportunidade de negócio para Alexandre, a ONU estima que a economia “verde” deverá contribuir, no mundo, com mais de 20 milhões de empregos até 2030. Quatro já foram abertos por Alexandre, que precisa dar conta de cem carros por mês. O faturamento dele, com isso, fica em torno de R$ 7 mil.

— O foco é alcançar R$12 mil atendendo somente clientes físicos. Acredito que assim que começarmos a atender também cliente jurídico, podemos alcançar pelo menos R$ 20 mil — calcula.

ENTENDA

Pura Bioglitter

Feito de uma gelatina de alga e pó de mica, uma pedra pulverizada. A mistura é colocada sobre uma superfície plana e, após secar, é triturada para ficar na consistência de glitter. Há potes de R$ 10, R$ 18, R$ 40 e uma versão em gel, por R$ 25. O glitter se desfaz no contato com a água e volta ao seu estado natural, sem prejudicar o meio ambiente.

Keep Eco

 

Produto é compostável e se desfaz na natureza em até dois meses
Produto é compostável e se desfaz na natureza em até dois meses

 

Feito de tecido 100% algodão, é uma mistura de cera de abelha e outros materiais naturais. É vendido por R$ 20. Depois de usar para guardar alimentos, basta limpar suavemente com um pano úmido e deixar secar à sombra para ser reutilizado. Quando descartado na lixeira ou destinado à compostagem, desaparece em dois meses.

Acquazero

Na Limpeza Ecológica (que custa a partir de R$ 50), o produto utilizado é um líquido composto, entre outros, por cera de carnaúba. Cerca de 20 ml são diluídos em 300ml de água, e o carro não é enxaguado depois. O serviço tem uma durabilidade de duas semanas, em média, transitando em área urbana.

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