Herói do título do Flamengo, Danilo revela que jogada do gol foi trabalhada por Filipe Luís nos treinos

Zagueiro também marcou na final da Libertadores de 2011, pelo Santos

Nos dias que antecederam a final da Libertadores, um dos principais assuntos do Flamengo era a possibilidade de Léo Ortiz ir a campo. O clube montara uma força-tarefa para tentar recuperar o zagueiro de um estiramento ligamentar no tornozelo direito sofrido em 19 de outubro, justamente contra o próprio Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro, após um pisão de Vitor Roque. Pois o destino tratou de entrar em ação com doses de ironia. Quem acabou indo a campo em Lima foi Danilo. E coube ao mineiro de Bicas o gol que decretou o título rubro-negro sobre o rival alviverde em Lima.

— Não foi o meu jogo mais fino tecnicamente. Tinha alguns momentos ali em que a bola escapou um pouquinho. Mas as finais se ganham. Eu aprendi isso dessa maneira. Aprendi com grandes líderes que as finais se ganham, seja como for — destacou o zagueiro após a partida, já consagrado como herói do título.

De fato, dessa lição Danilo aprendeu cada detalhe. Vencer se tornou uma especialidade sua. O currículo do veterano de 34 anos agora conta com duas Libertadores (outra pelo Santos), duas Champions League (ele é, inclusive, o único a ter duas conquistas de cada torneio); dois títulos do Campeonato Inglês, dois do Português, um do Espanhol e um do Italiano. E o primeiro Brasileiro pode vir na quarta-feira, já que o Flamengo está a uma vitória de confirmar a taça da Série A.

Esta também não foi a primeira vez que Danilo foi decisivo. Em 2011, ele marcou o segundo gol do Santos na vitória por 2 a 1 sobre o Peñarol. Por isso, quando Arrascaeta cobrou o escanteio aos 21 minutos do segundo tempo e a bola foi em sua direção, o zagueiro não teve dúvidas do que deveria fazer.

— Ali foi mais um feeling que a gente tem, né? Você entra em campo muitas vezes e há situações que a gente nem consegue explicar. É uma questão de feeling da batida, de entender onde vai cair a bola. E daí, meu irmão, é meter a bola lá para dentro do gol. Depois ficou tudo escuro, não vi mais nada — comentou sobre o lance do seu gol, que já vinha sendo treinado por Filipe Luís.

— Aprendi a treinar para ganhar, e eu queria continuar tendo a possibilidade de ganhar coisas importantes. Já te digo que fazer o gol da final não estava nesse script. Mas, por acaso, preparamos a bola parada de uma maneira em que eu era o homem livre. Então sabíamos que eu poderia ter uma oportunidade se a bola fosse no lugar que trabalhamos.

De certa forma, é como se Danilo tivesse marcado dois gols na partida. Isso porque, aos 43 minutos da etapa final, num dos momentos mais dramáticos da decisão, o cabeceio de Gustavo Gómez fez a bola cair nos pés de Vitor Roque na pequena área. O destaque do Palmeiras teve a faca e o queijo na mão para empatar. Só não conseguiu porque o zagueiro travou providencialmente. Ali, ficou claro que não era o dia dos alviverdes. A tarde em Lima era do ex-lateral e agora zagueiro.

Danilo, do Flamengo, comemora como um gol o corte que travou o chute de Vitor Roque, do Palmeiras, na final da Libertadores — Foto: Ernesto Benavides/AFP
Danilo, do Flamengo, comemora como um gol o corte que travou o chute de Vitor Roque, do Palmeiras, na final da Libertadores — Foto: Ernesto Benavides/AFP

O desvio no chute de Vitor Roque definiu, em favor de Danilo, o duelo particular contra o atacante. No primeiro tempo, eles tiveram uma série de embates individuais pelo corredor direito. O palmeirense vinha levando a melhor sobre ele, driblando-o ou o obrigando a cometer faltas. O camisa 13 rubro-negro resistiu até o fim para sair vitorioso.

— Obviamente, se fosse o Ortiz o escolhido, estaríamos fortes do mesmo jeito. Porque trabalhamos durante este ano exatamente dessa maneira, para um complementar o outro na ausência. Tanto eu, o (Léo) Pereira, o Ortiz, os próprios meninos (da base) quando precisaram jogar. Essa é a montagem de um grupo vencedor — disse Danilo.

Foi uma noite para coroar sua escolha pelo Flamengo no início do ano. Após 12 anos na Europa, Danilo enfim realizou o sonho de jogar pelo clube para o qual torcia desde a infância, por influência do pai rubro-negro José Luiz.

— Eu não tenho palavras, porque esse detalhe de estar na história do Flamengo… Eu poderia ter ido para vários clubes. Tive várias propostas, como não é segredo de ninguém. Não pensei em grana. Teve a ver com a necessidade de continuar vencendo e de realizar o meu sonho de criança. Então tudo culminou nesse dia especial — recordou Danilo: — Quando eu vim para cá, eu falei: “Pessoal, eu voltei para o Flamengo para realizar um sonho de criança e também para ganhar”. Eu fui movido a isso na minha carreira, aprendi nos clubes por que passei.

O mesmo destino que fez de Danilo o herói do título impediu seu pai de vivenciar este momento. Emocionado, o zagueiro revelou que uma perda na família, na sexta-feira, obrigou José Luiz a retornar ao Brasil antes da final.

— Meu pai estava vindo com minha mãe e meus irmãos para o jogo. Mas minha tia, irmã dele, acabou falecendo. Então ele teve que voltar. Está lá em Bicas (MG) com a galera toda assistindo, não pôde estar aqui, infelizmente. Mas queria dedicar também essa vitória para toda a minha família e para ele em especial.

Oportunidades de compartilhar conquistas rubro-negras com o pai não vão faltar. O contrato de Danilo com o Flamengo vai até dezembro de 2026. E, a julgar pelo seu histórico vencedor, o título de ontem não será a última oportunidade.

*Com informações de Extra

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